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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





LÊDO IVO

 

Poeta, narrador y ensayista nacido en Maceió, Halagaos, Brasil, en 1924. Es una de las figuras más representativas de la literatura brasileña. Se le considera el más destacado de la Generación del 45, movimiento contra el clima demoledor y anarquista de la primera fase del modernismo, que pregonaba un regreso a la disciplina y al orden. Como otros poetas de esta generación, volvió a algunas formas poéticas fijas, como el soneto, pero conservando un estilo libre y marcadamente personal. De su obra, ampliamente premiada, destacan sus novelas As alianças (1947), y Ninho de cobras (1973), su libro de crónicas A cidade e os dias (1957), el poemario Finisterra (1973) y sus memorias Confissões de um poeta (1979). Es miembro de la Academia Brasileira de Letras [ www.academia.org.br ]

 

En poesía ha escrito, entre otros títulos: As imaginações (1994), Ode e elegia (1945), Ode ao crepúsculo (1948), Linguagem (l966), Estação Central (1968), Crepúsculo civil (1990), Curral de peixe (1995), O Rumor da noite (2000). Su más reciente libro es Plenilúnio (2004) y há participado de numerosas antologías.

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 
 Veja também>>> POÈMES EN FRANÇAIS

POEMS IN ENGLISH

OS MORCEGOS

Os morcegos se escondem entre as cornijas
da alfândega. Mas onde se escondem os homens,
que contudo voam a vida inteiro no escuro,
chocando-se contra as paredes brancas do amor?

A casa de nosso pai era cheia de morcegos
pendentes, como luminárias, dos velhos caibros
que sustentavam o telhado ameaçado pelas chuvas.
"Estes filhos chupam o nosso sangue", suspirava meu pai.

Que homem jogará a primeira pedra nesse mamífero
que, como ele, se nutre do sangue dos outros bichos
(meu irmão! meu irmão!) e, comunitário, exige
o suor do semelhante mesmo na escuridão?

No halo de um seio jovem como a noite
esconde-se o homem; na paina de seu travesseiro, na luz
do farol
o homem guarda as moedas douradas de seu amor.
Mas o morcego, dormindo como um pêndulo, só guarda
o dia ofendido.

Ao morrer, nosso pai nos deixou (a mim e a meus oito irmãos)
a sua casa onde à noite chovia pelas telhas quebradas.
Levantamos a hipoteca e conservamos os morcegos.
E entre os nossas paredes eles se debatem: cegos como nós.

 

 

 

OS POBRES NA ESTAÇÃO RODOVIÁRIA

Os pobres viajam, Na estação rodoviária
eles alteiam os pescoços como gansos para olhar
os letreiros dos ônibus. E seus olhares
são de quem teme perder alguma coisa:
a mala que guarda um rádio de pilha e um casaco
que tem a cor do frio num dia sem sonhos,
o sanduíche de mortadela no fundo da sacola,
e o sol de subúrbio e poeira além dos viadutos.
Entre o rumor dos alto-falantes e o arquejo dos ônibus
eles temem perder a própria viagem
escondida no névoa dos horários.
Os que dormitam nos bancos acordam assustados,
embora os pesadelos sejam um privilégio
dos que abastecem os ouvidos e o tédio dos psicanalistas
em consultórios assépticos como o algodão que
tapa o nariz dos mortos.
Nas filas os pobres assumem um ar grave
que une temor, impaciência e submissão.
Como os pobres são grotescos! E como os seus odores
nos incomodam mesmo à distância!
E não têm a noção das conveniências, não sabem
portar-se em público.
O dedo sujo de nicotina esfrega o olho irritado
que do sonho reteve apenas a remela.
Do seio caído e túrgido um filete de leite
escorre para a pequena boca habituada ao choro.
Na plataforma eles vão o vêm, saltam e seguram
malas e embrulhos,
fazem perguntas descabidos nos guichês, sussurram
palavras misteriosas
e contemplam os capas das revistas com o ar espantado
de quem não sabe o caminho do salão da vida.
Por que esse ir e vir? E essas roupas espalhafatosas,
esses amarelos de azeite de dendê que doem
na vista delicada
do viajante obrigado a suportar tantos cheiros incômodos,
e esses vermelhos contundentes de feira e mafuá?
Os pobres não sabem viajar nem sabem vestir-se.
Tampouco sabem morar: não têm noção do conforto
embora alguns deles possuam até televisão.
Na verdade os pobres não sabem nem morrer.
(Têm quase sempre uma morte feia e deselegante.)
E em qualquer lugar do mundo eles incomodam,
viajantes importunos que ocupam os nossos
lugares mesmo quando estamos sentados e eles viajam de pé.

 

 

O PASSRINHO MORTO

 

A santidade do mundo me aparece

sob a forma assustada de um esquilo

que me contempla entre arbustos.

Devo esta aparição ao deus que me criou

e me faz notar o miúdo e o insólito.

A poeira na asa da borboleta

E a chuva radiosa.

Abaixo-me e agarro o passarinho morto

que nem a neve soube guardar.

Por que o mataste, ó deus do frio

que, na noite de Nova Iorque, une a homem e mulher.

Como uma formiga, espero que o comboio passe

para atravessar

os trilhos sangrados pela ferrugem.

E, cristaleiro, amo o que o tempo fez

sem que fosse preciso ferir ou insultar:

vaga na prancha podre de um navio

ou o fulgir de um diamante.

A essa forma de perfeição, luminosa e fria,

é que aspiro às vezes quando, no banco de um parque,

vejo o passarinho morto

ou, homem, sou o esquilo que os esquilos

vêm olhar com surpresa.

Aos céus que guardam o granizo e a saraiva,

peço isenção de selo funerário.

Mas como esse deus mouco me ouviria?

Com seus olhos vazados, de que modo

me enxergaria?  E as folhas caem, desbotadas, e o outono

é vento e podridão.

 

 

 

ASILO SANTA LEOPOLDINA

 

Todos os dias volto a Maceió.

Chego nos navios desaparecidos, nos trens sedentos, nos aviões cegos/

                                                  Que só aterrizam ao anoitecer.

Nos coretos das praças brancas passeiam caranguejos.

Entre as pedras das ruas escorrem rios de açúcar

Fluindo docemente dos sacos armazenados nos trapiches

e clareiam o sangue velho dos assassinados.

Assim que desembarco tomo o caminho do hospício.

Na cidade em que meus ancestrais repousam em cemitérios marinhos

só os loucos de minha infância continuam vivos e à minha espera.

Todos me reconhecem e me saúdam com grunhidos

e gestos obscenos ou espalhafatosos.

Perto, no quartel, a corneta que chia

Separa o pôr-do-sol da noite estrelada.

Os loucos langorosos dançam e cantam entre as grades.

Aleluia! Aleluia! Além da piedade

a ordem do mundo fulge como uma espada.

E o vento do mar oceano enche os meus olhos de lágrimas.

 

 

 

SONETO À PÁTRIA

 

Nesta noite em Toronto junto ao lago gelado

que o grasnido dos gansos não ousa estremecer

minha pátria ofendida surge na escuridão

e vem ao meu encontro com o seu sol e andrajos.

 

Ao seu redor estão os goiamuns que moram

no chão mudo dos mangues, o sinal semafórico

que ao lado da guardamoria freme na maresia

e os mendigos que esperam a morte sob os viadutos.

 

Caminhando na neve nesta noite estrangeira,

entre as sílabas negras dos frígidos pinheiros,

murmuro no vento o teu nome desmatelado.

 

Ó pátria desamada, ó rameira insultada,

quanto mais longe estás, teu espinho distante

mais dói na minha mão inútil e gelada.

 

 

 

O PORTÃO

O portão fica aberto o dia inteiro
mas à noite eu mesmo vou fechá-lo.
Não espero nenhum visitante noturno
a não ser o ladrão que salta o muro dos sonhos.
A noite é tão silenciosa que me faz escutar
o nascimento dos mananciais nas florestas.
Minha cama branca como a via-láctea
é breve para mim na noite negra.
Ocupo todo o espaço da mundo. Minha mão
desatenta
derruba uma estrela e enxota um morcego.
O bater de meu coração intriga as corujas
que, nos ramos dos cedros, ruminam o enigma
do dia e da noite paridos pelas águas.
No meu sonho de pedra fico imóvel e viajo.
Sou o vento que apalpa as alcachofras
e enferruja os arreios pendurados no estábulo.
Sou a formiga que, guiada pelas constelações,
respira os perfumes da terra e do oceano.
Um homem que sonha é tudo o que não é:
o mar que os navios avariaram,
o silvo negro do trem entre fogueiras,
a mancha que escurece o tambor de querosene.
Se antes de dormir fecho o meu portão
no sonho ele se abre. E quem não veio de dia
pisando as folhas secas dos eucaliptos
vem de noite e conhece o caminho, igual aos mortos
que todavia jamais vieram, mas sabem onde estou
— coberto por uma mortalha, como todos os que
sonham
e se agitam na escuridão, e gritam as palavras
que fugiram do dicionário e foram respirar o ar da
noite que cheira a jasmim
e ao doce esterco fermentado.
os visitantes indesejáveis atravessam as portas
trancadas
e as persianas que filtram a passagem da brisa
e me rodeiam.
Ó mistério do mundo, nenhum cadeado fecha o
portão da noite.
Foi em vão que ao anoitecer pensei em dormir
sozinho
protegido pelo arame farpado que cerca as minhas
terras
e pelos meus cães que sonham de olhos abertos.
À noite, uma simples aragem destrói os muros dos
homens.
Embora o meu portão vá amanhecer fechado
sei que alguém o abriu, no silêncio da noite,
e assistiu no escuro ao meu sono inquieto.

 

 

 

            A QUEIMADA

 

Queime tudo o que puder :

as cartas de amor

as contas telefônicas

o rol de roupas sujas

as escrituras e certidões

as inconfidências dos confrades ressentidos

a confissão interrompida

o poema erótico que ratifica a impotência

e anuncia a arteriosclerose

 

os recortes antigos e as fotografias amareladas.

Não deixe aos herdeiros esfaimados

nenhuma herança de papel.

 

Seja como os lobos : more num covil

e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados.

Viva e morra fechado como um caracol.

Diga sempre não à escória eletrônica.

 

Destrua os poemas inacabados,os rascunhos,

as variantes e os fragmentos

que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.

Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.

Não confie a ninguém o seu segredo.

A verdade não pode ser dita.

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

LOS MURCIÉLAGOS

 

Versión de José Emilio Pacheco

 

 

En la cornisa de la aduana se ocultan los murciélagos.

Pero ¿dónde se esconden los hombres

que vuelan en tinieblas toda su vida y se estrellan

en la blancas paredes del amor?

 

La casa de nuestro padre estaba llena de murciélagos:

Candelabros pendientes de las vigas, sostén

del techo amenazado por la lluvias.

“Estos hijos nos sorben la sangre”, se quejaba mi padre.

 

¿Quién lanzará la primera piedra contra este mamífero

que, como el hombre, se alimenta de la sangre

(¡hermano! hermano!) y exige, comunitario,

aun en tinieblas el sudor de su prójimo?

 

En la aérola de un seno joven como la noche

se esconde el hombre, guarda su amor,

como si fuera oro, en su almohada

o a la luz de un farol.

El murciélago duerme como péndulo

y guarda nada más el día ofendido.

 

A mis ochos hermanos y a mí nos legó nuestro padre

su casa en la que por la noche

caía la lluvia entre las tejas rotas.

Pagamos la hipoteca y conservamos los murciélagos.

Ahora se debaten en nuestros muros,

ciegos como nosotros.

 

 

 

LOS POBRES EN LA CENTRAL DE AUTOBUSES

 

Versión: Margareth Cuellar

 

 

Los pobre viajan, en la central de autobuses

levantan los cuellos, como gansos para mirar

los letreros del autobús.  Sus miradas

son de quien teme perder alguna cosa:

la valija que guarda un radio de pilas y una chaqueta

que tiene el color del frío en un día sin sueños,

el sándwich de mortadela en el fondo de la bolsa,

el sol del suburbio y polvo más allá de los viaductos.

Entre el rumor de los altoparlantes y el acelerar del autobús

temen perder su propio viaje

oculto en la niebla de los horarios.

Los que dormitan en los asientos despiertan asustados,

aunque las pesadillas sean privilegio

de los que abastecen los oídos y el tedio de los psicoanalistas

en consultorios asépticos como el algodón que tapa la nariz de los muertos.

En las filas los pobres asumen un aire grave

que une temor, impaciencia y sumisión.

¡Qué grotescos los pobres! ¡Y cómo sus olores

Incomodan la noción de la conveniencias, no saben comportarse.

El dedo sucio de nicotina restriega el ojo irritado

que del sueño retuvo apenas la legaña.

Del seno caído y dilatado escurre un hilillo de leche

hacia la pequeña boca habituada al llanto.

En la plataforma van y vienen, corren, aseguran maletas y paquetes,

hacen preguntas inconvenientes en las ventanillas, susurran palabras misteriosas

y contemplan las portadas de las revistas con el aire de espanto

de quien no sabe el camino del salón de la vida.

¿Por qué ese ir y venir? Y esas ropas extravagantes,

esos amarillos de aceite de palmera que duelen a la vista delicada

del viajante obligado a soportar tantos olores incómodos.

¿Y esos rojos contundentes de feria y parque de diversiones?

Los pobre no saben viajar ni vestirse.

Tampoco saben vivir: no tienen noción del bienestar

aunque algunos poseen hasta televisión.

La verdad es que los pobres no saben ni morir.

(Tienen casi siempre una muerte fea y poco elegante).

En cualquier lugar del mundo incomodan,

… viajeros inoportunos que ocupan nuestros lugares aunque viajemos

sentados y

… ellos de pie.

 

 

ASILO SANTA LEOPOLDINA

 

Traducción de Stefan Baciu y Jorge Lobillo

 

 

Todos los días vuelvo a Maceió.

Llego en navíos desaparecidos, en trenes sedientos.

En aviones ciegos que sólo aterrizan al anochecer.

En los estrados de las plazas blancas pasean cangrejos.

Entre las piedras de las calles escurren ríos de azúcar

fluyendo dulcemente de los sacos almacenados en los trapiches

y clarean la sangre vieja de los asesinados.

Luego que desembarco tomo el camino del hospicio.

En la ciudad donde mis ancestros reposan en cementerios marinos

sólo los locos de mi infancia continúan vivos a mi espera.

Todos me reconocen y me saludan con gruñidos

y gestos obscenos o ruidosos.

Cerca, en el cuartel, la corneta que chilla

separa la puesta de sol de la noche estrellada.

Los locos lánguidos bailan y cantan entre las gradas.

¡Aleluya! ¡Aleluya! Más allá de la piedad

el orden del mundo brilla como una espada.

Y el viento del mar océano inunda mis ojos de lágrimas.

 

 

 

EL PÁJARO MUERTO

 

Traducción: Francisco Cervantes

 

La santidad del mundo se me aparece

bajo la forma espantada de ardilla

que me contempla entre los arbustos.

Debo esta aparición al Dios que me creó

y me hace notar lo menudo y lo insólito.

El polvillo en el ala de la mariposa,

En la lluvia radiante.

Me agacho y agarro el pajarito muerto

que ni la nieve supo guardar.

¿Por qué lo has matado, dios del frío,

que, en la noche de Nueva York, unes a hombre y mujer?

Como una hormiga, espero a que pase el tren

para atravesar

las vías ensangrentadas del óxido

y, diamantero, amo lo que el tiempo hizo

sin que fuese necesario herir o insultar;

ola en la plancha putrefacta de un navío

o el fulgor de un diamante.

A esa forma de perfección, luminosa y fría

es a la que aspiro a veces cuando, en el banco de un parque,

veo a un pajarito muerto

u, hombre, soy una ardilla que las ardillas

vienen a mirar con sorpresa.

A los cielos, que guardan el granizo y la pedrisca,

pido la no implantación del sello funerario.

¿Pero cómo ese dios sordo me oiría?

¿Cómo sus ojos vacíos, de qué modo

m adivinaría? Y las hojas caen, deslavadas, y el otoño

es viento y putrefacción.

 

 

 

A LA PATRIA

 

Versión:Héctor Carreto

 

 

Esta noche, en Toronto, junto a un lago de hielo

que es inmune al graznido de los gansos,

una patria ofendida surge de lo oscuro

y sale a mi encuentro con su sol y andrajos.

 

A su alrededor están los habitantes

del suelo silencioso de los mangles, la señal del semáforo

que como un ave se estremece en la marejada

y los mendigos que esperan la muerte bajo el paso a desnivel.

 

Mientras camino bajo la nieve de esta noche extranjera,

entre la sílabas negras de los frígidos pinos,

murmuro al viento tu nombre devastado.

 

Oh patria desamada, oh ramera,

mientras más me distancio, tu espina

más punza en mi mano inútil y helada.

 

 

 

EL PORTÓN DE LA NOCHE

 

Versión: Rubén Mejía

 

 

El portón permanece abierto el día entero,

pero en la noche y o mismo lo cierro.

No espero a ningún visitante nocturno

a no ser el ladrón que salta el muro de los sueños.

La noche silenciosa que me hace escuchar

el nacimiento de los manantiales en los bosques.

Mi cama, blanca como la Vía Láctea,

es angosta para mí en la noche negra.

Ocupo todo el espacio del mundo: mi mano desatenta

Derriba una estrella y ahuyenta un murciélago.

El latir de mi corazón intriga a las lechuzas

que, en las ramas de los cedros, rumian el enigma

del día y de la noche paridos por las aguas.

En mi sueño de piedra quedo inmóvil y viajo:

soy el viento que palpa las alcachofas

y enmohece los arreos colgados en el establo,

soy la hormiga que, guiada por las constelaciones,

aspira los perfumes de la tierra y del océano.

Un hombre que sueña es todo lo que no es:

el mar dañado por los navíos,

el silbido negro del tren entre hogueras,

la mancha que ennegrece el tambor de querosén.

Cierro el portón antes de dormir,

mas en el sueño se abre. Quien no vino de día

pisando las hojas secas de los eucaliptos

viene de noche, pues conoce el camino, al igual que los muertos

que aún no han venido, pero saben dónde estoy,

—cubierto por una mortaja, como todos los que sueñan

y se agitan en la oscuridad, gritando las palabras

que huyeron del diccionario y fueron a respirar el aire de la noche que huele a jazmín

y al dulce estiércol fermentado.

Los visitante indeseables atraviesan las puertas atrancadas

y las persianas que filtran el paso de la brisa, rodeándome.

¡Oh misterio del mundo, ningún candado cierra el portón de la noche!

Fue vano pensar que el anochecer dormiría solo,

protegido por el alambrado de púas que cerca mis tierras

y por mis perros que sueñas con los ojos abiertos.

En la noche, una simple brisa destruye los muros levantados por los hombres.

Aunque mi portón va a amanecer cerrado,

sé que alguien lo abrió en el silencio de la noche

y participó en la oscuridad de mi sueño inquieto.

 

 

 

LA QUEMA

 

Versión: Rubén Mejía

 

 

Quema todo lo puedas:

las cartas de amor

las cuentas telefónicas

la lista de la ropa sucia

las escrituras y los certificados

las indiscreciones de los colegas resentidos

la confesión a medias

el poema erótico que ratifica la impotencia

y anuncia la arterioesclerosis

los recortes antiguos y las fotografías amarillentas.

 

No dejes a los herederos hambrientos

Ninguna herencia de papel.

 

Sé como los lobos: habita en una cueva

Y sólo muestra a la canalla de las calles tus dientes afilados.

Vive y muere encerrado como un caracol.

Di siempre no a la escoria electrónica.

 

Destruye los poemas inacabados, los esbozos,

las variantes y los fragmentos

que provocan el orgasmo tardío de los filólogos y académicos.

No dejes a los catadores de basura literaria ninguna migaja.

No confíes a nadie tu secreto.

La verdad no puede ser dicha.

 

 

Extraídos de: La Tierra Allende; antología poética 1944-2005. Edición bilingüe.  México: Libros 1001 Lo Poesible, 2005, con la debida autorización del autor.



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