Fuente: www.laprensa.com.ni
ERNESTO MEJÍA SÁNCHEZ
(1923-1985)
Escritor y poeta nicaragüense. Profesor de la Universidad Autónoma de México, pertenece, junto con otros poetas como Cuadra, Cardenal y otros, al grupo nicaragüense del 40. En 1980 publicó una selección de su obra poética, Recolección a mediodía. Es autor también de estudios literarios y ediciones de Rubén Darío, Amado Nervo, Alfonso Reyes, etc.
Fuente: www.biografiasyvidas.com
O AMOR
Tradução de Solon Borges do Reis
Eu dizia: a fonte; eu dizia: as águas.
Invoquei à sua amizade a necessária imagem.
Creram dar-me gosto e se fizeram espelho.
Por isso com a mão levantei sua cortina,
Invisível, impalpável, olhos para trás
e para dentro, já na parede ouvindo,
ouvia ecos distantes, desconhecidas palavras.
Também, e em seu fundo, me enganava o espelho.
Por isso eu dizia: é preciso quebrá-lo. Dia a dia,
um a um, depois do asseio corporal,
eu os quebrava, mas, ó! fragmentos!
se multiplicavam, aí estava o espelho,
em cada um, e me enganava.
Eu dizia: a lua, as estrelas, a noite
grande. Repetia entusiasmado estas palavras;
magicamente repetia seus nomes para obter;
ainda que com os lábios, um espelho melhor
que não enganasse.
Pronunciei uma palavra, uma só palavra:
Amor. Aí estava o espelho, já perfeito então,
inapagável, não em superfície lisa
nem em dimensão casual como no banho,
mas de corpo inteiro, de corpo com espaço
igual ao meu, contemporâneo exato de minha origem;
narciso diferente nascia em minhas costas,
nascendo de mim mesmo, já infalível
porque em opostas águas
me repetia e contemplava.
Publicado em novembro de 2007.
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