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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


HIDERALDO MONTENEGRO

 

 

Nasceu na cidade de Moreno, Pernambuco, em 1957.  – É programador visual, ilustrador. Publicou dois livros de crônicas (A Eternidade do Ser e A Ponte Cósmica). Participou de vários Salões Internacionais de Humor. Publicou contos, crônicas e poesias em várias revistas, jornais e sites. Atualmente está hospedado em vários sites de literatura.

e-mail: hideraldo2007@yahoo.com.br

 

 

ESPELHO

 

Escrever com água

é permitir a fluidez das idéias

que se somam e modificam

o curso das palavras

 

Escrever com água

é matar a sede

dos que procuram contemplar-se

a si mesmos

 

Escrever com água

é se adaptar a todos os recipientes

e refletir o que todos sentem

 

 

IDENTIDADE

 

Que povo eu sou

que senta comigo no sofá

e que assiste a TV embasbacado?

 

Que povo eu sou

se não sou um

mas muitos nós?

 

Que povo eu sou

que vai à missa

e pede perdão e pede clemência

e salvação pelos erros

que cometem conosco comigo?

 

Que povo eu sou

incompleto e perdido?

Que povo eu sou

que vivo olhando

para o meu próprio umbigo

e não me encontro em mim

mesmo nos outros eus?

 

Que povo eu sou

se não sou eu?

 

 

INSPIRAÇÃO

 

A poesia só acontece

quando me deixo

quando me deito

quando me vejo

quando me mexo

 

 

POEMA

 

A poesia é rima,

palavra e esgrima?

A poesia é artifício,

metro e vício?

A poesia é construção,

arquitetura sem paixão?

A poesia é luxo acadêmico,

que evita da pele o endêmico?

A poesia é esqueleto, carne, corpo

ou idéia, mente que sustenta o dorso?

 

 

O POMBO

 

Um homem sentado numa praça

de Curitiba, São Paulo, Recife, Londres...

 

Aquele homem é o mesmo

em todas as praças do mundo?

 

Um homem pousa num banco

e seus pensamentos voam igualmente

como o pensamento de todos os homens

sentados numa praça qualquer

 

Eis um homem pousado voando

pelo mundo

 

Esse homem é um pombo

Esse homem é a paz

 

Será por isso que existem praças

para os homens pousarem

e soltarem as suas asas?

 

 

VIAGEM

 

Esse sangue

esse poço

essa vontade

de me erguer

verticalmente

até o topo

de minha cabeça

definem o meu tamanho

dentro de mim

 

 

CRESCIMENTO

 

Viajo na perspectiva

—As coisas se fecham e se abrem

atrás e à minha frente

 

Viajo

de táxi, ônibus, navio, trem ou metrô

e tudo não passa

de uma viagem interior

 

 

SINAIS

 

Essa alma inscrita no tempo

marca um espaço temporário

paradoxalmente eterno




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