Fonte: polacodabarreirinha.blogspot
ROBERTO PRADO
Nasceu em Curltiba-PR em 31 de agosto de 1959. E publicitário e iornalista. Foi ator, autor e diretor teatral de 1975 a 1981. Para o cinema escreveu os roteiros de
Barbabel, média-metragem, 1997, com Rodrigo Barros Homem Del Rei; Em Nome da Honra, longa- metragem sobre obra de Domingos Pellegrini Jr., 1999, com Aníbal Marques; Você é Bom, média metragem, 2000, com Antonio Augusto Freitas.
Publicou pela Lagarto Editores os livros com poemas escritos em parceria com Antonio Thadeu Wojciechowscki, Marcos Prado, Sérgio Viralobos, Edilson Del Grossi: OSS - Poemas a 2, 4, 6 ou 8 mãos; Dois mais dois são três em um; Pérolas aos poukos; Erdeiros do azar; Eu, aliás, nós.
Traduziu, com Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski, Sérgio Viralobos e Edilson Del Grossi: O Corvo, de Edgar Allan Põe (Curitiba, 1.° edição em póster, 1985 e 2.° edição trilingue, São Paulo, editora Expressão, 1987); Os Catalépticos (Lagarto Editores, 1991), com traduções de Dante Alighieri, Yeats, Rimbaud, Baudelaire, Camões, Edgar Allan Põe, Adam Mickiewicz e Shakespeare; em 2001, em colaboração com Alberto Centuriâo de Carvalho e António Thadeu Wojciechowski publicou uma livre adaptação em forma de poemas de Tao - O Livro, de Lao Tse. Individualmente, publicou Sim Senhor às suas ordens isto é um Motim (Lagarto Editores, 1994).
Como compositor teve várias canções gravadas pelo grupo Beip AA Força nos discos Que me quer o Brasil que me persegue (1990); Música ligeira nos países baixos (1993); Sem suingue (1996) e Barbabel (1998); Lábia Pop (Carta ao
ídolo, 1991); Missionários (Wo is WxO, 1992); com Talara (Jogo de espelhos, 1979) e na coletânea Cemitério de Elefantes (diversos, 1990), "1", diversos (1994); Network, Vol. 1 (Sheffield, Inglaterra, 1993); Grupo Fato (Fogo Mordida, 1996), Sidail César (Chega de Choro, 1998), Adriano Sátiro (A caminho do céu, 1998).
Blog do poeta: http://www.robertoprado.blogspot.com/
Musas
anos a fio dando ouvidos
a deuses muito discretos
amigas, amigos, amiguinhos
se sou mero objeto de meus afetos
quem é aquilo sozinho que vai
tropeçando em meus versinhos?
Ó, céus
nenhum pio
nada de nuvens
não há azul
ó, céus!, que são tantos,
que cada um tem o seu
e ainda tem quem não veja
quando a gente cai do céu
Buraco negro
de tudo
que mais amo
eu tiro o som
falo o que cala fundo
para que o poema,
buraco negro,
diga o que eu sou
por mais absurdo
só sobra cinema mudo
daquilo que eu acho bom
O último pastelão
você perdeu meu antigo prazer simples
a diversão tola dos troços aéreos que falava
de ver a graça pura das velhas boas trapalhadas
de sentar pra rir daqueles meus bobos tropeços
agora falando sério
pensando bem/ ninguém perdeu nada
Oração a são nunca
dei duro e eros me abriu seu coração
não preciso nem de boca pra baço me estender o garrafão
marte me deu uma mão
mamom perguntou quanto era e puxou o talão
um belo dia tive de dizer não
mas ainda amo essa humanidade marrom
fiel a eros, baco, marte e mamom
radical livre
morri de vivo
porque menos mal assim
mas antes de tudo
meu estúpido estudo
sobre o valor nutritivo
da raiz do capim
Poemas extraídos de PASSAGENS. Antologia de poetas contemporâneos do Paraná. Seleção e apresentação de Ademir Demarchi. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 202. 428 p. (Col. Brasil Diferente)
Página publicada em fevereiro de 2009
|