ILDÁSIO TAVARES
Nasce na fazenda de São Carlos, na região de Grapiúna da Bahia. Estudou direito mas se licenciou em Letras pela Universidade Federal de Bahia. Publicou artigos de filosofia, contos e realizou numerosas traduções. Realizou estudos universitários em língua inglesa. Doutorou-se pela UFBA em Literatura Portuguesa.
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
TUA DUNA
arqueio de mel
sobre o branco
coaduna
este ardor que me brota
no flanco
que provoca em meu corpo o arranco—
o vibrar do pincel
nesta tela de mel,
caracol de papel
(lá no fundo o anel)
mar e céu.
Tua duna.
Luz Oblíqua (1982-1988)
ESTAMOS
não somos,
estamos;
tumulto-cogumelo
à beira-sol,
rasgo de espanto,
meta,
desespero—
estamos
não cumprimos,
não amamos,
não criamos.
Ditado (1973)
TERCETOS
O desejo continua
no seio de outro desejo
um é o outro; o outro é um.
No seio de outro desejo
o desejo se conforma—
tigre é presa; presa é tigre.
Meu desejo permanece
no seio do teu desejo—
eu sou tu; e tu és eu.
Pelo gume do desejo
é que somos e não somos—
sonho de tudo em um nada.
FB BRASIL 88
Natal, nas ruas calor.
nos lares despedaçados,
uma frieza sem cor
congela doces passados.
Coração sai pelo mundo.
Como ser só é verdade!
Em mim mesmo me redundo:
de nada serve a saudade.
E como atrai e fascina
o presente que não sei,
visto detrás da vitrina
da loja em que não entrei.
Breviário (1988-1995)
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TEXTOS EN ESPAÑOL
Extraídos de la
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. y traducción de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Ediciones Laiovento, 2001
(con la autorización del traductor)
TU DUNA
arqueo de miel
sobre lo blanco
coaduna
este ardor que me brota
em el flanco
que provoca en mi cuerpo el arranque
el vibrar del pincel
em esta tela de miel,
caracol de papel
(allá en el fondo el anillo)
mar y cielo.
Tu duna.
Luz Oblíqua (1982-1988)
ESTAMOS
no somos,
estamos;
tumulto-hongo
a la orilla del sol,
rasgo de espanto,
meta,
desespero—
estamos
no cumplimos,
no amamos,
no criamos.
Ditado (1973)
TERCETOS
El deseo continua
en el seno de otro deseo
uno es el otro, el otro es uno.
En el seno de otro deseo
el deseo se conforma
tigre es presa; presa es tigre.
Mi deseo permanece
en el seno de tu deseo
yo soy tu; tu eres yo.
Por el filo del deseo
es por lo que somos y no somos
sueño de todo en un nada.
FP BRASIL 88
Navidad, en las calles calor.
En los hogares destrozados,
una frialdad sin color
congela dulces pasados.
Corazón sal al mundo.
!cómo ser solo es verdad!
En mí midmo me redundo:
de nada sirve la nostalgia.
Y como atrae y fascina
el presente que no sé,
visto detrás de la vitrina
de la tienda en que no entré.
Breviário (1988-1995)
Página publicada em dezembro de 2007
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