VIRNA TEIXEIRA
Nasceu em Fortaleza (CE), em 1971, e reside em São Paulo. É autora de Visita (2000) e Distância (2005), ambos publicados pela editora Sette Letras. Esta seleção faz parte do seu próximo livro de poemas, Trânsitos.
Nació en Fortaleza (CE), en 1971, y reside en São Paulo. Es autora de Visita (2000) y Distância (2005), ambos publicados por la editorial Sette Letras. Esta selección forma parte do su próximo libro de poemas, Tránsitos.
Publicado originalmente em http://www.letras.s5.com, e reproduzido com autorização do tradutor.
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
POEMAS
Seleção de Claudio Daniel
Nado em alto-mar, maremoto. Flutuar sobre naufrágios, resíduos. Submersa no que não era – afogamento. Mergulho, viagem marítima. Escapismo, estrelas-do-mar. Sentimentos líquidos.
Ebulição. Dissolução de formas. Novas, transitórias, fluidas. Tensão, polaridade.
Repetição, aprendizado: trajeto contra a correnteza até a margem.
Memória da água. Desenhos na areia, espuma.
DETOX
Enrolou os ferimentos em gaze. Feridas cicatrizam com o tempo. Ainda que restem entalhes. Memórias desenhadas nos ossos, adornos.
Tirou fotografias como registros. Meses após o trauma. Sem sangue nas conjuntivas.
Deixou para trás a câmera. Travesseiro, lençol branco, a água morna do banho. Inverno, lembrança noturna.
A transformação do rosto. Quando retirou as ataduras, as suturas.
No dia da partida, árvores. De perfil no trem, a luz sobre os cabelos, castanhos.
MEMORY LOST
Desde el trigésimo piso contempla la ciudad por la noche. Borra archivos, memorias.
Algunas retorcidas quedarán en el pensamiento como el edificio de ventanas góticas.
Prisión. Cine Voltaire.
En el alféizar una orquídea. Aislada contra el crepúsculo violeta. Un contorno borrado de
edificios.
Un día de sol. Parejas pasean en el parque. Caminan entre gansos. Niños juegan
en el estanque de arena.
Hipocampo, extraña imagen. Esquinas, caminos que se bifurcan. Como si nunca hubiera
caminado por allí.
Nado em alto-mar, maremoto. Flutuar sobre naufrágios, resíduos. Submersa no que não era – afogamento. Mergulho, viagem marítima. Escapismo, estrelas-do-mar. Sentimentos líquidos.
Ebulição. Dissolução de formas. Novas, transitórias, fluidas. Tensão, polaridade.
Repetição, aprendizado: trajeto contra a correnteza até a margem.
Memória da água. Desenhos na areia, espuma.
Nado en alta ola, maremoto. Fluctuar sobre naufragios, sobre residuos. Sumergida en lo que
no era - ahogo. buceo, viaje. Escapismo de estrellas de mar.
Líquidas sensaciones.
Evaporación. Disolución de formas. Nuevos, transitorios, fluidos. Tensión, polaridad.
Repetición, aprendizaje: trayecto contra la corriente hasta la orilla.
Memoria del agua. Dibujos en la arena, espuma.
CONVERSA
entre sombras de
árvores, a noite
relva, onde
pesadas as
palavras
desabem, como
frutos
pequenas equimoses
sob as
polpas.
DISTÂNCIA
um telefonema de
três minutos
depois,
o silêncio
do outro lado
da linha.
NOITE
branca, a sala
a cor desta
ausência
teto
inalcançável
sofá, o vulto
imaginário
de um corpo.
TEIXEIRA, Virna. Visita. Rio de Janeiro: Editor Multifoco, 2010. 49 p. (Orpheu poesias) 13,5x20,5 cm ISBN 978-85-7961-196-4 Apresentação de André Dick. Capa: Guilherme Peres. Obs. Existe uma edição anterior deste livro, de 2005. Col. A.M.
“Estamos, assim, diante de uma poesia — (...) — elaborada, vazada em flashes fotográficos, com referências ao coloquialismo e referências culturais diversas, tentando concentrar o máximo no mínimo — todos esses elementos em conjunto com um sentido incômodo de desgaste, de deslocamento, solidão e melancolia numa dose justa, sem aspirar a um tom elevado.” ANDRÉ DICK
Visita
Criado-mudo:
Bíblia e
rosário de contas.
Na cama, ao lado
a nudez
sem nome.
Dorso
Revestir a nudez
primeira palavra:
toque.
Sílabas
desentendem
o silêncio.
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TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción: Leo Lobos
Nado en alta ola, maremoto. Fluctuar sobre naufragios, sobre residuos. Sumergida en lo que no era - ahogo. buceo, viaje. Escapismo de estrellas de mar.
Líquidas sensaciones.
Evaporación. Disolución de formas. Nuevos, transitorios, fluidos. Tensión, polaridad.
Repetición, aprendizaje: trayecto contra la corriente hasta la orilla.
Memoria del agua. Dibujos en la arena, espuma.
DETOX
Cubrió las heridas con gasa. Las heridas cicatrizan con el tiempo. Auque nos falten talles. Memoria dibujada en los huesos, adornos.
Tiró fotografías como registros. Meses después del trauma. Sin sangre en los ojos
Dejó atrás la cámara. Almohada, blanca sábana, el agua tibia del baño.
Invierno, nocturno recuerdo.
La transformación del rostro. Cuando retiró las ataduras, las suturas.
El día de la partida, árboles. De perfil en el tren la luz sobre los cabellos castaños.
MEMORY LOST
Trigésimo andar: contempla a cidade, à noite. Deleção de arquivos, memórias. Algumas ficaram retorcidas no pensamento como o prédio, de janelas góticas. Cativeiro. Cinema Voltaire.
No parapeito, uma orquídea. Isolada contra o crepúsculo, violeta. O contorno borrado dos prédios.
Um dia de sol. Casais passeiam no parque. Caminha entre gansos. Crianças brincam no tanquinho de areia.
Hipocampo, estranheza de imagens. Esquinas, bifurcações. Como se nunca tivesse, tantas vezes, caminhado ali.
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Traducción de Cecilia Pavón
CONVERSACIÓN
entre sombras de
árboles, la noche
hierba, donde
pesadas las
palabras
se demoronan, como
frutos
pequeñas equimosis
bajo las
pálpebras.
DISTANCIA
un llamado de
tres minutos
después,
el silencio
del otro lado
de la línea.
NOCHE
blanca, la sala
el color de esta
ausencia
techo
inalcanzable
sofá, el bulto
imaginario
de un cuerpo.
Extraído de: CAOS PORTATIL – POESÍA CONTEMPORÁNEA DEL BRASIL
– EDICIÓN BILINGUE. Selección de Camila do Valle y Cecília Pavón. Traducción de Cecilia Pavón. México: Edicones El Billar de Lucrecia, 2007. ISBN 978-970-95317-2-5
Apoyo del Fonde Nacional para la Cultura y las Artes
Página publicada em janeiro de 2008, republicada em maio de 2009. |