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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA
Coordenação de SALOMÃO SOUSA

 

ADALBERTO DE QUEIROZ

 

É jornalista por formação e poeta. No final da década de 70, participou das antologias “ Qorpo Insano” e “Veia Poética”. Em 1985, lançou “Frágil Armação (Poemas)” e, desde 2002, publica regularmente blogs com temas culturais, religiosos e filosóficos – preferencialmente no blog http://betoqueiroz.com. Lançou em novembro de 2014 o livro intitulado “Cadernos de Sizenando” (poemas & crônicas). Em 2016, lança mais um livro de poesia – "Destino Palavra”, que tem posfácio do mestre (Doutorando) em Letras e poeta Francisco Perna Filho. Capa e projeto gráfico são de Mário Zeidler Filho, com Edição  Em 2015, organizou grupo de debates e divulgação de literatura no facebook e, ao final, coordenou e publicou “Literatura Goyaz: Antologia 2015”, com 45 escritores goianos, um livro de poemas e contos, pela Edit. Livres Pensadores/Gráfica PUC, 156 p.

 

QUEIROZ, Adalberto de.  O rio incontornável.  Itabuna, Bahia: mondrongo, 2017.  76 p.  Capa: Ulisses Góes.  ISBN: 978-85-93552-54-0

 

         Nascentes (II) – Goyaz

       No outono da vida o sol do cerrado
        seca as mesmas sementes — sol a pino;
        sementes de abóbora comidas assadas,
        coisas de antanho com igual desatino.

        Cajá-manga devorado com sal, à sexta hora
        o gosto arcaico na boca desata o sonho —
        feito pamonhas ao leite ou tortas de amora,
        só o torniquete do acerbo deixa tristonho

        Minha avó comendo manga com faca
        nas tardes de outrora, espectro se evade:
        uma sombra morna no sonho somos.

        Lembrança similar aperta de mansinho
        a segunda costela à sinistra do sono;
        — Esquecer, dormir, sonha quem há de?

 

QUEIROZ, Adalberto de.  Frágil armação: poemas.   Prefácio por Brasigóis Felicio.  Goiânia: Editora Barão de Itararé, 1985.  133 p. Capa: desenho de Zello Visconti, arte e Doriocan Dias Vasconcelos.   Miolo e capa impresso em verde.

 

Os deuses são

a vontade humana de

eternidade

que deu certo.

Implacável

resistência

a de Prometeu

Acorrentado

um rebelde obstinado

pode ceder

mas resiste firme à

tirania dos fatos.

Então Shelley cantando

Goethe e Ovídio

libertados

homens são deuses

se me calo.

 

NÉON

 

"meu destino é miúdo,

é um caquinho de vidro na poeira"

(Adélia Prado)

 

O que sou não me pertence por inteiro

são notas que sobem pelas paredes, apenas

sopro tocado na palheta, a boquilha molhada

grossa saliva inundando a noite.

 

O que sou inteiro não me pertence:

brilho de vidros, cristais derramados

no asfalto, sob a luz do néon publicitário.

 

É a presença clara de quem teme os fatos

encarados de imediato e, ao chofre do estalo,

prefere ver-se, de soslaio, em espelho embolorado.

 

O que sou: fonemas abertos, concertos barrocos,

sem nenhuma tempestade aclarada

Sou o que teme o escuro - temor de fato.  

 

 

FLOR IMEDIATA

 

No quarto de hotel, ela

passeia sua nudez

como quem rega um jardim;

e eu nada vejo que não floresça.

 

Do estreito triângulo ao limite

dos seios, sugo a paixão, flor em fogo

brando, ao poeta consumindo.

 

Filha e irmão, parceiro e gueixa,

dividimos a companhia do 906,

em projetos de ontem, espinhos

futuros - flor imediata.

 

Anima divina, mãe, pitonisa e maga

decifra-me os atos, antes que tarde:

- Na ampulheta do corpo o tempo

se esgota célere e o prazer escorre:

                              areia velocíssima.

 

E, num segundo, vadeamos o espaço

de crianças solitárias, com medo da cidade,

em vário instante transportados

ao reino da primavera

por faunos e musas visitados.

 

 

 

QUEIROZ, Adalberto de.  Destino palavra.  Goiânia, GO: Edição do Autor, 2016. 85 p.  13x18 cm.  ISBN 978-85-921601-0-4   13x18 cm. Capa e projeto gráfico Mário Zeidler Filho  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

NU (UN)

De toda veste despido com a roupa da alma se vê — de toda máscara, de toda persona de toda leitura

de todo orgulho rompido; destituído — Despiram-no banharam-no para a passagem.

Quintana fraternalmente o cond "Quanto mais nu, mais Tu!”

Ouve a voz antiga de Georges (Bernanos, o francês errante) -no leito de morte:

"Pai, agora somos
         só nós dois..."

  

 

EMOÇÃO  

Vivia de escrever difícil e até ilegível,
Rabiscos sem uso, brilho ou serventia.
Seu sonho: escrever claramente fluído.

À noite a palavra disparava na mente;
Sem retoques: a mão incontida sobre
A página em branco: sem máquina
Ativa; sem teclado, tabuinha — hieróglifo.

Nu feito santo ao desabrigo do frio.

Um brilho novo a cada capítulo.
Uma resenha a cada canto — épico:
Um herói novo recriado sem pranto.
De dia, era outra história. A espremer
O cérebro vazio, alma no corpo retida.

Ausente do corpo a alma tem sentido?

Se da página escapa luz, eis o desatino.
Acontece ao vivente — já não se sabe
Do morto se general ou diplomata;
Se pedreiro ou arquiteto; sabe-se
Que não passa de um corpo vazio
De sentido ou história; de música,
Artimanhas, blague, ou obra de serventia.

Assim é a escrita do século perdido:
 Nublada a clareza do pensar, vira búzio
Oco; nuvem negra, névoa que obnubila.

 

 

O ÚLTIMO POEMA, À MANEIRA DE MANUEL BANDEIRA

Assim, triste há de ser; curto e doce e terno.

Que seja breve dizendo tudo.

Que seja doce confeito de manhã eterna.

Que seja belo feito água de cachoeira.

Que a pureza o invada: morte indolor.

Da febre curado, como o que ao mar enfrenta incólume.

 

QUEIROZ, Adalberto de. QORPO INSANO.  Porto Alegre, RS: 1977.  108 p..  ilus.  14x21 cm.    ISBN 978-85- 400-1588-3    Ex. bibl. Antonio Miranda




 

 

LITERATURA GOYAZ. Antologia 2015.  Adalberto de Queiroz, org.  Goiânia, GO: Ed. Livres Pensadores, 2015.  160 p.  Capa: Thálita Miranda. ISBN 978-85-69024-05-7   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

         NU
         (UN)

         de toda veste despido
         com a roupa da alma se vê —

         de toda máscara
         de toda persona
         de toda leitura
         de todo orgulho

         rompido;
         destituído —

         Despiram-no
         banharam-no
         para a passagem.

         Quintana fraternalmente o conduz —
         "Quanto mais nu, mais Tu!"

         Ouve a voz antiga de Georges
         (Bernanos, o francês errante)—
        
no leito da morte:

         — "Pai, agora somos
         só nós dois..."

 

QUEIROZ, Adalberto.  Cadernos de Sizenando.  Goiânia: Kelps, 2014,   184 p.  13x21 cm.  Capa: rquadro de Leonam Fleury.   ISBN 978-85-400-1130-4    Ex. bibl. Antonio Miranda

 

ÁGUA LIMPA

Se da água limpa dos rios,
o poeta alcança - incólume
as fontes d agua viva...

Oh! claro lume:
bebe em sanga clara.

Bebe c'o as mãos
na vertente rara
sequioso estro.
Não se abaixa
A flor d'agua,
Feito um cão:
Lambendo a água.

Agora, o poeta é
De Ottoniel, soldado
Não colhe a água
na palma da mão.
Pronto pra guerra,
bebe e proclama:
— Eis a Água!

Água da chuva sempre exata.
Água da fonte sempre basta
A água que a todo fogo apaga
Água límpida: minha sede mata.

 

 

Veja também o E-BOOK:  https://issuu.com/antoniomiranda/docs/adalberto_de_queiroz

 

QUEIROZ, Adalberto de.  chuva feito enxame de abelhas.  Goiânia: Edição do Autor, 2016.  Folha dobrada em quatro folhas. Projeto gráfaico e execução: Mário Zedler Filho.  SEdição limitada  de 7 exemplares?  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

Página publicada em dezembro de 2012; ampliada em dezembro de 2016; ampliada em junho de 2017


 

 

 
 
 
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