FRANCISCO KAQ
Poeta e ensaista. Publicou Aresta/Hagoromo (Thesaurus, 1990), 1001 (Noosfera, 1997) e eu versus (7Letras, 1999). O quarto livro é POESIA APORIA. Editora 7, 2002.
Poesia aporia é um "poema de poemas", na definição do próprio autor, construído a partir da colagem de grandes poetas como Bandeira, Cabral, Augusto (Mallarmé)e Décio Pignatari. " É um poema da impossibilidade da poesia"
entre
ondas
anda – da
espuma
ond
eando
irrompe
nua a
anadi
ômene
•
assoma
assume
seu
sinuoso
reinar
(extraído de BRIC-A-BRAC. Brasília, 2007. Catálogo da exposição coordenada por Luis Turiba, com curadoria de Marilia Panitz, no Centro Cultural da Caixa.)
De
diz
Brasília: Casa das Musas, 2007
samba que
um corpo
a outro
quase
toca
o sol
suspenso
risca
a tarde
ao meio
um corpo
roça
outro
róseo
roçado
e o samba
faz-se
(que sarro)
ficam
tão rentes
surpreendidos
ao sol
passistas
do instante
sem lastro
***
vem
ver!
rente ao
pé do
olvido
ruído
raro
do dia
bulir da
errante
aurora
fulgor
que cai
em riste
na rua
vazia
a luz
ruir
ou rir
nos
cimos da
alegria
que à ira
se alia
LAMARCA
17.09.1971
chutam o
corpo morto
do desgraçado
enfim dócil
inerme
bem se sabe
que morto
(e só assim)
o comuna
é bom
chutam o
bom do
comuna
morto
enfim
tornado
(não há
muito)
menino bom
até parece
que o propalado
homem novo
esquálido
e já morto
se ri entre
esgares
de fato
não um só
mas dois
o capitão
vil traidor
e seu soldado
que seguem
na sina (não
na patente)
comum de
poeira
sangue
xingamentos
chutes
não reclamam
no entanto
nem despistam
pois mortos
os bons
comunas
nada falam
Página ampliada e republicada em março de 2008. ampliada e republicada em set. 2011.
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