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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 


 

 

PAULO LEMINSKI
(1944-1989) 

 

Poeta paranaense de projeção nacional, pode ser considerado uma figura emblemática na evolução (ou revolução) da poesia brasileira. Figura polêmica já devidamente assumida e assimilada pela crítica, até mesmo por aquela de extração mais acadêmica. Não foi sempre assim... Começou com os livros Catatau (1979 e Não fosse isso e Era Menos /Não fosse tanto e era quase (1980) em edições do autor. Seguiram-se obras “alternativas” e marginais até as mais comerciais: Caprichos e Relaxos (1983), Matsuó Bashô (1983), Jesus a.C. (1984); Agora é que são elas (1984) e Leon Trotski, a paixão segundo a revolução (estes últimos pela Brasiliense) e, postumamente uma coleção sob o título de La vie em close..., com sucessivas edições, pela mesma editora paulista.

 

Ironia, hoje os direitos autores estão reservados ao Espólio. Seja como for, estamos publicando alguns de seus poemas que julgamos já de domínio público, considerando que esta é uma edição virtual, sem fins lucrativos, de divulgação cultural. É uma homenagem ao grande poeta, uma tentativa de aproximá-lo do público dos internautas e um convite para que busquem seus livros nas bibliotecas e nas livrarias, para continuar a leitura de outros textos. Vale sempre a pena quando a alma não é pequena...

 

Veja também: Poesia visual de Paulo Leminski

 

Leia também:  MANIFESTO: Paulo Leminski

 

 

Veja também:

REINVIDACIÓN DE LO MELÓDICO  (un breve acercamiento a la poesía de Paulo Leminski)

 

TEXTS IN PORTUGUESE & IN ENGLISH

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EM ESPAÑOL

 

 

LEMINSKI, PauloYo iba a ser Homero. Antologia poética bilíngue. Selección y traducción de Anibal Cristobo. Prólogo de Manoel Ricardo de Lima. Barcelona: Kriller 71 ediciones, 2013. 111 p. (Col. poesia #03) 11,5x16,5 cm. ISBN 978-84-940414-2-6. Foto da capa: Walter Gam. Tiragem: 300 exemplares. Col. A.M.

 

 

 

                      TEXTOS EM PORTUGUÊS   -   TEXTOS EN ESPAÑOL

 


um passarinho

         volta pra árvore
         que não mais existe

         meu pensamento
         voa até você
         só pra ficar triste

 

un pajarito

vuelve al árbol

que ya no existe

 

mi pensamiento

vuela hasta tí

sólo para ponerme triste

 

 

DESENCONTRARIOS

 

          Mande! a palavra rimar,

ela não me obedeceu.
          Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silencio, em prosa.
          Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

 

          Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
         Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
          para conquistar um imp[Erio extinto.

 

 

                    DESENCONTRARIOS

 

          Mandé a la palabra a rimar,

pero no me obedeció.

          Habló de mar, cielo, rosa,

habló en griego, en silencio, en prosa.

          Parecía fuera de sí,

la sílaba silenciosa.

 

          Mandé a la frase a soñar,

se perdió en un laberinto.

          Hacer poesía, yo siento, no es distinto

a dar órdenes a un ejército

          para conquistar un imperio extinto.

 

 

O ATRASO PONTUAL

 

          Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
          Nada poderla ter sido feito,
 a não ser no tempo em que fo¡ lógico.
          Ninguém nunca chegou atrasado.
Bênçãos e desgraças

                     vêm sempre no horario.
          Tudo o mais é plagio.
                    Acaso é este encontro
          entre o tempo e o espaço
                    mais do que um sonho que eu conto
          ou mais um poema que eu fao?

 

 

EL ATRASO PUNTUAL

 

Ayeres y hoyes, odios y amores

¿de qué sirve consultar los relojes?

          Nada podría haber sido hecho

a no ser en el tiempo en que fue lógico.

          Nadie nunca ha llegado atrasado.

Favores y desgracias
          siempre llegan a tiempo.

Y todo lo demás es plagio.

                    ¿O acaso es este encuentro
          entre tiempo y espacio

                    más que un sueño que cuento,
          más que un poema que hago?


 

POESIA:1970

 

          Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
           sempre acha o máximo.

 

          Mal rabisco,
não da mais pra mudar nada.
          Já é um clássico.

 

 

 

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“elas quando vêm
elas quando vão
versos que nem
versos que não
nem quero fazer
se fazem por si
como se em vão
elas quando vão
elas quando vêm
poesia que sim
parecem que nem

(Leminski, Caprichos e relaxos, 1983
)

 



um bom poema

leva anos

cinco jogando bola,

mais cinco estudando sânscrito,

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando junto

 

 

SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO

 

Escrevia no espaço.

Hoje, grafo no tempo,

na pele, na palma, na pétala,

luz do momento.

Sôo na dúvida que separa

o silêncio de quem grita

do escândalo que cala,

no tempo, distância, praça,

que a pausa, asa, leva

para ir do percalço ao espasmo.

 

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,

eis que a luz se acendeu na casa

e não cabe mais na sala.

 

 

ROUND ABOUT MIDNIGHT

 

um vulto suspeito

e o pulo de um susto

à solta no peito

 

no beco sem saída

caminhos a esmo

o leque de abismos

entre um eco

e seus mesmos

 

 

CURITIBAS

 

Conheço esta cidade

como a palma da minha pica.

Sei onde o palácio

sei onde a fonte fica,

 

Só não sei da saudade

a fina flor que fabrica.

Ser, eu sei. Quem sabe,

esta cidade me significa.

 

 

HEXAGRAMA 65


Nenhuma dor pelo dano.
  Todo dano é bendito.
Do ano mais maligno,
  nasce o dia mais bonito.

1 dia,
    1 mês, 1
     ano

 


DIONISIOS ARES AFRODITE

 

aos deuses mais cruéis
           juventude eterna

eles nos dão de beber
           na mesma taça
o vinho, o sangue e o esperma.

 


SACRO LAVORO

as mãos que escrevem isto
    uma dia iam ser de sacerdote
transformando o pão e o vinho forte
    na carne e sangue de cristo

    hoje transformam palavras
num misto entre o óbvio e o nunca visto

 

O que amanhã não sabe,
    o ontem não soube.
Nada que não seja o hoje
    jamais houve.

 

Fonte: http://leiturasereleituraas.blogspot.com.br

 

 

 

LEMINSKI, PauloPolonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. s.p. (EA)

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

Trad. Rodolfo Mata

 

 

Contranarciso

 

en mí

veo al otro

y a otro

y a otro

en fin decenas

trenes que pasan

vagones llenos de gente

centenas

 

el otro

que hay en mí

eres tú

y tú

 

así como

estoy en ti

estoy en él

en nosotros

y sólo cuando

estamos en nosotros 

estamos en paz

aunque estemos a solas minski

---------------------------------

 

Ópera fantasma

      Nada tengo.
Nada me pueden quitar.
      Soy el ex-extraño,
el que vino sin ser llamado
      y, gato, se fue
sin hacer ningún ruido.

 

-------------------------------------------

 

aún

a la edad

de ya ser

yo mismo

 

aún

confundo

felicidad

con este nerviosismo

 

 

-----------------

entre la deuda externa

y la duda interna

mi corazón

comercial

                      alterna

 -------------------------------------------------

un día 

uno iba a ser homero

la obra nada menos que una ilíada

 

después

viendo el paquete

alcanzaba para ser un rimbaud

un ungaretti un fernando pessoa cualquiera

un lorca un éluard un ginsberg

 

por fin

terminamos siendo el pequeño poeta de provincia

que siempre fuimos

por detrás de tantas máscaras

que el tiempo trató como flores

 

 

-----------------------------------

 

un poema
que no se entiende
es digno de nota

la dignidad suprema
de un navío
perdiendo la ruta

 

------------------------------

 

un buen poema

lleva años

      cinco jugando futbol

más cinco estudiando sánscrito,

      seis cargando piedras,

nueve de novio con la vecina

      siete de puros golpes

cuatro andando solo

      tres mudándose de ciudad,

diez cambiando de tema,

      una eternidad, tú y yo,

caminando juntos

 

---------------------------------------------

 

El náufrago náugrafo

 

    la letra A se

hunde en el A

    tlántico

y pacífico con

    templo la lucha

entre la rápida letra

    y el océano

lento

 

    así

hondo fundo 

    y me hundo

de todos los náufragos

    náugrafo

el náufrago

    más profundo

 

 

Extraídos de: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/  

 

Trad. Rodolfo Mata

 

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EL ESPLÉNDIDO CORCEL

                Versión de Iván Baca


El espléndido corcel
ve la sombra del chicote
y corre, esplendores del caballo
em laberintos de la crin
excitado por el viento
cancelas espacios de quimera
consumes el tiempo
hoguera que héroes incinera
tênia impulsos de cielo
y avidez sobre el mar
los campos azulados del pólo
el cielo piel de onza
y slides del zodíaco
los campos dolorosos del piélago
donde pacen peces
y el nudo de los pulpos adoba al sol
aquí la fábula habla
en el marco del juego de las olas
hiere los cascos en las estrellas
y picado por los filos
de las fieras del horóscopo
se turba un poco
cae la vigilia en el sueño
lúcido y súbito ya no mártir
queda en la tierra, caballo
el ojo lleno de estrellas
el cuerpo soso de las olas
y el corazón en el pecho
iHecho un plebe dormido!

 

 

 

Extraído de la revista BLANCO MÓVIL, n. 75, México, Primavera de 1998. 

 

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Trad. Mario Camara

 

HEXAGRAMA 65


Ningún  dolor por el daño.
    Todo daño es bendito.
Del año más maligno,
    nace el dia más bonito
   
1 día,
    1 mes, 1
     año

 


DIONISIOS ARES AFRODITE


a los dioses más crueles
          juventud eterna

ellos nos dan de beber
          en la misma copa
vino, sangre y esperma

 


SAGRADO LAVORO

las manos que escriben esto
    un dia iban a ser  de sacerdote
transformando el pan y el vino fuerte
    en la carne y sangre de cristo

    hoy transforman palabras
en un mixto entre lo obvio y lo nunca visto

 

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TEXTS IN PORTUGUESE & IN ENGLISH

 

 

PAULO LEMINSKY

1945-1989

 

Born in Curitiba onAugust 24,1945, Paulo Leminski led a life on the margins of society, working in advertisitng and intermittent collaboration with newspapers and journals. Leminski died in 1989 from alcohol abuse. Despite the difficulties of his life, he wrote several works of prose fiction and poetry.

He is now recognized as one of the most important poets of his generation.

 

BOOKS OF POETRY: Quarenta Cliques em Curitiba (1979); Polonaise (1980); Caprichos e Relaxos (São Paulo: Editora Brasiliense, 1983), Distraídos Venceremos (1987); La vie en close (São Paulo: Editora Brasiliense, 1991)

 

 

Pelo

 

pelo

branco

magnólia

 

o

azul

manhã

vermelho

olha

 

    (from Caprichos e Relaxos, 1983)

 

 

Through

 

through

magnolia

white

 

the

morning

blue

sees

red

 

     —Translated from the Portuguese by
          Michael Palmer

 

 

O Assassino Era O Escriba

 

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito

inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,

regular como um paradigma da la conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto

adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito

assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,

conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

 

      (from Caprichos e Relaxos, 1983)

 

 

The Assassin Was the Scribe

 

My professor of syntactical analysis was a sort of

nonexistent subject.

A pleonasm, principal predicate of your life,

common as a paradigm of conjugation.

Between subordinated oration and adverbial

adjunct he had no doubts: always found an

asyndetic way to torture us with an appositive.

He married grammatical rectitude.

Was unhappy.

Was possessive like a pronoun.

And she was bitransitive.

He tried to go to the USA.

No way.

They discovered an indefinite article in his suitcase.

His moustache's exclamation point declined explicatives,

connectives and passives, forever.

One day I greased him with a direct object through the head.

 

    —Translated from the Portuguese by Michael Palmer

 

 

 

Dois Loucos No Bairro

um passa os dias
chutando postes para ver se acendem

o outro as noites
apagando palavras
contra um papel branco

todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
para eu ser tratado também

 

               (from  Caprichos e Relaxos, 1983)

 

Two Madmen in the Neighborhood

one of them spends his days
kicking lampposts to see if they light up

the second his nights
erasing words
from white paper

every neighborhood has a madman
it takes beneath its wing
not long till I can
be treated for the same damn thing


       - Translated from the Portuguese by Regina Alfarano,
       with revisions by Dana Stevens

 

 


Seleção de poemas publicados originalmente em:/ Poems from:

NOTHING THE SUN COULD NOT EXPLAIN: 20 CONTEMPORARY BRAZILIAN POETS, edited by Régis Bonvicino, Michael Palmer and Nelson Ascher. In> THE PIPE – ANTHOLOGY OF WORLD POETRY OF THE 20TH CENTURY.  Vol. 3.  Los Angels, USA: Green Integer, 2003.

Edição com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Consulado Geral do Brasil em San Francisco, California, USA


 

ASSALTARAM A GRAMÁTICA

Jovens e vivazes, provocadores e inovadores... Alice Ruiz... todos jovenzinhos..., Chacal e Chico Alvim,  Cristina César, Paulo Leminski, Wally Salomão... e outros mais, num video imperdível, memorável, enviado por Edson Cruz, do Sambaquis, que recebeu do Giuseppe Zani, via Ricardo Aleixo, que...  agora passamos adiante.   Vejam e repassem....

 


COMENTÁRIO SOBRE A SUSPENSÃO DO VÍDEO:

Aqui está um bom exemplo da confusão referente à Lei do Direito Autoral no Brasil...  Recebemos este vídeo pela Internet, de um dos personagens do vídeo, pedindo a difusão...

Foi o que fizemos.  A produtora  entrou com um pedido para o reconhecimento de seus direitos autorais. O vídeo não foi publicado em nosso Portal, apenas fizemos um link, a pedido de um dos poetas. A fonte onde está depositado deve ter suspenso a disponibilização do video  até que se resolva a questão. Sem entrar no mérito do recurso da produtora, fica sempre aquela pergunta: em alguma instância os poetas participantes do vídeo vão receber por sua  imagem?  Mas a questão é outra: quando o Brasil vai adotar o FAIR USE, quando a divulgação for sem fins lucrativos, por interesse estritamente cultural? Fica aqui o link cego para representar o dano à cultura. Sem com isso querer contestar o pleito da produtora, cuja decisão cabe à justiça, nos estreitos, estreitíssimos, espaços da lei vigente, que estava em processo final de discussão para ser reformada e que atualmente está de molho... Uma lei só é boa quando for justa para todos.



 

 


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