FRED MAIA
Piauiense de Oeiras, jornalista. Poeta, letrista, intelectual que atua no cenário da alta formulação e administração das políticas públicas da cultura nacional. Nasceu no Piauí e agora vive em Brasília. Como diz Chico César, “sempre com poesia e um sorriso no lábio...”
Publicou “Um Rock por Nada” (São Paulo: Ed.Arte Pau Brasil), “eupor” (São Paulo: Ed.Nômades); “Mais que Imperfeito” (Porto Alegre: Poema Editora, 2004) e o ensaio “Plinio Marques – a crônica dos que não têm voz” (São Paulo: Ed.Boitempo), em parceria com Vinicius Pinheiro e Javier Contreras.
“Mais que Imperfeito” tem letras, tem haikai, tem poesia e até prosa. NO “Mais que Imperfeito” de todo jeito se goza.” ALICE RUIZ
“Fred Maia chegou perto da perfeição nesse “Mais que Imperfeito”. Seja na precisão dos hai-kais, nos poemas mais extensos ou nas letras de música, ele esbanja lirismo e alma. Fred é um poeta comovente. Como os bons.” ZECA BALEIRO
“A densidade poética de Fred Maia é aplicada, verso a verso, sobre a base do inconformismo estético e da economia verbal. Sua poesia investiga e investe na invenção e na reflexão, que são exigências básicas para qualquer produção de linguagem moderna. A opção pelo poema curto, filiado à tradição do Hai-Kai, imprime à poesia de Fred Maia um lirismo essencial, sem adiposidades, convocando o leitor a retirar-se da comodidade discursiva, da compulsão verborrágica, tão comuns na tradição lírica brasileira.” FELICIANO BEZERRA
barato custa caro
na tua conta sobra zero
na minha falta
*
a justiça é cega
a injustiça cega
*
um dia fará sentido
o lado bom da vida
por outro lado
tudo fará sentido
o que é bom dura pouco
diz o ditado
mas nada estará perdido
do mal restará saber
quanto foi doído
e que tudo passa
como é sabido
para quem faz da dor
antídoto
*
contra o azul
nuvens rasantes
ascendentes urubus
*
o pássaro voa do galho
a árvore vai junto
num ato falho
*
biblioteca
primeiras leituras de menina
olhos de boneca
*
algo que diga
numa música arrasa
na chuva abriga
no amor abrasa
algo que faça
o silêncio grita
a noite abranda
o dia acata
se escreve
coisas impossíveis acontecem
pernas “pra que te lero”
a voz canta boleros
o coração pira, desembesta
histórias de amor
tocam pela vida
o espírito do cantor
abrem a janela
da amada
tanto esforço
por nada
incorrigível
o poeta perdeu-se
de madrugada
(com música de Zeca Baleiro)
LIVRO ABERTO
falar de mim
nas páginas
mais secretas
— entre tuas pernas —
nas margens
dos cadernos
poesia concreta
poeta torto
pilho a gramática
mais-que-imperfeito
língua na greta
gruta que urra
minha boca na
tua boceta
Página publicada em março de 2008 |