Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TASSO DA SILVEIRA

(1895-1968)

 

 

Poeta e escitor curitibano (Paraná, Brasil). Formado em Direito,  no Rio de Janeiro. Considerado um dos representantes da ala espiritualista do modernismo, ao lado de Cecília Meireles e Tristão de Ataíde. Pertenceu ao grupo da Revista Festa, da qual foi um dos fundadores. Estreou como poeta com Fio d'Água, em 1918. Somente a partir do terceiro livro — Alegorias do Homem Novo—, em 1926  é que adere ao verso livre.

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

 

         EFEITO DE LUZ

 

         Sob o silêncio que flutua,

         no crepúsculo

         a angra é um espelho de cristal.

         De súbito, porém, rompendo a superfície polida,

         como um brusco

         reflexo,

         o peixe prateado e liso

         pula no ar

         em esplêndido, caracoleia no crepúsculo

         e retomba no seio da água adormecida,

         que, sonhando, o supõe numa chispa de luar...

 

 

                   (As Imagens Acesas, 1928)

 

 

Comentário: “Uma visão impressionista da realidade predomina no poema, onde o autor procura captar imagens de luz e cor. A velocidade rítmico-expressional dos versos se ajusta bem à temática, em estrofes livres e rimos variados, apesar do alexandrino que aparece no final do poema.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

         TORRE

 

         Os ventos altos

         vindos das distâncias perdidas

         bateram a torre do meu corpo.

         Bateram a torre esguia e longa

         e puíram-lhe os ornamentos raros,

         desfiguraram-lhe a feição de beleza,

         como o mar milenário

         desastou as arestas vivas dos rochedos

         imemoriais.

         Não apagaram, porém, a lâmpada

         solitária e serena

         que ardia no silêncio...

         e os meus olhos, rosáceas claras, abertas

         para a paisagem

         do teu ser,

         ficaram coando sempre o clarão suave e leve,

         ficaram adolescentes

         para sempre...

 

                   (Alegria do Mundo, 1940)

 

Comentário: “O tema da torre é freqüente na poesia de Tasso da Silveira, simbolizando um movimento em direção ao infinito. (...) Como se percebe, mesmo nos poemas em que o amor carnal se transforma em tema básico, o influxo espiritualista é sempre a seiva dos versos. Como no resto de sua poesia, o pensador não domina o poeta, apesar das raízes filosóficas e religiosas de sua motivação estética.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

 

         SEM TÍTULO

 

         Do fundo do crepúsculo,

         O vento tombou como uma ave ferida

         Sobre os tufos e as palmas verdes

         do dormente jardim.

 

         Bateu, raivoso, as possantes asas,

         rodopiou exasperado

         entre as frondes em pânico.

         E miraculosamente recompondo

         o perdido equilíbrio,

         em brusco, violento arranco

         ergueu vôo outra vez para o espaço sem fim...

 

                   (Contemplação do Eterno, 1952)

 

Comentário:Na utilização estética do sistema lingüístico, Tasso da Silveira sabe tirar efeito artístico adequado à temática de seus poemas. São múltiplos os recurso de estilística fônica, mórfica, sintática e semântica aí existentes. O efeito de essência profunda, espécie de temática central em sua poesia, logo transparece no primeiro verso, quando o vento vem do fundo do crepúsculo.(...) Toda a idéia dinâmica de uma movimentação brusca e violena nos é sugerida pela própria linguagem.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

SEM TÍTULO

 

         O fogo é pura adoração.

 

         Quando mãos insidiosas

         o ateiam

         na seara florescente

         ou na choupana humilde

         ou no palácio fastigioso

         ou no flanco da montanha,

         ele ignora o gesto de pecado

         de que nasceu.

 

         E se ergue límpido e inocene

         para Deus.

 

 

                   (Contemplação do Eterno, 1952)

 

Comentário: “O tema da purificação pelo fogo aparece algumas vezes na poesia de Tasso da Silveira. Do mesmomodo que o tema da torre, subindo para o céu, exprime um anseio de espiritualidade, o tema do fogo também revela a busca de Deus. O fogo é sinônimo de adoração e se ergue, límpido e inocene, para o infinito.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

CANÇÃO

 

         Quando a alta onda de poesia

         veio do arcano profundo,

         no pobre e efêmero mundo

         o eterno pôs-se a pulsar.

         Vidas se transfiguraram,

         permutaram-lhe destinos.

         O azul se fez mais etéreo,

         Estradas mais se alongaram,

         silêncio cantou na aldeia

         sino ficou a escutar,

         moeu trigo a lua cheia,

         lampião de rua deu luar,

         a água mansa da lagoa

         ergueu-se em repuxo límpido

         e se esqueceu de tombar,

         alvas estrelas em bando

         desceram lentas pousando

         sobre a terra e sobre o mar.

 

 

                   (Regresso à Origem, 1960)

 

 

         Comentário: “Em vrsos de redondilha maior, os mais espontâneos de nossa língua, nesta canção o poeta se transforma em receptor de poesia eterna. Logo nos primeiros versos, o efeito de essência profunda se exprime através da alta onda de poesia que vem do arcano profundo, pulsando de vida espiritual.” .” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

        

         OS CAVALOS DO TEMPO

 

         Os cavalos do tempo são de vento.

         Têm músculos de vento,

         nervos de vento, patas de vento, crinas de vento.

 

         Perenemente em surda galopada,

         passam brancos e puros

         por estradas de sonho e esquecimento.

 

         Os cavalos do tempo vão correndo.

         Vêm correndo de origens insondáveis,

         e a um abismo absoluto vão rumando.

 

         Passam puros e brancos, livres, límpidos,

         no indescontínuo imemorial esforço.

         Ah! são o eterno atravessando o efêmero:

         levam sombras divinas sobre o dorso...

 

 

                   (Regresso à Origem, 1960)

 

Comentário: “A problemática do tempo se refleta na poesia de Tasso da Silveira como resultante de uma ação divina. Assim, o tempo é uma espécie de fluir contínuo do seio da eternidade. Poesia do eterno no efêmero, os cavalos do tempo levam sombras divinas sobre o dorso, em sua perene e surda galopada.” Leodegário A. De Azevedo Filho

 

Poemas e textos extraídos da obra POETAS DO MODERNISMO, vol. 4.  Edição comemorativa dos 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1972. 

============================================================

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

De

9 POETAS DEL BRASIIL
una antología de Enrique Bustamante y Ballivian.
Lima: Centro de Estudios Brasileños,  1978
109 p.

 

 

 

PIEDAD

No pienses: "Nunca hice bien

a nadie,

ni di al mundo el más fugitivo instante de belleza".

Acaso, cuando en tu miseria profunda
atravesabas la floresta densa, por la noche,
no encendiste una hoguera?

Pues a esa hora todos los astros se inclinaron sobre la llama perdida
y los árboles tuvieron un palpitar largo y conmovido, y soñaron ...

... Y, a la distancia, quién sabe si algún caminante cansado no sonrió
de alegría al ver iluminada dentro de la noche densa, la pequeñita lámpara distante.

 

LA LLAMA

El día todo,
como una llama,
la urbe convulsa ardió.
Ardió como una gran llama trémula al viento.

Ardió de sueño y de deseo,
de ambición y de agonía,
al ritmo brusco y trepidante
de la lucha heroica y vana . . .
Y, cuando vino la noche, exhausta
adormeció . . .
Y ahora, de su gran cuerpo abatido
se desprende el silencio hacia la altura.
El infinito silencio . . .
El silencio infinito,
pero todavía tan lleno
de fluidos vivos de pasión
y de cansancio y desesperanza,
que más parece, erguida hacia la altura.
una invisible llama,
una llama de sombra y de aflicción.

 

NOCTURNO

Como el puerto quedó vacío, bajo la noche,

los vientos lo abandonaron
y fueron a buscar a lo lejos las velas trémulas.
Y las lámparas del muelle se inclinaron conmovidas.
para ver a las estrellas deslumbrantes
que cayeron todas dentro del mar . . .

 

 

EL MOMENTO DIVINO

Cuando el crepúsculo cayó
fue que notaste que las cosas todas son infinitas.
Cuando el silencio te envolvió,
fue que sentiste las pulsaciones todas de tu ser . . .
Soñaste entonces
que la sangre te batía en las arterias
aun bajo el impulso primordial
del Instante de la Creación . . .
Y que tu pecho jadeaba
aun bajo el cansancio
de las migraciones de los pueblos ancestrales . . .
Y te pareció que llegabas del fondo de los tiempos
como un esplendor de las generaciones innumerables
que viniese explorando la senda indefinida,
y al fin de la jornada
trajese, todavía, en los ojos,
la misma interrogación ansiada
de la partida . . .
Y te pareció que respirabas
al ritmo de las mareas crecientes.y vaciantes,
al ritmo de las montañas,
al ritmo del palpitar de la Tierra toda,
cuando más pesa en ella por la noche
la mudez del cielo ardiendo en astros! . . .

 

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2007; ampliada e republicada em janeiro de 2011.



Voltar para o topo da página Voltar para poesia dos Brasis Paraná

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar