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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

JORDI DOCE

 

 

Professor graduado em Filologia inglesa pela Universidad de Oviedo e doutor por Sheffield. Foi leitor na Universidade de Oxford.

 

Obra poética: La anatomia del miedo (León: Ayuntamiento, 1994), Diálogo en la sombra (Gijón: Deva, 1997), Lección de permanencia (Valencia: Pre-Textos, 2000), Otras lunas (Barcelona, DVD, 2002), Gran angular (Barcelona: DVD, 2005).

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL /  TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

 

CANCIÓN DE TORMENTA

 

Escucha el ulular del viento contra el muro;

la hiedra, las acácias baten la piedra sin descanso

y dividen el tiempo como tiernas cuchillas.

Yo te he visto en los intervalos: la luz

a rachas alumbraba tu rostro en la tormenta.

Eras tú y no eras: pues en la oscuridad

yo te llamaba y tu me respondias,

y también era tuya esa negrura,

tuya como el eco absurdo del viento.

 

 

EN EL CERRO

 

Se enturbia la mirada, y el aire de la tarde

humea como brasa contra un fondo

de velas sopladas y espuma rota.

El mar es la respiración, la espera.

 

Tomadas por el grueso sol de agosto,

las rocas se deslizan hasta el água.

Un charco se consume entre destellos.

La sal brilla en los flancos chorreantes.

 

Verano, en tu temblor enceguecido

aprendo la Constancia del azul.

Bajo el vuelo tenaz de las gaviotas,

soy uno con el tiempo del água remansada.

 

 


TEXTOS EM PORTUGUÊS
 



CANÇÃO DA TORMENTA

 

Escuta o ulular do vento contra o muro;

a hera, as acácias batem na pedra sem descanso

e dividem o tempo como tenros cutelos.

Eu te avistei nos intervalos: a luz

em réstias  iluminava teu rosto na tormenta.

Eras tu e não eras: pois na escuridão

eu te chamava e tu me respondias,

e também era tua essa escuridão,

tua como o eco absurdo do vento.

 

 

NO MORRO

 

A mirada se ofusca, e o ar da tarde

esfumaça como brasa contra um fundo

de velas sopradas e espuma rota.

O mar é a respiração, a espera.

 

Tomadas pelo espesso sol de agosto,

as rochas deslizam até a água.

Um charco se consome entre fulgores.

O sal brilha nos flancos jorrantes.

 

Verão, no teu tremor enturvado

aprendo a Constância do azul.

Sob o vôo tenaz das gaivotas,

Sou alguém com tempo de água remansada.

 

 



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