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LÓLIO L. DE OLIVEIRA

Lólio Lourenço de Oliveira, sociólogo, escritor, poeta e tradutor. O currículo de Lólio L. de Oliveira passa pela tradução (do inglês, do francês e do espanhol), profissão que abraçou de vez após aposentar-se. Antes, Lólio trabalhou na área de seleção e orientação profissional, em instituições como a Fundação Carlos Chagas. Vive em Alphaville, São Paulo.
 

De

FÁBRICA DE TAMARAS

1953

 

I

Daqui eu posso ver a imensidão.
Sem rupturas, sem contornos bruscos,
vejo o pleno ondular das dunas,
mornas e doces, desde o horizonte.

A deserção dos homens me alivia
(as mesmas caravanas são miragens que passam
e a brisa, em pouco tempo, cobre o rastro que fia).

Vivo em mim: o resto, apenas conheço.

A três vidas daqui, um oásis floresce,
poucas vezes anseio por vivê-lo:

são tão vagos e múltiplos e doloridos
os caminhos que o atingem, permaneço.

Aqui, ao menos, estes telhados foscos
sombreiam sobre as dunas meu esquecimento.
E à noite, no silêncio da sombra que me abarca,
manufaturo a natureza em meu degredo.

 


POEMAS AVULSOS

I

 

O dia em que renascer
verás que diferente!

Não mais mel poluído,
negreiro sono,
indiferente rosa,
repicar plangente!

Serei o mesmo morto súbito,
alteres de pluma, solidão sensata.

E nunca te esquecerás
quando me vires em ginetes retos
quebrando espadas loucas em moinhos!

 

II

Nativo,

no arcar de espáduas
e no romper de tambores.

O silêncio conta o teu lento viver
de angústias sóbrias e ilusões sombrias.
Fábrica de avanços impetuosos
com arcar de espáduas,
ilustração discreta
do lento morrer sereno
no romper de tambores.

 

Nativo,

e as flores mortas.


III

Quando é noite, tomo-te nos braços
e te conduzo à brisa
pelo caminho tosco, até o lago.
O silêncio ressoa.


Sobre as águas mal fremidas
contemplo-te em efígie:

teu corpo é uno e fértil,

a dor da ausência súbita te fere.

 

Fluída,

reconduzes o talão e a cruz,
em esculturas submersas.
Oscilas em ritmo indeciso.
Teus olhos amam sempre, entre as mãos
que voluteiam com murmúrios.

 

Pouco a pouco, na luz escassa, tudo se difana.

Sós, na penumbra,
sobre as águas mal fremidas,

teus gestos são aves lentas e sombrias.

 

 

 

De

Lólio L. de Oliveira
Exumação. Poemas. 
Capa e ilustrações Artur Kohl.    
São Paulo:   Cortez-Pau Brasil Editores,  1981,   87 p. ilus.

 

PAISAGEM

 

O céu sem matizes

paira sobre o campo

cultivado em retângulos.

 

O sol cai

em traços sólidos

nas parábolas das colinas.

 

As emoções são rígidas.

 

O cafezal simula

um horizonte espesso

nas curvas equilibradas

das encostas.

 

Uma poesia-sempre brota nítida.

 

E da estrada de ferro

de trilhos paralelos

eu estimo o bucólico.

 

 


 

Página publicada em agosto de 2009; ampliada e republicada em fev. 2011.



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