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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA

 



MARIA ABADIA SILVA

 

 

Nasceu em Itaberaí (GO). Fez Direito na UFF, no Rio de Janeiro. Ganhou o Prêmio Bolsa Hugo de Carvalho Ramos, em 1980, com o livro Espaços; o Prêmio José Décio Filho, em 1987, com Cabeça Cauda, ambos de poesia. Em 2008, num programa de incentivo cultural do Estado de Goiás, publica Desamarrio, que é um longo poema amoroso, em diversos fragmentos. Ex-Secretária de Cultura do Estado de Góiás e de Goiânia, fez especialização em Pintura Espontânea, com Susan Bello, em Psicologia Junguiana, DF, Cosmodrama, com Pierre Weil, facilitadora do Avipaz, coordena a Unipaz Goiás. Foi assessora do PSDB na Câmara dos Deputados, em Brasília.

 

 

 

SILVA, Maria AbadiaDesarramio.  Goiânia: Editora da UCG, 2007.  78 p.  (Coleção: Goiânia em prosa e verso)  “ Maria Abadia Silva “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

as sombras

quem esteve ao lado de mim

tentando ouvir

de onde saía a minha voz

aquele sussurro, uma lascívia

onde viveria

este desafio de ainda estar viva

sem o tempo

sem o encontro

 

****

 

seria diferente suar de medo

o coração acelerado

sua pela se soltando do seu corpo

espalhando-se pela sala

sem saber onde estive

como estive vivendo a minha dor e

a dor do mundo

quando se juntam e viram

una, ao nos tornar despidos, isolados,

sem nomes, endereços

apenas esqueletos do que éramos no mar revolto

e noite escura

envergonhados.

 

****

 

esteja, desta vez, por inteiro

neste cálice da consciência

deixa que ressoe

do centro do seu ser

para a vibração do universo

e alcance o movimento

não determinado

e não limitado

em nova percepção

 

alterar o mundo

inventar outras existências

criar outros ventos

 

ninguém será mais o mesmo

que o rio que corre hoje é outro

em seu percurso novo

e também o mesmo

dos insondáveis tempos

 

são os semelhantes ou os opostos

que se encontram?

 

só o vazio interior

o santuário mais secreto

a ser ofertado

fonte primeva da vida

para o refúgio

a celebração de lótus

que aí floresce

 

****

 

você lembra

semente, luz, alegria

 

você lembra dia

de novo, outra vez

 

você lembra

água, sol, poesia

 

você lembra terra

cheiro, chuva

 

você lembra

ninho, pássaro, ar

você lembra amar.

 

****

 

a solidão anda de trem

a solidão não vai, só vem

a solidão coloca suas mãos

sobre as minhas e me bolina

a solidão caminha

na sua cama, na minha.

 

silêncio é

muito tempo

acenando indícios

de névoa e fumaça

que se abraçam.

 

apenas sementes

olhos, bocas

o riso da criança

nas calçadas

nos seus sapatos de vidros

sem passos

flores de metal e argamassa

 

herança

espora aguda

em segredo

perpétua hora

cozendo traços

dentro da casa velha

de lume, sombras

sentinela de laços.

 

se a minha cabeça

se volta um pouco mais

cai à deriva

 

essa genuflexão

humílima

aos teus pés.

 

****

 

a dor

veste o corpo

como pele

enlaçando e seduzindo

para o fundo

sem ter como ocultar

pra se tornar público

o luto incontrolável

sem pudor

andando pelas ruas

em anúncios de televisão

 

nuvens levaram suas mãos

o mundo acaba

mistério absoluto

com seu horizontal imutável

levo seus ossos para casa.

 

pensei reconhecer esse vácuo

se era caminho

ou algo que me recuperasse

do ventre da baleia

sem face

ou decretos-leis

nos portais

para todos iguais

o seu martelo

repetidas vezes

fechando as fronteiras,

as suas promessas

de não ver o sangue das crianças

invadindo nosso horário

 

****

 

pensando passos

viro morro e ladeiras

e já sou floresta

 

De
SILVA, Maria AbadiaCabeça cauda.  São Paulo: Massao Ohno editor, 1987.  s.p.   “Prêmio Bolsa de Publicações “José Décio Filho”.  Capa, sobrecapa  e 5 ilustrações col. de Siron Franco impressas no formato aproximado de 12x8 cm. e colados em páginas do miolo do livro.  Apresentação de Olga Savary. Prefácio de Cláudio Willer.  Formato 15,5x22 cm.  Col. A.M.  (EE)

 

 

Você também ouvia Beatles
aos 16 anos
Eu quero dançar
I want to hold your hand
e chorar de nostalgia
porque hoje é fora de alcance
e amanhã longe demais.

*

 

Tomando sol na área infinita de 2 metros do meu
quarto vi no céu
uma estrela diluída com seus traços/
meu amor, você é um androide de nuvens,
que passa.

 

*

Sáudo sua beleza
se erguendo
das minhas mãos

e leveza das algas vivas
penetrando na minha boca
sacro sólio
é contemplação secular
de viril malícia
estampa aquosa da sua dor
no meu corpo
de sua força
no meu desejo
o exato encontro dessa nudez.

 

*

 

O que sou é isso que passa
na liturgia de hábitos
e tanto se repete
que se mistura
às mudanças que faço.

 

 

 

SILVA, Maria Abadia.  Espaços. Poemas.  Goiânia: Prefeitura de Goiânia / União Brasileira de Escritores, 1980.  75 p. 1º lugar “Concurso Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos: 1980” Gênero Poesia.  Prefácio de Yêda Schmaltz.  “ Maria Abadia Silva “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

MÃO  DE TINTA

 

Essas paredes

brancas, sem alegrias ou tristezas

são duras, são frias

e mudas, sem enredo.

 

Quero a mão de tinta vermelha,

que seja de sangue ou de poeira,

mas que cause espanto e

todos venham ver,

venham perguntar, se espelhar

se enrubescer.

 

 

 

PASSAGEM

 

A venda com que se tapa os olhos

é tão pobre e fina

e o horizonte

está dentro da retina.

 

Como distinguir agora

e separar

e definir?

Virei substantivo composto adjetivado

com presente e passado.

 

Mundo, mundo, mágico mundo

que ontem me tinha prisioneira

e hoje me tem libertada

e codificada, numerada,

retratos datados.

 

O tempo andava tão correio.

Depois dos 30 anos,

que estranho!

Nada é mais tão certo.


 

 

Salomão Sousa, Maria Abadia Silva e Antonio Miranda juntos no primeiro dia de 2013.

TEXTO EN ESPAÑOL

 

VARGAS & MIRANDA Compiladores.  Selección y revisión de textos por Salomão Sousa.  TRANS BRASILIANA  ANTOLOGÍA  36 MUJERES POETAS DO BRASIL. MARIBELINA – Casa del Poeta Peruano. 2012  134 p.      Ex. biblioteca de Antonio Miranda

 

        *

       
Tú también oías los Beatles
       A los 16 años
       Yo quiero danzar
       I want to hold your hand
       y llorar de nostalgía
       porque hoy está fuera de alcance
       y mañana demasiado lejos.

       *


       Tomando sol en el
       área infinita de 2 metros de mi
       cuarto vi en el cielo
       una estrella diluida con sus trazos/
       mi amor, tú eres un androide de nubes,
       que pasa.

       *


       Saludo su beleza
       irguiséndose
       de mis manos
        y ligereza de algas vivas
        penetrando en mi boca
        sacro trono
        es contemplación secular
        de viril malicia
        estampa acuosa de su dolor
        en mi cuerpo
        de su fuerza
        en mi deseo
        el exacto encuentro de esa desnudez.

        *


        Lo que soy es eso que pasa
        En la liturgía de hábitos
        y tanto se repite
        que se mezcla
        a las mudanzas que hago.



       ***

Página publicada em julho de 2024

 

 

 

 

Página publicada em janeiro de 2008. ampliada e republicada em janeiro de 2012; ampliada e republicada em maio de 2015.



 

 

 
 
 
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