Trina Quiñones: Nació en Venezuela (1950). Abogada, poeta, traductora. Ha publicado 6 poemarios traducidos al inglés, portugués y ruso; entre ellos, Mutación (o de cómo la cautiva escapó del espejo), Nairobi 1991; Fugitiva, Thesaurus, Brasilia, 1993; Nómada de lo invisible, Globus, Moscú 2000. Sus poemas han sido publicados en Papeles Literarios, Revistas Académicas y de poesía en España, México, Brasil y la Federación Rusa. Obtuvo Mención de Honor en el Concurso Nacional de Poesía “Das ediçoes de Minas, Cartao Alegoria, Brasil, 1994. Es Miembro Correspondiente de la Academia de Literatura de Moscú y Representante de América Latina para el Idioma Español. Actualmente vive en Caracas.
TRINA QUIÑONES é poeta venezuelana do mundo, inquieta e exigente, fazendo registros literários que revelam uma sensibilidade refinada.
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Seus vários livros de poesia foram escritos e publicados pelas estações de sua vida errante pelo Quênia, Brasil e pela Rússia. Ilustra a presente homenagem a capa de seu livro Ejercicios de Amor , edição bilíngüe espanhol-russo, publicada em Moscou, em 1999, de onde extraímos a foto da escritora.
O poema Insônia Urbana (inédito) foi escrito em seu retorno a Caracas e dedicado ao seu "mestre e amigo"- o poeta Anderson Braga Horta. |
A seguir a tradução do poema "Insônia Urbana ", seguida do original em espanhol "Insominia Urbana":
Convidada oficial da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, participa da antologia POEMÁRIO da I BIP.
TEXTO EM PORTUGUÊS e/y TEXTO EN ESPAÑOL
Tradução de Antonio Miranda e Anderson Braga Horta
El futuro ha llegado
y nunca pudimos sospechar
lo que sus alas arrastraban.
Muchachos desocupados
patean latas vacías
en la negritud del callejón.
La mujer espera ansiosa
la llegada del marido
que no llega y, entonces,
oye a Bebo y Cigala.
Acuesta a la hija
para siempre menor
y la convence de que
el mundo es mejor
y que los sueños existen.
Y duerme, la menor.
Caracas, 19-12-06
O futuro já chegou
e jamais pudemos suspeitar
do que suas asas arrastavam.
Rapazes desocupados
pateiam latas vazias
na escuridão do beco.
A mulher espera ansiosa
a chegada do marido
que não chega e, depois,
ouve a Bebo y Cigala.
Adormece a filha
para sempre menor
e a convence de que
o mundo é melhor
e que os sonhos existem.
E a menor, dorme.
Caracas, 19-12-06
Por Trina Quiñones (Venezuela)
Dedicado ao poeta Anderson Braga Horta
1
A casa acabou ficando completamente seca.
2
Seguem-me os edifícios e o asfalto. Meço agressividades com motoristas dos últimos modelos. Os portadores de celulares lançamo-nos olhares oblíquos. Sou a derradeira habitante.
3
A noite nega-se a dormir. Os da rua defecam nas calçadas e dão os últimos retoques em suas instalações de caixas desarmadas de papelão. Garrafas vazias de cerveja de cor marrom.
4
Sou uma pessoa que sai à rua sozinha, mal vestida, sem dinheiro, olhando pro chão, buscando o outro o meu ou o nosso.
Não freqüento reuniões sociais não recebo nem sou convidada escrevo montes de poemas que os conterrâneos não lêem. Eu venho de outras paragens.
5
Os habitantes do asfalto desfilam luxuosamente despidos. Seus adornos denunciam desagradáveis fantasmas solitários.
6
As mulheres deixaram suas tribos e estão jogadas com os filhos pelas calçadas. Infelizes dormindo sugando um seio vazio.
Quem os despejou na imundície da urbe?
7
Agora o metrô é de todos. O informalismo avança pelas bocas que exalam um bafo marginal sobre os usuários. Os vagões nos refrescam do exasperante murmúrio dos "rumores".
Torsos nus, piercings a granel, decotes indecorosos, casais satisfeitos, crianças barrocas, adolescentes de saltos altos, matronas de bocas e unhas decoradas, estudantes em farra, pequenos escolares independentes, pernas mutiladas ou em chagas, bulas de remédios importados, coletas para cirurgias e enterros, mães transtornadas, vendedores de chocolate e lapiseiras, executivos engomados, jovens arredondadas pelo silicone.
8
Vejo rostos envelhecidos tarefas claudicantes. Miríades arrastam seus sapatos velhos.
Caretas se precipitam no Seguro Social.
9
Faz um silêncio exagerado e o caos bate à minha porta. Começo a divagar por ruas e praças. Uma bruma envolve os edifícios e o meu cérebro mesmo. Minha boca conversa desatada e o Mensageiro me presta atenção. Sim. Parece compreender sua missão.
10
Da cama vejo como subo pelo teto e vejo este rito que instalou-se em mim, como me procuro nos próprios livros e em pensamentos adequados.
Algumas idéias saem de minha cabeça e flutuam pela habitação.
Caracas, 22-9-02
Por TRINA QUIÑONES (Venezuela)
Dedicado al poeta Anderson Braga Horta
1
La habitación se há quedado completamente seca.
2
Me acompañan los edificios y el asfalto. Mido agresividades con conductores de últimos modelos. Los portadores de celulares nos lanzamos miradas oblicuas. Soy la última habitante.
3
La noche no quiere dormirse. Los de la calle defecan en las aceras y le dan la última pincelada a sus instalaciones de desarmadas cajas de cartón. Vacías botellas de cervezas de color marrón.
4
Soy una persona que se lanza a la calle sola, mal vestida, sin dinero, mirando al piso, buscando lo otro o lo mío o lo nuestro.
No asisto a reuniones sociales ni invito ni soy invitada escribo montañas de poemas que los connacionales no leen. Yo vengo de otras fronteras.
5
Los habitantes del concreto se deslizan lujosamente desvestidos. Sus atavíos gritan deleznables fantasmas solos.
6
Las mujeres dejaron sus tribus y con los hijos yacen en las aceras. Infelices adormecidos colgados de un seno vacío.
¿Quién los insertó en la mugre de la urbe?
7
Ahora el Metro es de todos. El informalismo se trepa por sus bocas que arrojan un vaho marginal sobre los usuarios. Los vagones nos refrescan del agobiante murmullo de los "rumores".
Torsos al aire, piercings a granel, escotes abusivos, parejas complacidas, niños barrocos, pre-púberes de tacones altos, matronas de bocas y uñas decoradas, estudiantes en juerga, pequeños escolares independientes, piernas mutiladas o llagosas, récipets de medicinas importadas, colectas para operaciones o entierros, madres desquiciadas, vendedores de chocolates y bolígrafos, ejecutivos engominados, jóvenes redondeadas de silicón.
8
Veo rostros envejecidos tareas claudicadas.
Miríades arrastran sus zapatos viejos.
Las muecas se agolpan en el Seguro Social.
9
Hace demasiado silencio y el caos acecha a mi puerta. Comienzo a divagar por calles y plazas. Una bruma envuelve a los edificios y al cerebro mismo. Mi boca conversa desatada y el Mensajero me presta oídos. Si. Parece comprender su misión.
10
Desde mi cama veo cómo me trepo por el techo y miro este rictus que en mí se há instalado, como me busco en mis propios libros y en pensamientos adecuados.
Algunas ideas salen de mi cabeza y flotan por la habitación.
Caracas, 22-9-02 |