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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

JOSÉ ÁNGEL VALENTE

(1929 — 2000)

 

 

Nasceu em Ourense (25.04.1929), e faleceu em Genebra (2000). Um dos poetas espanhóis mais importantes do pós-guerra, e um dos intelectuais de maior destaque da cultura européia do século XX.  É um poeta alheio à toda escola, mas com uma poesia conectada com o que de melhor se produziu na modernidade. Detentor de bibliografia vastíssima, merecedora de vários prêmios (Prêmio Nacional, em 1992; Prêmio Adonais, Prêmio da Crítica, Prêmio da Fundação Pablo Iglesias, em 1984; Prêmio Príncipe de Asturias das Letras, em 1988).


TEXTOS EM ESPAÑOL TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

 

Biografía

 

Ahora cuando escribo sin certeza
mi bionotabibliográfica
a petición de alguien que desea excluirme
de favor y por nada
en consabida antología
de la sempiternamente joven senescente
poesía española de posguerra
(de qué guerra me habla esta mañana,
delicado Giocondo, entre tenues olvidos,
de la guerra de quién con quién
y cuándo)
cuando escribo
mi bioesquelonotabibliográfica
compruebo minucioso la fecha de mi muerte
y escasa es, digo con gentil tristeza,
la ya marchita gloria del difunto.

 

 

POEMA

 

Cuando ya no nos queda nada,
el vacío de no quedar
podría ser al cabo inútil y perfecto.

 

 

POETA EN TIEMPO DE MISERIA

 

Hablaba de prisa.
Hablaba sin oír ni ver ni hablar.
Hablaba como el que huye,
emboscado de pronto entre falsos follajes
de simpatía e irrealidad.

 

Hablaba sin puntuación y sin silencios,
intercalando en cada pausa gestos de ensayada
alegría para evitar acaso la furtiva pregunta,
la solidaridad con su pasado,
su desnuda verdad.

 

Hablaba como queriendo borrar su vida ante un
testigo incómodo,
para lo cual se rodeaba de secundarios seres
que de sus desprecios alimentaban
una grosera vanidad.

 

Compraba así el silencio a duro precio,
la posición estable a duro precio,
el derecho a la vida a duro precio,
a duro precio el pan.

 

Metal noble tal vez que el martillo batiera
para causa más pura.
Poeta en tiempo de miseria, en tiempo de mentira
y de infidelidad.

 

 

EL AMOR ESTÁ EN LO QUE TENEMOS

 

El amor está en lo que tendemos
(puentes, palabras ).

El amor está en todo lo que izamos
(risas, banderas).

Y en lo que combatimos
(noche, vacío)
por verdadero amor.

El amor está en cuanto levantamos
(torres, promesas).

En cuanto recogemos y sembramos
(hijos, futuro).

Y en las ruinas de lo que abatimos
(desposesión, mentira)
por verdadero amor.

 

 

EL CRIMEN

 

Hoy he amanecido
como siempre, pero
con un cuchillo
en el pecho. Ignoro
quién ha sido,
y también los posibles
móviles del delito.

 

Estoy aquí
tendido
y pesa vertical
el frío.

 

La noticia se divulga
con relativo sigilo.

 

El doctor estuvo brillante, pero
el interrogatorio ha sido
confuso. El hecho
carece de testigos.
(Llamada de portera,
dijo
que el muerto no tenía
antecedentes políticos.
Es una obsesión que la persigue
desde la muerte del marido.)

 

Por mi parte no tengo
nada que declarar.
Se busca al asesino;
sin embargo,
tal vez no hay asesino,
aunque se enrede así el final de la trama.

 

Sencillamente yazgo
aquí, con un cuchillo...
Oscila, pendular y
solemne, el frío.
No hay pruebas contra nadie. Nadie
ha consumado mi homicidio.

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS 

TRADUÇÕES
de
Salomão Sousa 

 

BIOGRAFIA

 

Agora quando escrevo sem certeza

minha nota bibliográfica

a petição de alguém que deseja me excluir

por nada e sem nenhum favor

em consabida antologia

da sempiternamente jovem senescente

poesia espanhola de pós-guerra

(de que guerra me fala esta manhã,

delicado Giocondo, entre tênues esquecimentos,

da guerra de quem com quem

e quando)

quando escrevo

minha bioesquelenotabliográfica

comprovo minucioso a data de minha morte

e é escassa, digo com gentil tristeza,

já é bem murcha a glória do defunto.

 

 

POESIA EM TEMPO DE MISÉRIA

 

Falava sem pressa.

Falava sem ouvir nem ver nem falar.

Falava como o que foge,

emboscado rápido entre folhagens falsas

de simpatia e irrealidade.

 

Falava sem pontuação e sem silêncios,

intercalando em cada pausa gestos de

alegria ensaiada para evitar por acaso a furtiva pergunta,

a solidariedade com seu passado,

sua verdade desvendada.

 

Comprava assim o silêncio a duro preço,

a posição estável a duro preço,

o direito à vida a duro preço,

a duro preço o pão.

 

Talvez metal nobre que o martelo batera

por melhor causa.

Poeta em tempo de miséria, em tempo de mentira

e de infidelidade.

 

 

O AMOR ESTÁ NO QUE NÃO TEMOS

 

O amor está no que não temos

(pontes, palavras).

O amor está em tudo o que içamos

(risos, bandeiras).

E no que combatemos

(noite, vazio)

pelo verdadeiro amor.

O amor está em quanto levantamos

(torres, promessas).

Em quanto recolhemos e semeamos

(filhos, futuro).

E nas ruínas do que abatemos

(possessão, mentira)

pelo verdadeiro amor.

 

 

POEMA

 

Quando já não nos resta nada,

o vazio de não existir

poderia ser enfim inútil e perfeito.

 

 

O CRIME

 

Hoje amanheci

como sempre, mas

com uma navalha

no peito. Ignoro

quem foi,

e também as possíveis

causas do delito.

 

Estou aqui

estendido

e pesa vertical

o frio.

 

O doutor esteve brilhante, mas

o interrogatório foi

confuso. O ato

carece de testemunhas.

(Chamada a porteira,

disse

que o morto não tinha

antecedentes políticos.

É uma obsessão que a persegue

desde a morte do marido.)

 

De minha parte não tenho

nada a declarar.

Se busca o assassino:

sem dúvida

talvez não haja assassino,

mesmo que assim se enrede o final da trama.

 

Sensivelmente jazo

aqui, com uma navalha…

Oscila, pendular e

solene, o frio.

Não há provas contra ninguém. Ninguém

consumou meu homicídio.

 

 

 

Página publicada em fevereiro de 2008



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