ORLANDO ANTUNES BATISTA
Nascido em Rancharia, Estado de São Paulo, em 1947. Professor universitário aposentado, escritor, poeta e compositor, reside na cidade de Três Lagoas (MS).
Doutor em Letras pela USP. Livre-Docente em Teoria Literária. Lecionou em várias universidade, entre elas a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1975/85), e a Universidade Federal de Goiás. Reside na cidade de Três Lagoas (MS).
Concorreu e foi eleito - em 16 de maio de 2006 - para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Cadeira nº 12).
Sitio web do autor: http://www.members.tripod.com/~orlandoab/
PROFISSÃO DE FEL
Vim ao mundo pelo desagrado
Cumprir meu destino n´ocaso,
Viver um aspecto dum verbo
Fazendo melancolia no signo.
O fim imitando o princípio
O acaso unido os precipícios.
Rodas de fogo levando omeu
O ocidente ao longínquo oriente.
Uma ária símile do século XX
No lápis se fazendo de espinha
No duplo movimento de um x.
Vivendo entre aros dourados
Querendo o além da esquina
No meu belo opus intestino.
INFORTÚNIO
Meu nome tem duas rodas
que uso qual coturnos
marchando nos silêncios do papel
Dois sóis soturnos
orlando meu tempo infinito de gerúndios.
Na cabeça a peneira me fazendo de chinês
um anel entre as mãos
numa simetria de planetas
De resumo um ar lindo
Pairando no meu tempo de engrulhos.
ENSAIO
Há em tudo um mistério.
Um meandro, uma cabala.
Um sinal de mito no muro.
Quero ser um siriemo
fora dos ermos dos pantanais.
Levo do pântano muita música
a reboque. Quem quiser que
me toque. Eu fiz lira do
meu bodoque.
DEVOÇÃO
Nossa Senhora do Pantanal,
sei que tu não existes!
Pura ficção minha,
Dai-me um patamar.
Mesmo que a música eu perca
no tempo incerto destas
entropias!
Neste planalto te peço:
senhora minha do meu mal,
ajudai-me,já que a esperança
não é tão longa quanto
pronunciar o nome estúrdio
de Aquidauana!
MITO MATOGROSSÊS
Comi cabeça de
pacu e não saio
mais do reino
da poesia.
BIOGRAFIA
Nasci no estio da menopausa.
O destino se abriu qual veio.
Não tinha o azul do seu.
Era escuro qual um breu.
Levei pisa.
Só não fiquei inclinado.
Da infância carrego a Rua Padre Paulo
feito pedra dando pulo.
Órfão. De felicidade partida ao meio,
se pudesse, fazia de todo um bis.
Se não posso, armo numa metátese
a poesia de meu nome e vou rolando.
Procuro-o! Não sei onde vai o opus.
Cheio de melancolia, no azedo da bílis
me lanço ao mundo, sonhando um ex-libris.
Poemas extraídos do livro MAGNÓPIO. Rio de Janeiro
Página publicada em janeiro de 2008. |