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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

CASSIANO RICARDO

(1895-1974)

 

 

Nasceu em São José dos Campos, formado em Direito, foi um dos líderes do Modernismo , iniciado em 1922, tendo participado dos grupos “Verde-Amarelo” e “Anta”. Estréia em 1915, com o livro Dentro da Noite, de cunho sentimental, passou pelo parnasianismo com A Frauta de Pã  e define-se como modernista e nacionalista, a partir de 1925, com Vamos caçar papagaios, Borrões de Verde e Amarelo.

Sua obra mais notável é Martim Cererê, dentre muitas outras, cabendo destacar O Arranhacéu de Vidro (1956) e o notável Jeremias sem chorar (1965). Versátil, criativo, lírico e satírico, crítico e memorialista, valeu-se de uma técnica sempre ousada e renovada, às vezes desconcertante mas sempre fascinante. Traduzido para muitos idiomas mas sempre para a leitura dos iniciados.

 

                                                           *   *   * 

 

Nació en São José dos Campos (São Paulo) el 26 de julio de 1895. Licenciado en Derecho. Aunque sus primeros versos fueron de carácter parnasiano simbolista, no tardó en unirse al modernismo, formando parte del grupo «Anta», al que también pertenecieron Menotti deI Picchia y Raul Bopp. Ha trabajado con los grupos vanguardistas de la poesia concreta y de la poesia praxis. Pertenecio a la Academia Brasileña de Letras.

 

-Poesia: Dentro da Noite (1915), A Frauta de Pã (1917), Vamos caçar Papagaios (1926), Martim Cererê (1928), O Sangue das Horas (1940), Um Dia depois do Outro (1947), A Face perdida (1950), Poemas Murais (1950), 25 Sonetos (1952), João Torto e a Fábula (1956), O Arranhacéu de Vidro (1956), Montanha Russa (1960), A Dificil Manhã (1960), Jeremias sem chorar (1964)

 

. Ensayo: O Brasil no Original (1936), O Negro na Bandeira (1938), A Academia e a Poesia Moderna (1939), Pedro Luís visto pelos Modernos (1939), O Homem Cordial (1959), 22 e a Poesia de Hoje (1962), Algumas Reflexões sobre Poética de Vanguarda (1964).

Veja POEMA VISUAL DE
 CASSIANO RICARDO

 

TEXTOS EN PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

Fuga em azul menor

 

O meu rosto de terra

ficará aqui mesmo

no mar ou no horizonte.

Ficará defronte

à casa onde morei.

Mas o meu rosto azul,

O meu rosto de viagem,

esse, irá pra onde irei.

 

Todo o mundo físico

que gorjeia lá fora

não me procure agora.

Embarquei numa nuvem

por um vão de janela

dos meus cinco sentidos.

E que adianta a alegria

dizer que estou presente

com o meu rosto de terra

se não estou em casa?

 

Inútil insistência.

Cortei em mim a cauda

das formas e das cores.

(A abstração é uma forma

de se inventar a ausência)

e estou longe de mim

nesta viagem abstrata

sem horizonte e fim.

 

Um dia voltarei

qual pássaro marítimo,

numa tarde bem mansa

à hora do sol posto.

Então, loura criança,

Ouvirás o meu ritmo

e me perguntarás:

quem és tu, pobre ser?

Mas, eu vim de tão longe

e tão azul de rosto

que não me podes ver.

 

A graça de quem mora

no país da ausência

certo consiste nisto:

ficar azul de rosto

pra não poder ser visto.

 

 

OUTRO EPIGRAMA

 

Se perdi a inocência

para ganhar o pão de cada dia,

com o suor do próprio rosto

lamento apenas tenha sido tão escassa

a inocência de que eu era servido.

 

Para que tão facilmente eu a houvesse perdido

e o pão de cada dia, em conseqüência,

me seja, agora, uma simples migalha.

 

Por que não foi maior minha inocência?

 

 

Queixa antiga

 

É uma dor que me dói muito longe...

Dor antiga, separada do corpo.

 

É uma dor que me dói não sei onde,

meio física, metade celeste.

 

Um tanto minha, outro tanto da terra.

 

Veja o galho cortado a uma fronde

e que ainda dá flores sentidas

e que assim à sua árvore responde.

 

Seu futuro parece o meu passado:

minhas longas raízes ficaram

no chão duro de onde fui arrancado.

 

(No chão duro onde arroios felizes

ainda cantam pelos vãos do passado)

 

 

segundo exercício de esperança ao ar livre

 

Coisas que espero:

pra satisfazer o que há em mim de criança

- ver a mãe de ouro.

Pra resolver uma pendência poética, já antiga,

- ouvir o sabiá cantar, mas na palmeira.

Pra convencer-me de minha humildade,

- ser recebido pelo Papa.

Pra verificar se o governo cumpre o que promete,

- fazer do “Diário Oficial” o meu poema.

Pra ter certeza de que os outros se consideram felizes,

- sentir que já posso ser alegre sem remorso;

Sem que a alegria da véspera se transforme

em tristeza do dia seguinte.

 

Mas, o que mais espero – e isto acima de todas as coisas –

é assistir ao sermão da Planície

em que Cristo dirá verdades que não disse

no na Montanha.

 

 

 OUTROS POEMAS

extraidos de

POESIAS COMPLETAS
Rio de Janeiro: José Olimpío, 1957

INSCRIÇÃO

A vida me foi sempre
dúplice, angulosa.

É cordial quando nega
e escassa quando dá.

Pois escreveu meu nome
sobre uma onda cega.

E quando tenho fome
me oferece uma rosa...

Palavras.  São as penas
do meu pássaro lírico.


A CANÇÃO MAIS RECENTE

O poeta
com a sua lanterna
mágica está sempre
no começo das coisas.
É como a água, eterna-
mente matutina.

Pouco importa a noite
lhe ponha a pena
do silêncio na asa.
Ele tem a manhã
em tudo quanto faça.
Além disso o amanhã
nunca deixará de ter passa-
ros.


O ESCAFANDRO

I

No fundo do oceano
estava a lágrima
que devia ser
chorada por mim.  À espera
de quem viesse usá-la,
um dia, ou dos olhos
(que, hoje, são os meus)

que a chorassem, devida-
mente.  Como se chora,
uma só vez, na vida.

A lágrima ali ficou,
intacta, no salso
labirinto, onde ninguém
chora, porque ali o pranto
é falso.  Onde os polvos,
os tristes cefalópodes,
não choram.  Onde
as sereias, nascidas
pra não chorar, não choram.

Onde os próprios marujos
não choram.  Onde os peixes
não choram, e ninguém
iria, então, chorá-la,
tão supérflua é uma gota
de mágoa ao fundo d´água.

E a lágrima passou
entre alvos caramujos,
entre navios mortos,
entre detritos sujos,
entre esponjas por cujos
orifícios entrou
e saiu, muitas vezes,
quieta, obscura, sozinha.
para, afinal, ser minha.

II

Lá fora,
a multidão, a onda
cega, o cavalo líquido
e Glauco
em que, sem nenhum
esforço, Deus navega,
originalmente.
Ali dentro, a lágrima.
Quieta, obscura, sozinha
na unanimidade
espessa da água azu-
marinha.


QUADRO ANTIGO

Por certo que amo as coisas, os objetos,
que me acompanham, neste fim de viagem.
São elas, coisas, minhas cúmplices, à hora
em que, ó lua, me contas teus segredos.

São eles, os objetos, os meus símbolos,
para uma última fotomontagem.
Mas, como são — coisas e objetos — tristes,
por já não serem mais os meus brinquedos.

Em vão o calor físico os dilata.
Em vão meu pensamento lhes dilui
o acre contorno, em proustiana sondagem.

Só, contra o sol, a sombra deles flui!
no chão, na mesa, ou — colorida imagem —
no cristal onde nunca sou quem fui.


 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducción de Ángel Crespo

 

SONETO DEL AUSENTE

 

No es posible que en la furtiva claridad

que te visita sin estrella ni luna

no percibas el reflejo de la lámpara

con que te busco por las calles de noche.

 

No es posible que cuando lloras no veas

que una de tus lágrimas es mía.

No es posible que con tu cuerpo de agua joven

no adivines toda mi sed.

 

No es posible no sientas que la rosa

deshojada a tus pies hace sólo un minuto,

fue tirada por mi con la mano del viento.

 

No es posible que tú ignores que el pájaro

que entró por la ventana y ha caído en tu cuarto

era un recado de mi pensamiento.

 

         (De Um dia depois do outro, 1947.)

 

 

LA ORQUlDEA

 

La orquídea parece

una flor viva, una

Boca, y nos asusta.

Flor aracnídea.

 

Vagamente humana,

boca, bien que hecha

de inocentes pétalos,

ya induce perfidia.

 

Ya implica palabra,

bien que sea muda.

Ya supone insidia.

 

¿Qué cstarão diciendo

labios casi humanos,

labios de la orquídea?

 

         (De Um dia depois do outro.)

 

 

EM EL CIRCO

 

Entre el Este y el Oeste

entre Dios y el Demonio

entre el ser y el no ser

entre el alguien y el nadie

entre la hora

del corazón y del estómago,

voy por la cuerda, de brazos

abierto,

en cada mano un plato

de la balanza.

 

En el uno el dolor, en otro la balanza.

 

         (De Um dia depois doe outro.)

 

 

 LA PIEDRA QUE LLORA

 

El caminante se pregunta:

piedra, tú ¿por qué lloras tanto

si eres una cosa difunta

rígida y no capaz de llanto?

 

Intranquilas, las mariposas

danzan, pasan, se van ahora.

Azules, blancas, negras, rosas ...

Y queda la piedra que Hora.

 

Un extraño gesto de loca

hoy le arruga y tuerce la cara

y el musgo le tapó la boca

para que ella no gritara.

 

Dicen que el dolor petrifica

las palabras en la garganta.

Pero como nadie la explica

ella se está quedando santa.

 

¿Habrá caído de la luna?

¿Venido de Jerusalén?

¿Será tal vez piedra de una

calle en que vivía mi bien?

 

Que resuma no habiendo nada

el dolor que en su cuerpo medra,

pensé en una imagen sagrada,

una Nuestra Señora de piedra.

 

Tú, que tienes el rostro duro,

¿por qué no te me vas ahora

para todo tu dolor futuro

a ver esa piedra que llora?

 

         (De Um dia depois do outro.)

 

 

FRISO EM BAJO RELIEVE

 

          I

Alguien que pasó por aquí

dejó su torso desnudo

caído dentro del espejo.

 

Alguien, que estuvo en mi cuarto,

dejó un olor de azucena

en los muebles y los objetos.

 

Alguien, que se fue deprisa,

dejó huellas de zapatos

en la arena de la playa.

 

La noche estuvo en mi cuerpo

y dejó —recuerdo de algo—

luz de luna en mi cabeza.

 

La mañana —aún caliente—

llena de saudade física,

dejóme orvallo en los ojos ...

 

            II

No obstante, me quedé solo.

Solo. Una palabra escrita

en el polvo.

 

         (De Poemas Murais.)

 

 

NOCHE DE LLUVIA

 

            I

¿Quién habrá sido el hombre

que cayó y en la mano,

muerto, conserva aún,

todavía encendida,

una nocturna rosa de oro?

Vendrán los técnicos, y todos

habrán de examinar su rostro,

la posición en que cayó,

la sal, o no, en sus lágrimas.

Y verán que él, el muerto,

quiso avisar a alguien,

tal vez a algún piloto, o maquinista,

con la rosa de oro, erguida

en el aire, a la hora del peligro.

Una nocturna rosa de oro

con que evitó—;  ¿quién sabe?—

que a nuestros pies cayese el pájaro

de metal, pico en hélice,

chorreando sangre, o máquina

en combustión de estrella.

Después dirán los técnicos,

con mayor claridad, al ser de día,

que ya no es una rosa,

cual suponían, sino sólo

de oro una pobre llama.

Por fin verán los técnicos

(levantarán un acta exacta)

que ni oro era la llama; oro

tal cual se lee en el diccionario,

sino el cristal de una linterna.

 

            II

Al paso que los héroes necesitan

clarines y tambores.

 

         (De Poemas Murais.)

 

 

LA FISICA DEL SUSTO

 

El espejo cayó de la pared.

 

Cayó con él mi rostro.

 

Con mi rostro, mi sed.

 

Con mi sed, mi fastidio.

 

Mi fastidio de contemplar

mi rostro en el espejo ya caído.

 

         (De Montanha Russa.)

 

 



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