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O POETA DE MEIA-TIJELA,
 vulgo Alves de Aquino

 

 

O Poeta de Meia-Tijela, vulgo Alves de Aquino... Uma inversão: o heterônimo no lugar do nome, que é chamado de “vulgo”. Sem problema, vamos aceitar o que o autor determina. Conheci-o durante uma Feira do Livro de Fortaleza, e ele ficou de mandar poemas para o nosso Portal de Poesia Iberoamericana. Custou, mas mandou: o livro MEMORIAL BÁRBARA DE ALENCAR & outros poemas (Fortaleza: Expressão Gráfica, 2008.  ISBN 978-85- 7563361-8. E já anunciou que está saindo outro..

 

Elegemos os 4 sonetos que contam a “História cosmológica do Boi” e um fragmento do “Memorial Bárbara de Alencar” que aparece reproduzido no marcador de página que acompanha o livro, pois se trata de um longo cordel. Sorte que o poeta aderiu ao Open access e permite a divulgação de sua obra, sem problemas de direitos autorais, logo, respeitando a autoria e notificando a fonte.

 

 

De
O Poeta de Meia-Tijela
CONCERTO No. 1NICO EM MIM MAIOR
PARA PALAVA E ORQUESTRA POEMA

Combinação de realidades puramente imaginárias.
Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2010.
344 p.  ISBN  978-85-7563-483-4

 

4. M. O MONSTRENGO QUE SOU

O sorriso amarelo
Que por vezes me escapa
Serve-me antes de selo
Sobreposto à alma sapa.

As palavras gentis
Grunhidas, assopradas
São ciladas, ardis,
Pragas edulcoradas.

(Se em delírios recaio
Ao vislumbrá-la mudo
Meu olhar de soslaio
Nem só por isso mudo.)

Estas mãos que desferem
Uma à outra sobrossos
Mais que afagar preferem
Esganar um pescoço.

Acaso me visitem
Sonhos de redenção
Outros que me suscitem
O mal não faltarão.

Porquanto me soergam
Gozos insatisfeitos
Os costados envergam
Ao peso dos malfeitos.

Meu corpo, marionete
De engonços e de esgares,
A mente , o Gabinete
Do Doutor Caligari.

A mim pouco interessa
Amem-me ou me degolem.
Levarei comigo essa
Coisa... Vampiro ou Golem.

Ínfima diferença
Causar prazer ou dor!
Eu, terminal doença,
Calibã, Maldoror.

*

Posso até não querer
Porém nada que eu for
Me fará já não ser
O monstrengo que sou.

 

4. PARA CAMILO PESSANHA & A MORTEMAFOSE

O telefone, campainha?
                   — Deve ter sido na vizinha.
Alguém meu nome chama, blama?
                   — Fantasmas debaixo da cama.
Seguidas batidas na porta?
                   — Aquela namorada morta.
Mão que sobre meus ombros pousa?
                   — Fugitiva da fria lousa.
Um beijo?
                   — Solfejo.

 

 

 


HISTÓRIA COSMOLÓGICA DO BOI

 

Para Rosemberg Cariry

 

O Boi - quem não viu,

Não sabe o que é bom.

Melhor que bombril,

Melhor que bombom.

 

l. O BOI ORIGINAL

 

No princípio dos tempos, Arimã

Não dominava tudo com Seu Mal.

Mas logo procurou difundir Caos

Matando o Homem Perfeito e à Terra sã.

 

Esse malvado amigo de Satã

Deu fim mesmo no Boi Original.

Nem grão de açúcar nem pedra de sal,

Ninguém restou, adeus linda manhã.

 

Opa, aguardem que o Bem já se revolta

Prometendo estar em breve de volta,

Do Boi salvando os restos, o cadáver.

 

Donde nascerão belas Terras outras

E homens bonitos como Jão Travolta,

Mulheres maravilhas, Avas Gardners.

 

 

2. O BOI DE MITRAS

 

Coisa que se mistura e expande é Mito.

Deu que na Roma Antiga existiu Mitras,

Deus da luz e do sol que sacrifica

O Boi para que deste surja muita

 

Coisa que se misture e expanda, mirtos,

Flores, brotos, Vida em todo milímetro.

Eis que Hades sobe ao mundo com Ministros

E instaura a Dor em dose tripla, aos litros.

 

Mitras e Hades farão guerra entre sis

E há de ser catastrófico o conflito,

Antecipadamente apocalíptico.

 

Um Touro virá como jamais vi

Para dar fim ao Reino do Sinistro,

Assegurando a Paz: com Chifre e Cetro.

 

 

3. O BOI-BUMBA

 

Todo o Universo cabe no Nordeste.

Se não fosse heresia, bem diria eu

Ser o Nordeste até maior que Deus

(Calo, pois temo qu'Este me moleste).

 

Também aqui o Boi, aquele Ancestre,

Avivou e depois desfaleceu.

Catirina pediu e o bom Mateo

O matou e trinchou. Ora, acontece

 

Que o dono protestou, fez escarcéu

Com razão (já que o Vitimo era seu).

A poder de orações, cantos e preces,

 

Bumba: a carne do Bicho revivesce

Virando o que era susto em grande festa.

Agora O relembramos sempre em êxtase.

 

 

4. O BOI MANSINHO

 

Estava me esquecendo de contar-lhes

O caso do Boi-Santo, o Boi Mansinho

Mandado de presente ao meu Padinho

Ciço e cuja presença era de talhe

 

Tal, que José Lourenço pôs-se a dar-lhe

Atenção devotada e aos bocadinhos

Foi-lhe enfeitando os chifres, o focinho,

O lombo, os bagos, sem deixar detalhe

 

Do Zebu descoberto de bentinhos,

Mais parecendo um nobre de Versalhes:

Tanto que antes que o culto mais se espalhe

 

Floro Bartolomeu manda cortar-lhe

O corpo em pedacinhos, finos talhes —

Mas Ele encarna em cada bezerrinho...

 

 

 


Página publicada em março de 2011


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