JORGE LÚCIO DE CAMPOS
Nasceu no Rio de Janeiro em 1958. Poeta e ensaísta. Professor de Estética e Teoria da Comunicação. Doutorado e Pós-Doutorado - História dos Sistemas de Pensamento - Comunicação e Cultura, UFRJ, 1996
Obra poética: Speculum (1993), A dor da linguagem (1996) e À maneira negra (1997).
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL / TEXT IN ENGLISH
O mistério de Isidore Ducasse
a Man Ray
devo-lhe a alma mais
do que a um vulto
em becos que se agitam -
às vezes tremo de prazer
na voltagem que não pára
de tornar-me o mais
infame dos enigmas; a
que devagar me rendo
pra onde quer que me
olhe - eis que me digo
e curvo sob um halo
de opalas desdentadas
O poder do burburinho
As palavras se prestam
a múltiplos fins
Cravo-as com força
na mudez do tempo
Umas, em ruínas
murmuram inaudíveis
Outras vão além e
à beira-chuva -
por brancura -
morrem comigo
Comigo morre
Antes e depois da ciência
(de À maneira negra)
Talvez esse choro perfure
meu peito e, palmo a palmo
escave o tempo e suma
enfim, em todo caso
Talvez por isso não o leve
a sério: por fazer-me
desamar o homem
crê-lo sem esperanças
Em todo caso, diante dele -
e sem mais nem menos -
os lábios ganham um
riso incurável. Não sem
antes rastrear nos olhos -
num sentido que beira
a uma surda manhã -
o mais terrível céu azul
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POEMAS
Seleção de Claudio Daniel
O FIM DA JORNADA
a Joan Brown
Um rosto bífido
irrompe em
meu torso
Não como o
que se inclina
pra esquerda
onde a tristeza
vira um meio
: estou quase
aqui e ali
os sonhos
picam
FALAR E OUVIR
O amor é assim
: um verde- mofo
incandescente que
mistura códigos
e faz da aurora
um xale negro
muito forte –
a sós
MIRAGEM
Não vejo como prever
a pele despida, funámbula
com detalhes de âncoras
e arpejos de sol
apesar seja estranho
o riso triste, pousado
nos lábios – o olhar
distante, bifurcado
encharcado
de mar
TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción de Margarito Cuéllar
El misterio de Isidore Ducasse
a Man Ray
le debo al alma más
que a un buLto
en callejones que se agitan—
a veces tiemblo de placer
en el voltaje que no para
de volverme el más
infame de los enigmas; aI
que despacio me rindo
para dondequiera que me
mire —eres que me digo
y curvo bajo un halo
de ópalos desdentados
El poder del murmullo
Las palabras se prestan
a múltiples fines
Las clavo con fuerza
en Ia mudez del tiempo
Unas, en ruinas
murmuran inaudibles
Otras van más aliá y
bajo Ia lIuvia—
por blancura—
mueren conmigo
Conmigo muere
Ia habladuría
Antes y después de la ciencia
Tal vez ese lloro perfore
mi pecho y, palmo a palmo
excave el tiempo y se vaya
en fin, en todo caso
Tal vez por eso no lo tome
en serio: por hacerme
Desamar al hombre
creerlo sin esperanzas
En todo caso, delante de el—
y sin más ni menos-—
Los labias obtienen una
risa incurable. No sin
Antes rastrear en los ojos—
en un sentido que borda
a una sorda mañana—
el más terrible cielo azul
Traducciones origalmente publicadas en ALFORJA – REVISTA DE POESIA, de México, dirigida por el poeta José Ángel Leyva. N. XIX invierno 2001, una selección hecha por Floriano Martins.
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Traducción: Leo Lobos
Publicado originalmente em http://www.letras.s5.com, e reproduzido com autorização do tradutor.
EL FINAL DE LA JORNADA
a Joan Brown
Un rostro doble
irrumpe en mi
torso
No
se inclina
a la izquierda
la tristeza
se vuelve un medio
: estoy casi
aquí y allí
los sueños
punzan
HABLAR Y ESCUCHAR
El amor es así
: una verde- burla
incandescente que
mezcla códigos
y hace de la aurora
un chal negro
muy fuerte-
a solas
ESPEJISMO
No veo como anticipar
la piel desnuda, acróbata
con detalles de anclas
y arpegios de sol
a pesar de ser extraña
la risa triste, posada
en los lábios – en la mirada
distante, doblemente
encharcada
de mar
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TEXT IN ENGLISH
The Mystery of Isidore Ducasse
To Man Ray
I owe him my soul more
than to any face
in trembling alleyways —
I come to shiver with pleasure
at he voltage the keeps on
making me the most
infamous of enigmas; to which
I slowly succumb
wherever I observe
myself – there – I say to myself
and bow beneath a halo
of toothless opals —
Fuente: HELICOPTERO, V.3-4, 2000, Eugene, Oregon, EE.UU. (Los editores
son profesores del Depto. de Lenguas Neolatinas, de la Universidad de Oregon.)
Página publicada em novembro de 2008
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