Astier Basílio,
foto de Felipe Rizemberg
ASTIER BASILIO
Pernambucano, reside em João Pessoa, PB. É jornalista, editor do suplemento cultural Augusto, do Jornal da Paraíba. Autor do livro "Antimercadoria" (2005)
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após todos os fins
nasço:
nos escombros do muro,
das torres,
do mundo.
Eu,
rascunho permanente,
de um já escrito
epitáfio.
dois ponto um
não inventamos nosso futuro
que sem nome e longe
se ultrapassa
sem saber para onde.
Preferimos não ter perguntas,
nem erros, mas,
velhos de photoshop,
retocamos a morte,
o sonho, a sorte,
o never more
e o nosso retrato
é um extra
sem filme próprio
bar amarelinho, campina grande
onde não se aceita cartão, nem tem whisky.
Agüento o amigo (por dentro qualquer um é triste).
Sem importância que a cerveja esfrie,
éramos dois kafkas de R$ 1,99, de butique.
Nenhuma mulher nos esperava, nenhuma mulher livre
àquela hora em que contávamos cicatrizes.
A noite era de uma miséria simples.
Falávamos de eliot, nossa inútil estirpe,
num lugar onde este nome era invisível.
"Ninguém aqui lê eliot", entre risos disse,
"mas, eles se vingam de nós sendo felizes".
anteprojeto
carrego n'alma
um domingo com a filha que terei
a velhice na cama dividida
o horizonte concluído da janela
mas um escorpião tem medo de fogo
em meu sangue
dança e derruba sua peçonha de 4 patas
que me põe de pé quando sou homem
e eu sou mais veneno
que paisagem
lugar
onde o
desespero
escava um
nó exato.
Uma verdadeira
solidão
não seu relato,
o vazio mais intacto.
Descobrir um
caminho
e apagar os
rastros
geração zero
não se trata de preferir teclas ao lápis.
Ninguém usa mais sangue, história ou carne.
Pensar? Pensam no em-si-mesmo, mas em apud.
Um remake do arte-pela-arte.
Não se trata de ser gaveta ou site.
É o andaime como lugar sobre a paisagem,
o making of como filme, a maldição como charme.
É o novo centro: a margem. Deus negro, mulher e com aids.
É o fim do autor, o pós-nome, metalinguagem,
incapaz de ouvir ou de entender black-outs
2006, paris
diferente do sonho,
nunca se acaba um pesadelo.
Não temos bandeiras, nem empregos.
A exploração virou direito.
Queimam automóveis e modelos.
Mudam as palavras de ordem,
mantém-se o medo.
Fim da história? fim das utopias?
minha utopia sou eu mesmo
anos 00
Arquivo a ser salvo
o futuro.
vazio em zoom
tabuleiro arcaico à mostra
caixa de ecos nada por baixo
solo de cristal em vácuo
entre o asfalto e o escuro
sempre salto:
concerto para o erro
'stamos
um pouco acima do zero
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