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FRANCISCO KARAN
Natural de Araraquara, Estado de São Paulo, onde nasceu em 1902, formou-se em Direito no Rio de Janeiro, cidade em cuja imprensa exerceu o jornalismo. Amigo de Jackson de Figueiredo, seu admirador extremado, consoante depõe Andrade Murid, acompanhou-o na fundação do Centro D. Vital e sofreu, na sua obra literária, a influencia daquele líder católico.
De ascendência libanesa, Karam é católico maronita. Sua poesia, fluida e interiorizada, mística e de religiosidade tocada de orientalismo, foi revelada, antes de ser coligida em volumes, na "Revista Social" e em "A Ordem", nos anos de 1922 a 1924. É situado como antecessor de Augusto Frederico Schmidt, igualmente definido por acentos proféticos e messiânicos. João Ribeiro saudou-o como grande poeta. Tristáã de Ataíde realçou nos seus versos "urna chama alta e ardente de misticismo".
Obra poética: Levíticas (1925); Palavras de Orgulho e de Humildade (1926); A Hora Espessa (1934).
Biobliografia extraída da obra de MÁRIO DA SILVA BRITO – POESIA DO MODERNISMO. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
Coração Viajante
Chegam e vão entrando em mim Como por um caminho aberto.
Passam e vão Levando da poeira de minha carne Na carne do seu corpo.
Ficam em mim, como na estrada, As marcas dos seus pés E o murmúrio distante dos seus cânticos.
O meu corpo tem saudades. Ele as iluminou, Como o braseiro dos serões, Dando sangue, dando calor.
O meu corpo tem nostalgia, Ele vive, Na carne que elas levaram dele. Na alma que elas arrancaram, Aos punhados, dos meus olhos.
A Hora Espêssa — Ariel Editora Ltda. — Rio de Janeiro — págs. 121- 122.
Página publicada em junho de 2009
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