MÁRIO PEDERNEIRAS
(1867-1915)
Mário Veloso Paranhos Pederneiras (Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1867 — Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 1915), conhecido com Mário Pederneiras, foi um poeta brasileiro.
Sua formação literária teve forte influência dos poetas franceses da escola simbolista e também de grandes poetas brasileiros como Cruz e Souza, Antônio Nobre e Cesário Verde, seus poemas eram marcados pela simplicidade e pelos temas da vida diária.
Estreou na imprensa por volta de 1878, quando tornou-se colaborador do jornal estudantil O Imparcial, do Grêmio Literário Artur de Oliveira, no Rio de Janeiro. Entre 1895 e 1908 foi fundador, com Gonzaga Duque e Lima Campos, diretor e redator das revistas Rio Revista, Galáxia, Mercúrio e revista Fon-Fon. Esta última foi responsável pela segunda fase do movimento simbolista.
Mário Pederneiras começou a escrever poemas em 1900, quando publicou seu primeiro livro de poesias, Agonias. Foi ainda colaborador de A Gazeta de Notícias, Sans Dessous, O Tagarela e Novidades. Cursou o primeiro e o segundo ano da Faculdade de Direito de São Paulo, entre 1887 e 1888, mas não chegou a concluí-la.
Conquistou o terceiro lugar no concurso para Príncipe dos Poetas Brasileiros, em 1913, no Rio de Janeiro. Mário PederneiraS foi um simbolista que se tornou, com o tempo, o cantor das alegrias da vida doméstica e também das tristezas que a assaltam.
Poeta do lar, da saudade das filhas mortas, da gratidão à esposa, das coisas humildes como as árvores da rua, a mangueira do quintal, o passeio público, etc.
Em 1921, foi lançado seu livro póstumo Outono, com versos de 1914, ilustrado por Calixto e João Carlos.
MEU CASAL
Fica distante da cidade e em frente
À remansosa paz de uma enseada
Esta dos meus romântica morada,
Que olha de cheio para o Sol nascente.
Árvores dão-lhe a sombra desejada
Pela calma feição da minha gente,
E ela toda se ajusta ao tom dolente
Das cantigas que o Mar lhe chora à entrada.
Lá dentro o teu olhar de calmos brilhos,
Todo o meu bem e todo o meu empenho,
E a sonora alegria de meus filhos.
Outros que tenham com mais luxo o lar,
Que a mim me basta, Flor, o que aqui tenho,
Árvores, filhos, teu amor e o mar.
TRECHO FINAL
Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
DESOLAÇÃO
Pela Estrada da Vida ampla - coberta
de um longo velo pesaroso e baço,
hás de encontrá-la muita vez alerta
na longa rota do teu longo passo.
Por caminhos de pedras e sargaço
há de levar-te pela mão incerta,
até que, exausto em Mágoas e Cansaço,
te seja a Vida intérmina e deserta.
Verás em tudo Solidão e Escolhos
e da Tristeza a tétrica figura
estampada trarás nos próprios olhos.
E então, em Mágoas e Pavor clamando,
hás de vê-la passar na Noite escura
a mortalha dos sonhos arrastando.
A RUA
Eu considero a Rua
O melhor livro de Filosofia...
Na sua Vida que palpita e atua,
Há todo um método de ensinamento,
Desde o que prega risos e alegria,
Ao que doutrina mágoa e sofrimento.
É nela que se iguala o rumo demarcado
Do homem feliz, sincero ou falso,
E do grave senhor solene e douto,
Ao indeciso rumo aventurado
Do monstro infeliz de pé descalço
E de sapato roto.
Extraído de:
2011 CALENDÁRIO poetas antologia
Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, 2010.
Editor: Edson Guedes de Morais
/ Caixa de cartão duro com 12 conjuntos de poemas, um para cada mês do ano. Os poetas incluídos pelo mês de seu aniversário. Inclui efígie e um poema de cada poeta, escolhidos entre os clássicos e os contemporâneos do Brasil, e alguns de Portugal. Produção artesanal.
Página publicada em novembro de 2008; ampliada e repubicada em fevereiro 2011.
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