JORGE CARRERA ANDRADE
(1903-1978)
Talvez o mais importante poeta de sua terra no século XX, é autor de vasta obra, em que se destacam Microgramas, Rol de la Manzana, Biografía para Uso de los Pájaros, Lugar de Origen, Aquí Yace la Espuma, Hombre Planetario, Floresta de los Guacamayos e Vocación Terrena.
Textos en Español y/e Textos em Português
Tradução de José Jeronymo Rivera Y Manoel Bandeira
HOMBRE DE CUALQUIER TIERRA
Hombre de cualquier tierra o meridiano
yo te ofrezco la mano
te doy en ella el sol americano.
Te doy la brava pluma
del cóndor, la candela ágil del puma:
selva y montaña en suma.
Te doy la geografía
vasta y azul del día
concentrado en el fruto de ambrosía.
Te doy nuevo tesoro:
el pimiento y el toro
y la cúpula de oro.
Te doy volcán y rosa,
la clave de esa gente misteriosa
que en vasijas reposa.
Mi mano es de alfarero
solar, de navegante, misionero
y libre guerrillero.
Mano de constructor de un Continente
mano de techo y puente
y alfabeto de amor para la gente.
El sol americano
te lo entrego en mi mano,
hombre mundial, hermano.
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HOMEM DE QUALQUER TERRA
Homem de qualquer terra ou meridiano
a mão te estendo ufano
te dou com ela o sol americano.
Te dou a brava pluma
do condor, a candeia ágil do puma:
selva e montanha em suma.
Te dou a geografia
vasta e azul do dia
concentrado no fruto da ambrosia.
Te dou novo tesouro:
a pimenta e o touro
e a cúpula de ouro.
Te dou vulcão e rosa,
a chave dessa gente misteriosa
que em vasilhas repousa.
Minha mão é de oleiro
solar, de navegante, missioneiro
e livre guerrilheiro.
É mão de construtor de um Continente
mão de teto e corrente
e de amor alfabeto para a gente.
O sol americano
com a mão te entrego ufano,
homem mundial, meu mano.
(De Hombre Planetario)
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MORADA TERRESTRE
Habito um castelo de cartas,
Uma casa de areia, um edifício no ar,
E passo os minutos esperando
O desmoronamento do muro, a chegada do raio,
O correio celeste com a última notícia,
A sentença que voa numa vespa,
A ordem como um látego de sangue
Dispersando ao vento uma cinza de anjos.
Então perderei minha morada terrestre
E me encontrarei nu novamente.
Os peixes, os astros,
Remontarão o curso de seus céus inversos.
Tudo que é cor, pássaro ou nome,
Volverá a ser apenas um punhado de noite,
E sobre os despojos de cifras e plumas
E o corpo do amor, feito de fruta e música,
Baixará por fim, como o sonho ou a sombra,
O pó sem memória.
MORADA TERRESTRE
Tradução de Mário de Andrade
Habito um castelo de cartas,
Uma casa de areia, um edifício no ar,
E passo os minutos esperando
O desmoronamento do muro, a chegada do raio,
O correio celeste com a última notícia,
A sentença que voa numa vespa,
A ordem como um látego de sangue
Dispersando ao vento uma cinza de anjos.
Então perderei minha morada terrestre
E me encontrarei nu novamente.
Os peixes, os astros,
Remontarão o curso de seus céus inversos.
Tudo o que é cor, pássaro ou nome,
Volverá a ser apenas um punhado de noite,
E sobre os despojos de cifras e plumas
E o corpo do amor, feito de fruta e música,
Baixará por fim, como o sonho ou a sombra,
O pó sem memória.
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