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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MANO MELO

MANO MELO

 

Poeta e ator, roteirista para cinema e vídeo. Desde 1979, quando retornou ao Brasil após viajar por dez anos através do mundo (América Latina, Europa, Ásia e África), tem interpretado seus poemas em teatros, bares, centros culturais, universidades, escolas, eventos e congressos literários, até mesmo praças e praias, no Rio de Janeiro e muitas outras cidades.



De

O LAVRADOR DE PALAVRAS

Rio de Janeiro: Bapera, 1999.
ISBN 85-87554-01-8

 

ESPAÇOMOTO

 

SONHEI QUE voava numa espaçomoto colorida

Sobre a Cidade Maravilhosa destruída

Com as ondas do mar batendo nos tetos

Dos prédios de concreto.

 

Não havia sinal de gente.

Tudo abandonado.

Os sinais piscando pra carro nenhum

E os neons anunciando para ninguém.

 

As lojas todas vazias

E as mercadorias

Espalhadas no balcão

Inúteis

Carros supermercados preços marcados

Discos roupas computadores sapatos

Tudo para os ratos.

 

Foi terremoto maremoto

Ou desilusão

Da Bahia a Nova Iorque

Da Dinamarca aos Açores

Se calaram os pregões das bolsas de valores

 

 

GARRINCHA

 

MANE GARRINCHA era um menino sorridente

Que corria entre os dentes verdes das bocas de futebol.

Os cartolas decretaram

Que seu joelho era uma bola:

Podiam chutar à vontade.

 

Um dia Garrincha fugiu do campo da concentração

Pra tomar banho de mar

Morreu afogado num copo de traçado.

 

Nesse dia

Deu zebra na loteria

Esgotaram-se edições extras de todos os jornais

O povo ficou triste ouvindo o rádio de pilha

Se fizeram minutos de silêncios antes das pelejas

Seus companheiros estavam macambúzios nos funerais.

Um padre na capela rezou um Assim Seja.

E a multidão pisou nos túmulos pra ver os craques da seleção.

Depois seu nome restou lembranças num time de botão

Que uma criança largou esquecida no chão

 


SUI GENERIS


ESTE É UM país sui generis.

As putas gozam

Os cafifas se apaixonam

Os valentões apanham

Os ministros cantam e

As ministras dão.

Os machões também.

Os ladrões prendem

A polícia assalta

Os patrões fazem greve

Os ateus rezam

Os padres praguejam

Os catedráticos não lêem

Os analfabetos escrevem

Os banqueiros choram

Os mendigos dão esmola

Os gatos latem

Os cachorros miam

Os peixes se afogam

As frutas mordem

As formigas dão leite

As vacas põem ovos

As galinhas têm dentes

Então,
Quer parar
De me cobrar
Coerência
Pô!

 

 

LENDO CARTAS DE VAN GOGH A THÉO


ESCREVER É o que resta.

Espremer os sentidos como uma laranja.

Ouvir os sons do silêncio mudo

No burburinho da cidade imunda,

Com suas inumeráveis descargas abertas e tortas

Seus miseráveis abortos de carnes vivas e mortas

 

Olhando pela janela do ônibus

Andando a pé

Sentado no último vagão do metro vazio

Passeando entre os iguais de diferentes tribos

Vou fazendo versos.

Cru cozido grelhado assim e assado

E et caterva

Assim escrevo.

Mergulhando no lago largo e amargo de amor e lama

Chamado o âmago

Em busca da melhor forma na expressão.

Descobrir a cor de cada palavra

Como Van Gogh descobriu as cores de cada cor

 


TOQUE

 

É TEMPO de ter um amuleto amarelo com um amor bordado dentro

É tempo de cavar as palavras secas no fundo do pescoço

É tempo de descobrir o rubi que você pensa que é uma pedra nos sapatos

É tempo do tempo morto morrer dentro de você

É tempo de nascer o poeta inato que você é

 

O abismo do ser sozinho fica nos limites das forças

Atravessar por inteiro depende da prática do timoneiro

É desviar o barco por águas claras e maré calma

Pois os limites das forças são as divisas com a alma

Aguenta o barco firme

Aguenta o barco

Com muita calma

Irmão

 

Você é o juiz que se julgou perdido

Sua própria mão bateu as três marteladas

Pregando a sentença de sua perdição

Existe um oásis em cada um dos lados de teu corpo quadrado

Escolher seja sul seja norte seja leste seja oeste

Adiante deserto e oásis são a mesma coisa

As mesmas partes do caminho andado

Não existe caminho errado

Existe preguiça de continuar pra qualquer um dos lados

 

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FUTEBOL

 

A multidão canta

E guarda

Na garganta

O grito de gol.

Cerveja crente,

(Sem álcool)

Guaraná, Coca-Cola

E um baseado furtivo

Circulando na galera.

Mas ... olho vivo!

Que o santo é forte

E o andar,

De barro.

Bobeou,

Dançou.

O velho estádio

Está cheio.

É uma ilha,

Cercado de paixões

Por todos os lados.

As torcidas são monstros alados

Com plumas em cores Vão entrando os jogadores

A arquibancada explode. Os estilhaços chovem sobre o campo ­

Em fogos gritos bandeiras e

Fanfarras O juiz apita

E a bola rola.

Dada a saída,

A bola é lançada

Para a ponta esquerda,

Em profundidade.

O atacante vence o zagueirão,

Escora de cabeça -

O goleiro espalma para escanteio.

A noite é de lua cheia. As entidades estão na hora do recreio,

Visitando a vida.

Invisíveis.

Assistem a partida,

Impassíveis,

Calados,

Acompanhando o jogo dos encarnados

Sem torcer por time nenhum.

Para eles,

Tanto faz zero a zero

Quanto 10 a 1

 

 

(Extraído de República dos Poetas; antologia poética. Org. Ricardo Muniz de Ruiz. Rio de Janeiro: Museu da República Editora, 2005)

Futebol

 


 

 

 

Página publicada em janeiro de 2009. Ampliada e republicada em janeiro de 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 
 
 
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