Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AUDÁLIO ALVES

AUDÁLIO ALVES

(1930-1999)

 

 

Jornalista, advogado e poeta, nasceu a 2 de junho de 1930 no município de Pesqueira, interior do Estado de Pernambuco. Concluiu o curso Clássico em Pernambuco no Colégio Diocesano. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Recife (1955), bacharelou-se em línguas Neo-Latinas pela Universidade Católica do mesmo Estado. Professor da Cadeira de

Português, no Instituto de Educação de Pernambuco, advogado militante e Assistente Jurídico do Ministério do Trabalho, ainda assim se desenvolve como poeta. Tendo publicado em 1954 "Caminhos de Silêncio" poemas;  publicou em 1958 "Olhar da sede", em 1961 "Alicerces da Solidão".); o Áspero de Uma Canção Sem Terra - Canto Agrário", "Canto Soberano", "Canto Por Enquanto".

 

Foi diretor de assuntos culturais da Fundação de Arte de Pernambuco (Fundarpe), assessor jurídico do Ministério do Trabalho e diretor do suplemento literário do Jornal do Commercio, Recife. Morreu no Recife a 08/04/1999.

 

 

CÂNTICO DUAL

 

         a Itérbio Homem

 

De Deus a mim,

nenhum segredo cabe:

 

Vivemos sempre a sós,

os dois, perenemente;

o pouco que aprendi

(da morte)

Deus o sabe.

 

O que meus dedos tocam,

agora,

Deus o sente:

Silêncio algum separa

meu canto de seu canto

que o sol nos une e abre

visão de outra visão.

 

A cor de minhas vestes

mudamos,

Deus o sabe:

A vida se consente

em Nós, presentemente,

e sendo a morte o fim

em minhas mãos não cabe.

 

                   (Alicerces da Solidão)

 

O PÁSSARO

 

         a Ladislau Porto

 

Distingue-se do vento por ter asas

e cores impossíveis para o vento:

Voando pelo ar, vem livre e lento

                   unir-se à solidão de nossas casas.

                   Mas vento é, como disfarce e voo,

                   e bojo de canções arremessado

                   em plumas pelo céu, equilibrado,

 que a vida de ser leve transformou-o.

Ou vento já não é, mas é aurora,
que uma aurora nas plumas permanece:
Pelos ventos da tarde a tarde esquece
e canta claro e leve como outrora.

Em pouco voará, cantando a esmo
a incerteza do céu e de si mesmo.

 

         (Alicerces da Solidão)

 

 

Extraídos de A NOVÍSSIMA POESIA BRASILEIRA. Seleção de Walmir Ayala.  Rio de Janeiro: 1962? (Série Cadernos Brasileiros, 2)

 

 

ITINERÁRIO ÚLTIMO

 

Ao morrer: um camponês

- numa rede em suspensão -

quatro outros vão levando

(por caminhos que não findam)

a sualva solidão.

 

Todavia, ah, todavia,

morre e morre o camponês,

vai e vem, e se oferece

no casulo de algodão.

Entre alfazema e alecrim

vai e vem

morre e more, e não tem fim

ou a morte

não tem caixão.

 

 

SONETO DE LINHAGEM

 

       A Edmir Domingues

 

Ao vestir-me de branco, ressuscito

a glória de meu pai - a de ser puro:

a sua barba aproximando os seres

como um lírio de paz ou de sossego.

 

Meu porte branco e o porte do passado

passeiam nesta tarde paralelos,

conquanto este sorriso não complete

aquele que de amor deixou meu pai.

 

Meu pai guardou-se em mim. E permanece

na alvura natural de minhas vestes

exposto ao sol, ao sono e ao desespero.

 

Em breve passaremos já cansados,

deste meu corpo ao corpo de meu filho

— ambos nele por fim ressuscitados.

 

 

 

Página publicada em fevereiro de 2009.


Voltar para o topo da página Voltar para a página de Pernambuco

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar