POESIA PERNAMBUCANA
Coordenação de Lourdes Sarmento
TERÊSA TENÓRIO
Francisca Terêsa Tenório de Albuquerque nasceu em Recife, Pernambuco, nordeste do Brasil, em 1949. Poeta e contista, estudou Direito e Belas Artes. Participa do conselho editorial da revista “Encontro”.
Obra poética: Fábula do Abismo, 1999; Poemaceso, 1985; Mandala, 1980; Noturno selvagem, 1981; O Círculo e a pirâmide, 1976; Parábola, 1970.
Terêsa Tenório é uma das poetas de Pernambuco que se tem convertido em coluna da geração de 1965. Através da sua palavra poética, transitamos por imagens, símbolos e horizontes imaginários, repletos de beleza. Em “Corpo da Terra”, de cujo prólogo é autor Fábio Lucas, Teresa Tenório realiza a sua liturgia poética, regulada por uma atmosfera em que convivem o amor e a intimidade do vivido e o observado. A poesia de Teresa Tenório sulca o caminho de iniciação na reflexão e o diálogo. É uma criadora que nos surpreende com a sua habilidade expressiva e com a força do equilíbrio que emana dos seus poemas amorosos e cósmicos. Xosé Lois García
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
Extraídos de
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. y traducción de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Edición Loiovento, 2001.
CORPO DA TERRA
Pela janela o verde
nos revela
o coração da mata acesa
o úmido
veio das aromáticas
resinas
dentre nossas raízes
enlaçadas
a destilar a essência
do teu hálito
em mim
corpo da terra
desvelado
NÃO OS QUERÍAMOS SAGRADOS
A Aluizio Barro de Carvalho
e Telma Nóbrega Tenório de Albuquerque
Não os queríamos sagrados nos ritos da sombra
Peregrinos do silêncio
como saber se lembrarão o vôo dos pássaros
a textura da rosa
os insondáveis caminhos?
A obsidiana revolve a terra
em busca do coração da argila
e seus dolorosos anéis
mais o selo de sangue puríssimo
Não os queríamos no Além
os anjos pairando sobre as luminosas cabeças
as mãos em cruz
sentados à direita
do oráculo
mortos
Corpo da Terra, 1994
VIRTUAL
No epicentro das ondas invisíveis
edifiquei mandalas para os celtas
habitantes dos últimos milênios
guelras de peixes e barbatanas retas
Onde o mar arrastara nossas redes
para morder-nos tênues fios de espera
o fluir das espumas retalhou
os tecidos da carne contra as pedras
nos módulos lunares dissolvi
toda a sombra da superfície líquida
seus cardumes de tubarões-martelo
entre indormidos teoremas míticos
arremessei ao lume destes versos
nossa imagem virtual de estranhos ritos
TRÍPODES
Queimados os corações
no sacrifício dos remos
sobre a pedra dos oráculos
reedificamos o templo
Marujos noutro avatar
fomos mortos ao relento
entre carvalhos e trípodes
no temor ao deus sangrento
No corolário da lenda
filha dos quatro elementos
fertilizamos a terra
na fenda ao sul do oriente
ao fim do embate mortal
a seiva do sol no zênite
Fábula do Abismo, 1999
TEXTOS EN ESPAÑOL
Extraídos de
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. y traducción de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Edición Loiovento, 2001.
CUERPO DE TIERRA
Por la ventana el verde
nos revela
el corazón del bosque encendido
la humedad
vino de las aromáticas
resinas
de entre nuestras raíces
enlazadas
destilando la esencia
de tu aliento
em mí
cuerpo de la tierra
desvelado
NO LOS QUERÍAMOS SAGRADOS
A Aluizio Barro de Carvalho
e Telma Nóbrega Tenório de Albuquerque
No los queríamos sagrados en los ritos de la sombra
Peregrinos del silencio
¿Cómo saber si recordarán el vuelo de los pájaros
la textura de la rosa
los insondables caminos?
La obsidiana rebusca la tierra
buscando el corazón de arcilla
y sus dolorosos anillos
más com sello de sangre purísima
No los queríamos en el más Allá
los ángeles planeando sobre las luminosas cabezas
las manos en cruz
sentados a la derecha
del oráculo
muertos
Corpo da Terra, 1994
VIRTUAL
En el epicentro de las olas invisibles
edifique mandalas para los celtas
los habitantes de los últimos milênios
bronquios de pecesy barbatanas rectas
Donde el mar arrastra nuestras redes
para picar en los tenues hilos de espera
los tejidos de la carne contra las piedras
En los módulos lunares disolví
toda la sombra de la superfície líquida
sus bancos de tiburones martillo
entre indormido teoremas míticos
lance al fuego de estos versos
nuestra imagen virtual de extraños ritos
TRÍPODES
Quemados los corazones
en el sacrificio de los remos
sobre la piedra de los oráculos
reedificamos el templo
Marineros en otro avatar
fuimos muertos al ralente
entre robles y trípodes
em temor al dios sangriento
En el corolario de la leyenda
hija de los cuatro elementos
fertilizamos la tierra
en la grieta al sur de oriente
al final del choque mortal
la savia del sol em el cénit
Fábula do Abismo, 1999
Página publicada em janeiro de 2008. |