DONZILIO LUIZ DE OLIVEIRA
De
ROSÁRIO DE TROVAS
Brasília: Academia Ceilandense de Letras, 2009
ISBN 978-85-61326-10-4
0 poeta pinta e borda
Num potencial enorme
Dormindo sem sonho, acorda,
Sonhando acordado, dorme.
Cada vez que, de aguardente,
A gente ingerir um porre
É um pedaço da gente
Que ao lado dele morre.
Na hora de plantar temos
0 direito de escolher,
Mas o mesmo não faremos
No momento de colher.
Assim como gotas d'água
Que acabam enchendo o pote,
Parei de receber mágoa
Não tenho mais onde bote.
Quando vir que minhas mãos
Não servem mais pro trabalho
Procurarei meus irmãos
E das mãos deles me valho.
Ouvi algo que dizia:
SOS. Estou no fim
Quando vi era a poesia
Pedindo socorro a mim.
*
O erro ao homem domina,
Até a justiça erra.
Não a justiça divina,
Mas a justiça da terra.
Tanto réu, quanto juiz,
Erram sem necessidade:
O juiz foi infeliz,
O réu errou por maldade.
Precisamos aprender
A perdoar os irmãos
Não podemos é fazer
Justiça com as próprias mãos.
Quem o alheio cobiça
Só não sabe o quanto custa
Porque a própria justiça
No julgamento é injusta.
Justiça no céu e na terra
Nas duas, o que desperta
É que a de lá nunca erra
E a de cá pouco acerta.
Há erro de ponta a ponta
Entre justiça e jurados:
Não vejo quem faça a conta
Dos que são injustiçados.
Página publicada em setembro de 2009
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