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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




L. RAFAEL NOLLI

 

É estudante de Letras já atuando como professor. É escritor e  poeta, publicou Memórias à beira de um estopim- 2005.. Tem seis livros prontos pra lançar. É de tendência marxista. Escreve no blog: http://rafaelnolli.blogspot.com/  

 

 

Ópera-rock sobre o Cárcere de Abaetetuba

 

1 – os fatos

 

 

Tinha quinze anos e subtraíra um Rolex made

in China ou um CD by Zona Franca de Manaus.

 

Por isso fora jogada

numa cela úmida de suor e porra.

 

Uma cela ocupada por homens exemplares,

educados na arte da pederastia e da extorsão

—onde trocava um copo d’água por uma chupada.

 

Tinha quinze anos e roubara pouco mais

de uns reais, que não lhe pagavam a fome.

 

Por isso fora jogada

numa cela feita de aço, músculo, testosterona.

 

Uma cela abarrotada de orações sinceras,

de sífilis, de gonorréia

— onde trocava fiapos de colchão por tapas na cara.

 

Tinha quinze anos e roubara um pedaço de pão

ou uma carteira de couro de avestruz.

 

Por isso fora jogada

numa cela fedendo a desinfetante de menta e cu.

 

Uma cela decorada com frases de ódio

e estelares bocetas globais

— onde trocava um prato de comida por uma trepada.  

 

 

... nos ensinaram a rezar pelos céus,

mas enterramos nossos corpos no chão.

 

 

   Deixem-me, quando morto,

Apodrecer apoiado em um muro.

 

 

Deixem, que as heras irão me abraçar

Até que eu não seja coisa senão hera... 

 

 

   Não é o petróleo negro o mais valioso líquido desse

Planeta, tão pouco a água – mas, sim, o suor!

 

  Ele que se extrai do rosto e com o qual se constroem os mares onde navegarão baleias e Destroyers!

 

 

                                                              XXIV

                                                           28/05/03

 

ESPARSOS EM MAIO DE DOIS MIL E TRÊS

 

1

 

Vencendo barreiras e hímens,

Galgando distâncias e reentrâncias,

 

superando obstáculos, seios e vaginas,

plantando pênis, semeando porra:

 

o sexo de ontem faz os homens de amanhã.

 

 

2

 

Elaborando idéias e césio 137,

Construindo bases aéreas e área 51,

 

Demolindo pastos, homens e culturas,

Plantando urânio, napalm e tecidos bacteriológicos:

 

O imperialismo de ontem faz os revoltosos de amanhã.  

 

 

XXXIX

24/01/04

 

Como pode ser bom esse nosso espetáculo que se inicia com um abrir de pernas e termina com um baixar de caixão?

 

 

Página publicada em janeiro de 2008. Preparada por Cássio (Marcos) Amaral.



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