EUGENIO SANTANA
Natural de Paracatu, Minas Gerais, onde nasceu em 1956. É jornalista profissional, redator publicitário, escritor, poeta e editor. Viveu nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Niterói, São Paulo, Uberaba, Goiânia e Florianópolis e atualmente reside em Anápolis, Goiás, Brasil. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (1977), sócio da UBE- SC, fundador da União Literária Anapolina (ULA) .
Livros publicados: Asas da Utopia (1993), Guiado pelos Pássaros (1994) e Florestrela (2002).
SANTANA, Eugenio. Florestrela. Poemas aliados, líricos, simbolistas, oníricos, holísticos, místicos, filosóficos, versos brancos, versos livres: Uni-Versus! (1995-2001). Anápolis, GO: Hórus Editora, 2002. 122 p.
120 p. 11,5x18,5 cm.
Longe de mim
como a mais distante estrela.
Próxima de mim
em meus olhos (e coração)
que me permitem vê-las.
A minha infância chama-se:
vôo de liberdade.
Mas onde terá ficado a Asa
da primeira idade?
O AMOR DE NINGUÉM
O Amor de ninguém
nasce dessa fúria louca,
dessa ferida exposta
que sangra copiosamente.
A multidão-faminta fera
circula com suaura de gelo,
com sua máscara insana,
com sualma de pedra;
minha espada invisível
tenta, em vão, lapidar.
Nulo o gesto, o afeto, o verso.
O coração. Oceano.
Diamante azul;
Romã Rubi Talismã.
Pulo o muro e o conflito.
Aflito, sobrevôo o plúmbeo-véu
no céu do Ser-estar.
Música e barulho, Asa e Mar.
Bach e Bar. Projetos & Planos.
Esse medo coletivo
que não cessa,
revela uma saudade
oculta, inexplicável.
Um pesado silêncio
fere e machuca.
O Amor de ninguém!...
FLOR-ESTRELA
Flor-de-Luz,
Flor-d’água,
Flor-do-campo.
Flor-de-pessegueiro.
Flor-de-Lis,
Flor do Tempo.
Floresta...
Não verbalize Dor.
Odor de fontes,
Mantos, montes,
Mantras, platôs.
Ame a Flor,
Caçador de sonhos
com os pés alados.
Apreende em sua palma,
A alma da Beleza.
No coração habita
grandeza, nobreza, pureza.
Seja a própria singeleza!
O êxtase da Flor
Na Aura Estelar:
Flor-Estrela!
REDESCOBRIR-SE
Quero o horizonte novo,
espaço amplo:
abrir as asas
e voar para a liberdade!...
Implodir o estéril discurso,
retirar a inútil gravata
e jogá-la ao lixo.
Deletar o prolixo.
Esvaziar gavetas, armários,
dar-se ao luxo
de ser perdulário;
doar roupas, revistas, livros e discos.
Demitir a mascar
e mudar a face.
Recescobrir-se
por inteiro
trocar de pele, guerreiro
revisitar a linguagem da luz
do Verbo-pássaro!...
PÉS ALADOS
Caminhos das nuvens
lenhador de sonhos
é roteiro aberto
para colher flores
— estrelas.
Esquálido e contente,
Guerreiro errante,
com os pés alados
sigo a rota do inocente.
Pássaro argênteo
Vôo sem rumo
lançando Asas
ao Infinito!
SUINOCULTURA
Pérolas aos porcos?
É possível.
Concedo entrevistas,
abro concessões aos porcos com Asas.
Alados Javalis cor-de-rosa,
andando em bando
na floresta funesta do não-tempo.
Camuflando planos,
insuflando a ternura
no Planeta-escola.
Telúricos, oníricos-onívaros
obscuros animais amáveis.
Conspurcadores-copuladores.
Oh, céus, oh, dores!
Odores de flatos
poéticos-aerofágicos amoráveis;
ao sabor do amor, amora.
Chafurdo também na cama com a ama,
na lâmina, na lã, na lama.
O Dalai Lama do Tibet
e sua Fé
não ousa salvar a minha Poesia!
É chique o chiqueiro
farejo por inteiro
o inominável cheiro de “bancon”
o culto ao oculto
ícone suinoculto aceitam passivos
parcos ou porcos orifícios?
Sacrifícios socráticos ruminam
o cio de dentro da kundalini
assisto ao singular filme de Fellini.
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ANTOLOGIA. 2º. Concurso de Poesia 1992. Brasília: Sindicato dos Escritores no Distrito Federal – SEDF, Cultura Gráfica e Editora, 1992. Apresentação: Menezes y Morais.
106 p. 15 x 21,5 cm. No. 10 322
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
FRAGMENTOS DE UTOPIA
Quando acreditares que sou
a própria imagem do abandono,
o deserto inóspito e hostil,
saiba que me transformo em oásis
suave sutil
que embevece os olhos,
sacia a sede,
energiza o corpo,
enternece a alma
e inspira o coração.
Quando pensares que sou
apenas cinzas
e escombros na amplidão:
ergue os olhos
e veja o voo magnífico
da fênix rediviva
iluminando a Criação.
Quando conseguires visualizar
a flor de lótus
no lago das águas turvas,
sujas e podres, compreenderás:
a verdadeira beleza é interior;
e a natureza é o sopro vital
do Criador.
O desabrochar da flor
e o despertar da alma
que cresceu e evoluiu
em sintonia
com Essência Cósmica.
O PÁSSARO DAS ÁGUAS
Nunca mais
viajei
nas asas
do pássaro
das águas
da infância.
Impressões
se foram
na correnteza
de rios, riachos
e fontes.
Sobrevoar
as águas escuras
da existência,
mergulho sem fim
da juventude
que se foi
em mim.
Nunca mais o voo;
perdeu-se a beleza
da magia das asas.
Resta-me
renascer
o pássaro
das águas
da infância.
*
Página ampliada em agosto de 2025
Poemas extraídos de Florestrela (Anápolis: Hórus Editora, 2002. 120 p.)
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