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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA ALAGOANA

Coordenação de Cármen Lúcia Dantas

 

Fonte: www.soniavandijck.com

ARRIETE VILELA

Poeta e contista, nasceu em Marechal Deodoro, Alagoas, em 1949,  é professora  de Literatura da Universidade Federal de Alagoas. Já recebeu numerosos prêmios, tendo sido distinguida como mérito cultural da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro com a obra Lãs ao vento.   

“Dona de uma obra que tematiza a Palavra e, em conseqüência, a escritura (suas possibilidades, conseqüências e responsabilidades), Arriete Vilela abre seu novo livro com João Cabral de Melo Neto: “Escrever é estar no extremo de si mesmo”, anunciando o que se vai experimentar até alcançar o ponto final indicado na epígrafe: a luta com, na e pela Palavra, para dar corpo a realidades, que, em última instância, são mesmo lãs ao vento: “Palavra: um modo metonímico de me fazer legar uma escritura de esfacelamentos, de recortes da realidade, de bordejos e de desesperanças.”, diz o texto, e dispensa explicações sobre esse “metonímico” que não pôde ser evitado.”    Sônia van Dijck

Bibliografia:  Eu, em versos e prosa (1970), 15 poemas de Arriete (1974), Recados (1978), Para além do avesso da corda (1980), Remate (1983), Farpa (1988),  A rede do anjo (1992), Dos destroços, o resgate (1994), O ócio dos anjos ignorados (1995), Tardios afetos (1994), Vadios afetos (1999), Frêmito (2003), Lãs ao vento (2005).

 

De

Arriete Vilela

Obra poética reunida

Macéió: Poligraf, 2009. 532 p.

 

 

POEMA N. 4

 

Preciso sempre

ir dentro de mim:

 

confiro-me.

 

E quando emerjo,

sou rochedo descobrindo-se

com a baixa da

maré.

 

 

 

POEMA N. 11

 

Não quero mais

que o mergulho no mar,

a cara virada para o sol,

o esquecimento:

 

         alma boiando à deriva,

         como se fora tábua

         despregada do casco

         de algum velho barco.

 

POEMA N. 21

Hoje farejas indícios

de novas trilhas,

velas o teu coração tornado

ríspido, brumoso,

e vais às praças públicas colher

um súbito rosto.

 

         Hoje tenho nos olhos

         somente a dança das

         estrelas cadentes

         fazendo-se mar e poesia:

         a minha melhor

         porção diária de vida.

 

Poema 14

 

A Palavra

cria, subverte e celebra

seus simbolismos

suas metáforas

seus confrontos

fracassos

fronteiras

 

pelo gosto de transgredir-se

de denunciar-se

 

— ora por ser delito

na tradição

 

— ora por ser delírio

no esplendor.

 

 

Poema 25

 

Como um sutil traço

na retina dos olhos de rotina,

 

a Ilusão é invisível desvario

duelo silencioso

insana persistência diária:

 

fio de pólvora seca

no rastro

do improvável.

 

 

POEMA N. 26

 

                   Da janela sobre o mar,

                   sem saudades eu dou adeus

                   a mim mesma;

 

                            faço-me outra,

                            e nova.

 

                   Quero trazer-me alegre

                   à luz do dia ou da noite,

                   sossegar-me nas trovoadas,

                   evitar as esporas do vento

                   nos meus cabelos.

 

                   Inútil esforço,

                   Sei. Aos meus olhos

                   cola-se, diariamente,

                   uma alma de estopa áspera,

                   embora rara.

 

 

                               POEMA N. 28

 

                   Os meninos de rua

                   Parecem pardais urbanos:

 

                            em ligeiros vôos

                            acham-se em toda parte,

                            aproveitam restos de toda sorte.

 

                   Tropical

                   é algazarra de suas vozes,

                   quando se ajuntam;

 

                   seus gestos e jeitos,

                   de uma graça desavisada,

                   assustam e comovem.

 

                   Atentíssimo dever ser

                   o anjo da guarda dos meninos de rua,

                   esses tantos pardais urbanos.

 

POEMA N. 29

 

Vou me sabendo sem remansos.

Por vezes o mar estronda

dentro de mim

e tempestades medonhas me obrigam

a descer aos porões, a reconhecer-me

nas escotilhas fechadas da minha

incômoda solidão.

 

Difícil reconhecimento, porém.

Eu já sou muitas.

Meus olhos, é verdade,

ainda se mantêm amorosamente

indiscretos, e minha alma busca

da palavra as seduções segredosas

que me ardem no peito.

 

Mas já não me deixo

Possuir.




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