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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto em: http://cenasecoisasdavida.blogspot.com

 

 

JACI BEZERRA

 

 

 

José Jaci de Lima Bezerra  (esse é o nome de batismo),  nasceu em Murici, Alagoas. Foi lançado por César Leal no suplemento literário do Diário de Pernambuco (1966) publicando uma coroa de sonetos a que deu o titulo de Sonetos de Arlequim a Colombina.

 

Escreveu: Romances (1968), Lavradouro (1973), A Onda Construída (Antologia Quíntuplo).

 

"Estações de Viagem" (1975), do poeta Almir Castro Barros, marca a estréia de Jaci Bezerra como editor. No ano de 1979 inicia com Alberto Cunha Melo o movimento das Edições Pirata e, com esse selo, dá início à publicação sistemática de autores de varias gerações e tendências.

 

Por iniciativa de Eugênia Menezes, vê publicado o Livro de Olinda (1982) e, no mesmo ano, escreveu a peça O Galo, premiada no Concurso de Dramaturgia Nelson Rodrigues (Instituto Nacional de Artes Cênicas). Em 1983, escreve e publica o Auto da Renovação.

 

 

 

POÈMES EN FRANÇAIS

 

 

 

 

CANÇÃO

 

Vou plantar na varanda a minha mágoa,

e espero, assim, que a vida a mim esqueça.

Fluídico e sereno como as águas

deixem, vocês, que eu me desapareça.

Vou partir depois disso, prontos tenho

o passaporte e a blusa de emigrante.

Deixem vocês, eu parto como venho

para ser outra vez o que fui antes,

As lágrimas ardendo são estrelas

cintilando no fundo de outro poço.

Vocês não se debrucem para vê-las

que, nelas, acharão só meus destroços

(a canção que inventei de ouvido, inteira,

e as rosas florescendo nos meus ossos).

Não procurem saber dos meus intentos,

peço como um favor, ninguém me ouça,

pois rosário já vem tangendo os ventos

e apaziguando a minha carne moça,

vem molhada de luz, vem sem lamentos,

trazendo um lírio em suas mãos de louça.

Já é chegada a hora da partida,

No meu bolso soluça o coração,

por isso, não liguem muito à vida

que para olhar e ver, trago na mão.

Nem olhem, se ainda me veem, para a ferida

que expõe, aberta, a minha solidão.

Parto rendido e entregue aos meus afetos,

e amigos que não tenho, não terei.

Matei as sempre-vivas do deserto

recusando as canções que não criei.

E descobri, sentindo o amor tão perto,

que nada sou do sonho que inventei.

 

 

 

Extraído de POETAS DA RUA DO IMPERADOR. Recife: Pool, 1986.  Coletânea em homenagem ao Dr. F. Pessoa de Queiroz  e ao jornalista Esmaragdo Marroquim.

De
Jaci Bezerra
ESPÓLIO  
Jaboatão, PE: Editora  Guararapes, 2002.  sanfanado  
gentilmente enviado pelo editor Edson Guedes de Morais


1
Mobiliário Íntimo

As paredes do sótão são feridas
e a noite em flor se agacha entre os seus muro:
é no sótão que o homem empilha a vida
e empilha o tempo que ficou maduro.

No seu interior, por entre pilhas
de tempo e mundo, a saudade cresce
ressuscitando no homem maravilhas
que exceto o homem, ninguém mais conhece.

Às vezes o sótão geme e chora, opresso,
hora em que o homem, voltando ao início,
sente, folheando o tempo nele impresso,
que o sótão respira feito um bicho.

O homem habita o sótão que o habita
e no chão deixa a pátina dos seus passos,
sem saber explicar, quando o visita,
porque no sótão o tempo é sempre intacto.

Nos dias em que o sótão cheira a azedo
e a memória do homem, inchando dói,
o homem, aninhado nos seus feudos,
quer falar mas não acha a sua voz.

O sótão, como o homem, é uma imagem
feita de imagens, no tempo desdobrada:
o homem sabe onde nasce a sua imagem,
porém não sabe em que dia ela se apaga.

Quando, para expurgar a sua angústia,
o homem abre o silêncio e o sótão se abre,
o tempo na memória é luz e música
e, no silêncio, o homem inteiro arde.

A paz desse momento é alada e exata
e resplendendo, sem nódoa e sem ferrugem,
a ternura do homem se desata
e o sótão todo cheira a flor e nuvem.
 


Página publicada em agosto de 2010
 

 

De
Jaci Bezerra
MAR AGOSTO
Jaboatão, PE: Editora Guararapes, 2002.  sanfanado


GRAVANDO MINHA DOR NUMA ÁGUA FORTE

Estendeu no horizonte a cor madura
da sombra que buscou, o tempo antigo,
as paisagens do mar, a lenda impura,
cada vez mais achado e mais perdido
depois, exausto e só, foi à procura
do quadro iniciado e dissolvido
do catavento azul, da rosa escura,
do pranto, da mulher e do gemido
chegou largando as mãos na longa estrada
e abrasado de amor ficou na rua
buscando, em vão, a luz da madrugada
só então foi ternura e foi abraço
a paisagem deixou vazia e nua
para que tantas cores neste espaço?


ESQUECI NO CADERNO A ADOLESCÊNCIA

Para que tantas cores neste espaço?
dormiu no atelier, rasgou a tela
e num gesto de mágoa e de cansaço
sacudiu os pincéis pela janela
correndo do papel fez-se aquarela
na tinta azul-marinho breve traço,
entre as águas do mar, na caravela,
na renda bela e estranha do sargaço
esqueceu a pintura e, flutuando,

contemplou em silêncio o mundo aceso,
ao seu redor a paisagem naufragando
acordou vendo braços, pernas nuas,
e liberto outra vez sentiu-se preso:
saiu e foi andando pelas ruas.


QUERIA AO ME GRAVAR VENCER A MORTE

Saiu e foi andando pelas ruas
só, diante do mundo irrevelado,
antes que a alma se abrisse leve e nua
revelando na tela o rosto amado
a paisagem, agora, era só sua
e no verão da lembrança, desatado,
desenhou, sem que visse, em pânico a lua
no silêncio imprevisto e inesperado
e partiu, e partiu deixando o rosto
esquecido no chão verde-cinzento
entregue e preso na solidão de agosto
levando da viagem, além de espaço,
o corpo envelhecido, sombra e vento,
tela, pincel e tinta sob o braço.

 

(...)

 

POÈMES EN FRANÇAIS

 

Jaci Bezerra né dans l'État de Alagoas, vit à Recife depuis l'adolescence. oú il participe du groupe connu Génération 65, qui saffirme de plus en plus, avec force et vigueur, comme comptant parmi les meilleures productions de la poé-sie contemporaine. II a publié ses premiers poèmes dans le supplément littéraire du Diário de Pernambuco, grâce au critique et poète César Leal. Livres publiés - fiction : Os pastos da minha lembrança (1980); Emílio Madeira, o galo (1982). Poésie: Romances (1968); Lavradohro (1973); A onda construída, in : Quíntuplo (1974) ; Inventário do fundo do poço (1979) ; Signo de estrelas (1981) ; Livro de Olinda (1982) ; Livro das incandescéncias (1985). Théâtre : Piuto da renovação (1983) ; 0 galo (Coleção Prémios - XIII Concurso Nacional de Dramaturgia. 1981-82). 

 

RECIFE – UM OLHAR TRANSATLÂNTICO –  NANTES  -  UN REGARD
TRANSATLANTIQUE –Antologia poética – Anthologie poétique
.   Organizada por  Heloisa Arcoverde de Morais e Magali Brazil, tradução Everardo Norões, Renaud Barbaras.  Recife: Fundação Cultural Cidade do Recife, 2007.  206 p.  15x20 cm. Inclui os poetas brasileiros: Alberto da Cunha Lima, Cida Pedrosa, Deborah Brennand, Erickon Luna, Esman Dias, Everardo Noröes, Jaci Bezerra, Lucila Nogueira, Marco Polo, Miró, Pedro Américo Farias. “ Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

En rêve la main de quelqifun me soutient et me guide

 

Mon père avait un cheval lumineux

et soccupait des roses du jardin,

pourtant son coeur n'avait pas de repôs

et cest pourquoi il fut un homme comme ça,

silencieux et seul, peut-être mystérieux,

même en brodant des histoires pour moi.

J'ai hérité de lui le silence dans lequel je me tiens

et mes pâturages d'arums et d'herbe.

En me le rappelant je m'attendris tout entier.

Mon père est mon enfance à son aube

dans ces enclos de lumière oú je mendors.

Mythe qui m'accompagne hors du temps,

mon père est une chanson pâlissant

dans le grenier tourmenté de la mémoire.

 

 

 

No sonho a mão de alguém me apoia e guia

 

O pai tinha um cavalo luminoso

e cuidava das rosas do jardim,
porém seu coração não tinha pouso
e, por isso, ele foi um homem assim,
calado e só, talvez misterioso,
mesmo ao bordar estórias para mim.
Dele herdei o silêncio em que me movo
e os meus pastos de antúrio e de capim.
Ao recordá-lo, inteiro me enterneço.
O pai é a minha infância aurorescendo
nesses currais de luz onde adormeço.
Mito que me acompanha tempo afora,
O pai é uma canção esmaecendo
no atormentado sótão da memória.

 

Le coeur rongé par les vents

 

La maison se construit,

comme je le pense et le suppose,

du bois qui ronge

les fondations du rêve.

De ce sable mouillé

de silence et de beauté,

non des roses plantées

sur l'hiver de la table.

La tendresse retenue

entre grilles et murs

est passion et chanson

dans la fondation mure.

Ton corps est une maison

lentement construite

effleurant comme l'aile

de la maison l'aile de la vie.

Leté brulant

qui dans tes souvenirs

se répand sur le sol

comme une gerbe de tresses.

 

 

O coração roído pelos ventos

 

A casa se constrói,
como penso e suponho,
da madeira que rói
o alicerce do sonho.
Dessa areia molhada
de silêncio e beleza,
não das rosas plantadas
sobre o inverno da mesa.
A ternura retida
entre grades e muros
é paixão e cantiga
no alicerce maduro.
O teu corpo é uma casa
devagar construída
roçando como a asa
da casa a asa da vida.
O candente verão
que nas tuas lembranças
se desata no chão
como um feixe de tranças.

 

 

Página publicada em outubro de 2009; ampliada e republicada em agosto de 2010; ampliada em fevereiro de 2016

 

 


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