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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Antonio Miranda e Manoel de Barros.
Foto de Wagner Guimarães

MANOEL D

MANOEL DE BARROS

(19 de dezembro de 1919 - 13 de novembro de 2014)


Manoel de Barros foi um dos maiores poetas do Brasil contemporâneo. Vivia em Campo Grande (MS) como sempre viveu: cultivando a simplicidade de forma tão sofisticada... Parece tão simples sendo tão complexo! Telúrico mas universal como foi o nosso grande Guimarães Rosa.

 

Eu visitei o nosso “Poeta Passarinho” — como eu carinhosamente o considero — em companhia de amigos, em sua residência, onde nos recebeu com um sorriso amigo, uma discrição de ave pantaneira. Foi uma noite memorável (vejam o registro).

 

Ele era homem de muitos livros. Aqui está apenas um incentivo a que procurem os livros do grande poeta – todos lançados pela Record em primorosas edições.

                                                                                             Antonio Miranda


A revista A GENTE, n. 162 de dezembro de 2014 dedicou a capa e as primeiras 27 página em homenagem a Manoel de Barros, numa sequência de textos, entrevista, poemas, fotos, etc. Excelente, justo, ato consagrador de um grande poeta e de um homem iluminado. Reproduzimos aqui a capa e mais duas imagens desta memorabilia:


 

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /   TEXTOS EN ESPAÑOL    

Veja também POESIA INFANTIL  

SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA - A DESBIOGRAFIA OFICIAL DE MANOEL DE BARROS - Filme de Pedro Cezar,  LEIA A RESENHA>>>

Veja também: ANTIELEGIA, poema de   João Carlos Taveira em homenagem ao poeta Manoel de Barros no dia de seu falecimento

 

MANOEL DE BARROS

Parece que o poeta serve para desacomodar as palavras. Não deixar que as palavras se viciem no mesmo contexto. Usar as palavras para ampliar o mundo há de ser outro milagre da poesia. Celebrar moscas é um exemplo de como podemos ampliar o mundo. Uma das regras importantes da poesia é não ser demonstrativa. Poesia não presta para demonstrar nada. Ela só presta para dar néctar.   MANOEL DE BARROS em entrevista "metapoética" a Douglas Diegues (DIEGUES, Douglas.  Silêncios, nadas e borboletas. Uma entrevista de Manoel de Barros a Douglas Diegues.Edição do autor, limitadíssima, s.d..

 

MENINO DO MATO

De
Manoel de Barros
MENINO DO MATO
Imagem da capa: Marta Barros
São Paulo: Leya, 2010
ISBN 978-85-62936-15-9


"O melhor do mesmo... é o que se pode dizer do novo livro de Manoel de Barros, lançado em fevereiro de 2010 pela editora Leya que está entrando no mercado brasileiro. Manoel de Barro é incontaminado — dizem que não lê os outros poetas, menos os contemporâneos — e sempre fiel a um estilo muito próprio que ele desdobra e aperfeiçoa, até para dizer o que já vem dizendo em livros anteriores. Consegue ser original sobre um caminho trilhado, mas certamente inesgotável. Todo mundo já escreveu sobre ele. Basta-nos reafirmar o interesse permanente por sua criação literária, que é a simplicidade das coisas complexas ou, pelo oxímoro, a complexificação do simples, pela inventividade sobre o que parece banal. O fragmento que escolhemos é justamente uma reflexão da própria poesia, nas alturas da metapoesia do chão." Antonio Miranda

IV

Lugar mais bonito de um passarinho ficar é a palavra.
Nas minhas palavras ainda vivíamos meninos do mato,
um tonto e  mim.
Eu vivia embaraçado nos meus escombros verbais.
O menino caminhava incluso em passarinhos.
E uma árvore progredia em se Bernardo.
Ali até santos davam flor nas pedras.
Porque todos estávamos abrigados pelas palavras.
Usávamos todos uma linguagem de primavera.
Eu viajava com as palavras ao modo de um dicionário.
A gente bem quisera escutar o silêncio do orvalho
sobre as pedras.
Tu bem quisera também saber o que os passarinhos
sabem sobre os ventos.
A gente só gostava de usar palavras de aves porque
eram palavras abençoadas pela inocência.
Bernardo disse que ouvira um vento quase encostado
nas vestes da tarde.
Eu sonhava de escrever um livro com a mesma
inocência com que as crianças fabricam seus navios
de papel.
Eu queria pegar com as mãos no corpo da manhã.
Porque eu achava que a visão fosse um ato poético
do ver.
Tu não gostasse do caminho comum das palavras.
Antes melhor eu gostasse dos absurdos.
E se eu fosse um caracol, uma árvore, uma pedra?
E se eu fosse?
Eu não queria ocupar o meu tempo usando palavras
bichadas de costumes.
Eu queria mesmo desver o mundo. Tipo assim: eu vi
um urubu dejetar nas vestes da manhã.
Isso não seria de expulsar o tédio?
E como eu poderia saber que o sonho do silêncio era
ser pedra!

 

=============================================================

PARA CONCLUIR, ABRINDO HORIZONTES

Manoel de Barros é efetivamente um milagre como criador. Perdão, como Criador. A gente acha que êle vai estagnar no pantanal da poesia, com uma fórmula repetitiva, mas ele alça vôos de descontinuidade na continuidade de seu estilo. Até as repetições são originais! Sutilmente, ele vai se renovando, ampliando-se, afundando na sua linguagem-coisa disparatada e – valha o oximoro! – lúcida... Ou seja, é mesmo um gênio. Vejam, para concluir, o seguinte metapoema em que se define e define, com ironia mordaz, a arte do poeta... Antonio Miranda 

Manoel de Barros

Manoel de Barros
POESIA COMPLETA
São Paulo: Leya, 2010
Capa, projeto gráfico e paginação de Regina Ferraz.
Imagem da capa: Martha Barros
493 P.   ISBN 978-85-62936-14-2

A editora portuguesa Leya chegou ao Brasil com tudo! Através de Textos Editores Ltda, começou publicando algumas obras de nosso querido e festejado Manoel de Barros. Inclusive uma edição bem cuidada da POESIA COMPLETA (até quando) do grande poeta panteneiro. Uma festa para os admiradores e colecionadores de exemplares da vasta obra do "poeta passarinho" (como eu o chamo...). Embora existam edições novas e reedições de seus títulos mais conhecidos, para adultos e para crianças (aliás a obra dele é de uma criança que escreve para adultos...). Fica aqui o registro e os agradecimentos dos admiradores desta figura ímpar de nossas letras.
Antonio Miranda

 

A disfunção

 

 

Se diz que há na cabeça dos poetas um parafuso de a menos

Sendo que mais justo seria o de ter um parafuso trocado do que a menos.

A troca de parafusos provoca nos poetas uma certa disfunção lírica.

 

Nomearei abaixo 7 sintomas nos poetas dessa disfunção lírica.

 

1 - Aceitação da inércia para dar movimento às palavras.

 

2 - Vocação para explorar os mistérios irracionais.

 

3 - Percepção das contigüidades anômalas entre verbos e substantivos.

 

4 - Gostar de fazer casamentos incestuosos entre palavras.

 

5 - Amor por seres desimportantes tanto como pelas coisas desimportantes.

 

6 - Mania de dar formato de canto às asperezas de uma pedra.

 

7 - Mania de comparecer aos próprios desencontros.

 

 

Essas disfunções líricas acabam por dar mais importância

aos passarinhos do que aos senadores.    

 

 

 

Manoel de Barros, Tratado geral das grandezas do Ínfimo

 

AUTO-RETRATO
(Autorretrato)
[fragmentos]


Escrevi  14 livros
E deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro.
(Posso fingir de outros, mas não posso fugir de mim).
 

 

ARTE DE INFANTILIZAR FORMIGAS

 

1.

 

As coisas tinham para nós uma desutilidade poética.

Nos fundos do quintal era muito riquíssimo o nosso dessaber.

A gente inventou um truque pra fabricar brinquedos com palavras.

O truque era só virar bocó.

Como dizer: Eu pendurei um bentevi no sol...

O que disse Bugrinha: Por dentro de nossa casa passava um rio inventado.

O que nosso avô falou: O olho do gafanhoto é sem princípios.

Mano Preto perguntava: Será que fizeram o beija-flor diminuído só para ele voar parado?

As distâncias somavam a gente para menos. O pai campeava campeava.

A mãe fazia velas.

0eu irmão cangava sapos.

Bugrinha batia com uma vara no corpo do sapo e ele virava uma pedra.

Fazia de conta?

Ela era acrescentada de garças concluídas.

 

 

 

DESEJAR SER

 

7.

 

Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras. Sou formado em desencontros.

A sensatez me absurda.

Os delírios verbais me terapeutam.

Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).

(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas.

 Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor.

Essa antítese o acalmou.)

 

As antíteses congraçam.

 

 

 

COISAS MANSAS

 

Coisas mansas, de sela, andavam por

      ali bebendo água ...

Ventava

sobre azaléias

 municípios.

 

Ventinho de pêlo!

Monto nele e vou

experimentando a manhã nos galos ...

 

Ó este frescor! como um afluente

       de tua boca ...

 

 

PÁSSARO

 

 

Rios e mariposas

 

Emprenhados de sol

 

Eis um dia de pássaro ganho

  

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MUNDO PEQUENO

I
O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas.
Seu olho  exagera o azul.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
         besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
                                      Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos.


VII

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era
         a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
         esse garoto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
— Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
         o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
         pode muito que você carregue para o resto da
         vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? — ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas —
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
          e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professo de agramática.

 

ANTIELEGIA

 

 

João Carlos Taveira

 

Manoel de Barros está morto.

Mas eu já faço um reparo:

Manoel de Barros não morreu.

Morrer, como, se ainda

está vivinho da silva

no coração das crianças,

no desvelo de bichos, de pássaros

e de homens puros?

 

Hoje, 13 de novembro,

chove fininho e devagar

na cidade de Lúcio Costa,

no mesmo instante

em que Manoel de Barros

se transformou em nuvem,

borboleta ou qualquer coisa

de encantar bem-te-vis.

 

Este homem, meus amigos,

não é de morrer assim

sem mais nem menos.

Traz no seu jeito

de menino tímido

qualquer coisa de espanto,

qualquer silêncio de pedra.

 

O poeta, nele, há muito se eternizou

e está solidificado em pérola,

feito diamante incrustado

na tristeza da ostra.

 

Outra coisa: Manoel de Barros

aprendeu a esperteza

dos caramujos

e deve estar destecendo

palavras de beleza

para inventar estrelas

no chão áspero da rua.

 

Afirmo e reafirmo,

minha canção é de alegria

para festejar a metamorfose:

Manoel de Barros

escapou

da irmandade dos homens

e virou passarinho.

 

 

 

Brasília, 13 de novembro de 2014.

 

 

 

 

BARROS, Manoel de.  Arquitetura do silêncio. / Manoel de Barros. Adriana Lafer.  Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2015.  96 .. ilus. fot. col. 13x17,5 . Poemas de Manoel de Barros e fotos de Adriana Lafer. A encadernação é aberta com dois segmentos de miolos frente a frente e protegidas por capas duras desdobráveis

 

Dia de ficar em casa
Dentro do corpo — como em seu estojo
Um instrumento

.

Um pequenino ser com a sua morte dentro,
Com seu ombro desabado
E seus braços descidos pelo caos do corpo.

 

 

Extraído de:

BRIC A BRAC    21 ANOS   MAIOR IDADE.  Brasília: Caixa Cultura, 2007.  112 p. ilus. col.  23x21 cm.. Exposição comemorativa . Curadoria e projeto expositivo: Marilia Panitz.   Coordenação Geral: Luis Turiba.  Inclui poemas visuais e arte gráfica.  Inclui poemas visuais de Luis Turiba, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Zuca Sardanga, Nanico, Franciso Kaque, Wagner Barja, Paulo Andrade, Antonio Miranda, Bernardo Vilhena, Paulo Cac, Ariosto Teixeira, Elizabeth Hazin, José Paulo Cunha, Fred Maia, Nicolas Behr, Claudius Portugal, Ronaldo Cagiano, TT Catalão, Francine Amarante, Adeilton Lima, Maria Maia, Ronaldo Augusto, Augusto de Campos, Arnaldo Antunes, José Rangel Farias Neto, Menezes e Morais, Cristiane Sobral, Eduardo Mamcasz, Vicente Sá, Nance Las-Casas, Bic Prado, Angélica Torres Lima, Flavio Maia, Ronaldo Santos, Joanyr de Oliveira, Sylvia Cyntrão, Carlos Roberto Lacerda, Carlos Henrique, Fernanda Barreto,  José Edson, Vera Americano, Alice Ruiz, André Luiz Oliveira, Carlos Silva, Charles Peixoto, José Roberto Aguilar, Estrela Ruiz, Renato Riella, Chico César, Francisco Alvim, José Robert o da Silva, Eudoro Augusto, Amneres, Gustavo Dourado, Alexandre Marino, e ilustradores: Resa, e fotógrafos, etc. 

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción de Clara Aguilar


 

MANOEL DE BARROS nació en Corumbá, Mato Grosso,Brasil, en 1916.

Entre sus libros de poesía estan Poemas concebidos sem pecado (1937), Face imóvel (1942), Compêndio para uso dos pássaros (1960), Arranjos para assobio (Arreglos para silbo,'l980), 0 guardador de águas (1989) Concerto a céu aberto para solos de ave (1991), 0 livro das ignorãças (1993), Livro sobre nada (1996) y Retrato do artista quando coisa (1998).

 

"...Manoel de Barros es un usuario o usante o utilizante o creante

de palabras —habidas, habientes, habibles— que sangran, sonríen, se

desvergiüenzan, juguetean, lirizan, luziluminan; que convida al lector a

gozar —en la rudeza de la vida que corre— la infinita gracia de

disponibilidad mental para el gratuito absoluto..." Antonio Houaiss.

 

 

CUADERNO DE APUNTES

 

Debo hablar ahora de mí,

eso serií un paso en la dirección del silencio...

 SAMUEL BECKET en El innombrable.

 

I.

Dejé a un ave amanecerme.

 

II.

 

Cada vez que la mañana está siendo comenzada en mis

ojos, es así...

 

Esa luz empozada en cilantrillos.

 

Los cilantrillos son ciegos.

Ninguna flor protege el silencio como ellos,

 

Oh la luz de la mañana empozada en los dlantrillos!

 

III.

 

Lozanía de las garzas en la mañana,

 

IV

 

El sinsonte de septiembre tiene rocío en la voz.

De mañana él recita el sol.

 

V

 

Cuando yo nací

                   el silencio fue aumentado.

Mi padre siempre entendió

Que yo era torcido

Mas siempre me enderezó.

 

Pasé años buscándome por lugares ningunos.

Hasta que no me hallé —y fui salvo.

A veces caminaba como si fuese un bulbo.

 

VI.

 

Ayer pasó por aquí un ancestro mío, que solfeaba a Bach:

"Quédese con nosotros, Señor, que la noche llega."

El cantaba así en las carreteras más polvorientas.

Y aquellas mariposas sobre unos ramos de tomillo

cantaban con él.

 

Atrás de nuestra casa trabaja un río.

El aluminio de los peces vislumbra.

 

VIII.                (recuerdo)

 

Pasó por dentro de la Plaza, hizo una belleza con el rostro,

y me vio.

 

Dijo que tenía tino para el piano; mas sólo tocaba mariposas...

Bichito contráctil:

A las primeras caricias en el pelo la valva se abría.

Usaba glicinas en el pubis.

Los ojos manchados de sueños.

 

IX.

 

Ahora estoy sofñdo de glicinas.

 

X.

 

He aqui la guacharaca —un pájaro sin industria.

El pasado oscuro de ella es un río.

Su voz tiene un sonido vegetal.

 

XI.

 

No sé bien de qué color es el color del amaranto.

Mas por el amar y por el canto queda bien ese amaranto

ahí (mejor que si yo usase perpetua, que es otro nombre

que se pone a esa flor).

Amaranto murmura mejor.

 

XII.

 

Descendió un tedio de verbena en mí.

 

XIII.

 

Ciertas palabras tienen ardores; otras, no.

La palabra jacaré hiere la voz.

Es como descender arañado por las escarpas de un serrucho.

Es nombre con verdín de lodo en el cuero.

Además de eso es agríope (que tiene ojo asustador).

Ya la palabra garza tiene para nosotros una sombra de silencios...

Y el azul la destaca!

 

XIV                (recuerdo)

 

Entré en la Villa do Livramento (Villa de Nossa Senhora

do Livramento —completo) cabestreando una yegua

resabiada.

En el Largo do Tanque, donde existe todavía hoy una Iglesia

Romana, la yegua paró.

Resabiada.

El sacristán apareció (cabestreaba un caballo).

Aquella verga del caballo por detrás en la yegua adentro,

yo vi de cerca.

Mi ojo se crepusculó.

Una araña estornudo personalmente.

Dio para aprender la concepción sin leer el Pentateuco.

 

XV

 

Dentro del abandono de mi boca hay una lujuria.

 

XVI.

 

Vi un incendio de girasoles en el alma de una babosa.

 

XVII.

 

Ahondo un poco el río con mis zapatos

Despierto un sonido de raíces con eso

La altura del sonido es casi azul.

 

XVIII.

 

Una palabra está naciendo

En la boca de un niño:

 

Mas atrasada que un murmullo.

No tiene historia ni letras—

Está entre el croar y el arrullo.

 

XIX.

 

De tarde el horizonte hace muelle mi ojo.

Pone brea.

De mañana hago abluciones con rocío.

 

XX.

 

En el ojo dorado de los sapos la primacía es de las flores.

Ellos tienen una virtud para las hortensias.

 

XXI.

 

El tordo guarda en el ojo

         andrajos de jardines.

Su canto entretanto es límpido.

 

XXII.

 

Hallé entre las pertenencias de Bernardo un jarrón para

coger lluvias, un cachimbo

y un rostro de insecto colgado en el pantalón.

Bernardo tiene fe casi así de molusco.

Para saber de los pajaritos sólo necesita de sus ignorancias.

 

XXIII.

 

Vi un agua viciada de mar!

Mis ocasos mudaron de aves?

 

XXIV.

 

Oigo una frase de guacharaca: en-en? só-jó? ajé jan? jum?...

No tuve preparatoria en lenguaje de guacharaca.

Escribi su nombre así . Más puede una palabra llegar

a la perfeccion de tornarse un pájaro?

Antiguamente podía.

Las letras aceptaban pájaros.

Los árboles servían de alfabeto para los Griegos.

La letra más bonita era la (palmera).

Garrapateé mis pájaros hasta la última naturaleza.

Noté que descubrir nuevos lados de una palabra era lo

mismo que descubrir nuevos lados del Ser.

Los paisajes comían en mi ojo.

 

XXV                (recuerdo)

 

Cerca del río tengo siete años.

(Pienso que el río me hermoseaba.)

Hallo vestigios de una voz de pájaro en las aguas.

Viajo en tren para el Internado.

Voy conversando pajaritos por la ventana del tren.

Un bedel raspó la cabeza de mi hermano en el internado.

Había un muro lleno de obstáculos.

Libertad había de ser saltar aquel muro.

Del otro lado habïa un pomar donde los mozos y las mozas

se encontraban y hacían hijos.

Nosotros nos manoseábamos.

En la Iglesia los padres reunían a los alumnos e intentaban

hablar en serio.

Pero yo siempre hallé mucha gracia cuando las personas

están hablando en serio.

Creo que ese es un defecto mïo visceral.

 

XXVI.

 

Después que atraviesen el muro y la tarde los caracoles

desistirán.

A veces desisten a la mitad.

Desisten de repente, porque se les acaba por dentro la baba

con que sangran sus caminos.

Vienen los niños y los arrancan de la pared huecos.

Y con hormigas por dentro paseando en sus restos de carne.

Esas hormigas son indóciles de huecos.

Ah, como serán ardientes en los caracoles los deseos de volar!

 

P.S.: Caracol es una soledad que anda en la pared.

 

XXVII.

 

Felpa

en el ojo de los pájaros.

Y este invierno que no acaba!

 

XXVIII.

 

Lodos ciñen mi exilio

Me desean

Intentan verdecer mis pies.

En sus piedras moran mis indicios.

 

XXIX.

 

La línea del horizonte casi roja

se estiraba desde una parte al este del cerro hasta una garza

real en la vera del río.

Un escarabajo intentaba alcanzar esa linea del horizonte

con sus ganchos de atrapar moscas.

Beligeraba como un guerrero medieval.

Luego después la linea oscureció.

Encontramos al escarabajo atrás de casa con las patas para

arriba.

Preguntaba: —Donde están los despojos del día?

 

XXX.

 

Detrás del vuelo de los patos siguen los restos del día...

 

XXXI.

 

Contemplo los engranajes de un muladar:

vísceras de colchones, cajones, tripas de aves etc.
La tripa es insigne!

Seduceme esa unión rastrera de las tripas con el musgo.

Seduceme el trono de los insectos.

 

XXXII.

 

Hay en los poetas un aura de vertedero?

 

XXXIII.            (recuerdo)

 

Un sujeto tenía una pierna de palo.

Su andar era oblicuo.

Su boca alcanzaba el canto.

Para avanzar en el puente, tenía que atravesar el río.

El río doblaba una pierna para que él pasara; mas él no

doblaba su pierna para pasar el rio.

De forma que nosotros, desde el barranco, permanecíamos,

de un modo asqueroso, esperando.

Era preciso amarrar una cuerda en la cintura del hombre y

después halar.

El hombre atravesaba el n

río como un pez arponeado por el

medio.

Pocos entendían casi nada; mas yo entendía un poco menos.

(Es así. Los desechos, al principio, no pasaban de restos de

hierba seca; después se tornanan la imagen de un pobre

hombre a la vera de un vertedero.)

 

Ese cojo era un pobre hombre a la vera de un vertedero.

 

XXXIV             (recuerdo)

 

En 1912,                            -

Entré a una secta desactivada cuyos miembros un poco

dementes

Se ocupaban de oír resonancias de ellos mismos en las

palabras

(igual que los loquitos cuando oyen paredes)

Comencé a saber menos sobre mis desencuentros.

Una porción de lodo forzó para abajo mi voz.

Aprendí que en el oscuro veo mejor

El rocío bendijo mi ojo.

 

P.S.: Ese es un trecho de la autobiografia

religiosa que estoy escribiendo para adornar la

noche de mi bien.

 

XXXV

 

La avispa amaneció

mojada sobre el vertedero.

El vuelo no aguanta más con ella.

 

XXXVI.

 

La voz de un pajarito me recita.

 

XXXVII.

 

Las guacamayas rayan las extensiones...

 

XXXVIII.

 

Hay por la tarde una disipación de aves.

 

XXXIX.

 

Vi la mosca de tul sempiterna

(Opulento conmigo ese rayo de luna...)

Vi un reptil de encajes y alamares

Las larvas de uniforme

Cucarachas de tocas pretextas

La brisa presa en el algodon

Y la vida de los prepucios minerales

 

XL.

Vi la tarde corriendo de los perros...

 

XLI.

Encolaban anémonas en el sol!

 

XLII.

 

-------------------------------------------

----------------------------------------

 Vi un éxtasis en el cisco!

         -------------------------------------

 

XLIII.

 

Llegan las golondrinas con vestigios de lluvias.

Ellas me desempeñan?

 

XLIV

 

Amúranse babosas frías en mis consonantes labiales.

 

XLV

 

Fui convidado por las aves para ser árbol.

Yo sufro preferencia por las piedras.

 

XLVI.

 

-------------------------------------------

Crece una ascesis en mi cuaderno.

---------------------------------------

--------------------------------

Voy a vender espinazo de mosca

         en el Helesponto?

 

XLVII.

 

Abejas novembrinas murmuran mi ojo.

 

XLVIII.

 

Sé de conchas en mí oyendo himnos.

Estoy en vano.

 

XLIX.

----------------------------------

------------------------------------------

Los cerros se agolondrinan largamente...

Yo me horizonto.

Yo soy el horizonte de esas garzas.

 

L.

 

Oh azaleas vehementes! Fin.

 

 

Extraídos da revista   DESHORA Revista de Poesía.  No. 8 Octubre de 2001 (Medellin, Colombia)

 

 

CUADERNO DE APRENDIZ

34

Él sabía que las cosas inútiles y los
hombres inútiles
se guardan en el abandono.
Los hombres en su própio abandono.
Y las cosas inútiles quedan para la poesia.

(Menino do mato (2010)  Traductor: ÓSCAR LIMACHE

 

Extraído de DIENTE DE LEÓN  - cipselas de difusión poética. N. 6, agosto de 2012.  Director: Óscar Limache.

Correios lançaram  selos da Série Relações Diplomáticas: Brasil – Nicarágua, que celebram os poetas Manoel de Barros e Rubén Darío, em 2016..

 

 

Página ampliada e republicada em janeiro e em setembro de 2009, ampliada e republicada em março de 2010. Ampliada e republicada em 2017.

 

 



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