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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HÉLIO PÓVOAS JÚNIOR 

Nasceu no  Rio Grande, Rio Grande do Sul, 19.04.1956, escreveu, entre outros, PURA LIRA(1993), SINTO MUITO(1993), sem dados biográficos completos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos publicados. Após os estudos primários em sua terra, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Formou-se em Letras Anglo-Germânicas. Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas. Mudou-se para Brasília. É encontrado no DICIONÁRIO DE ESCRITORES DE BRASILIA, de Napoleão Valadares. Secretário das Embaixadas do Brasil em Libreville (Gabão), na Santa Sé (Vaticano), em San José (Costa Rica), em Harare (Zimbábue). Membro de diversas entidades sociais, culturais e de classe. Participante de muitas coletâneas, dentre outras, ANTOLOGIA ERÓTICA, 1993, de Urhacy Faustino e Leila Miccolis.

poesia viva, lúcida, instigante(...)”   Carlos Nejar

Que notável experiência você faz, na linha de desmistificar a retórica poética, articulando na pauta da ironia e da citação a crítica dos hábitos literários. E mais: você persuade o leitor a gostar da arte impura”.   Fábio Lucas

“Li os seus poemas com interesse e com prazer. Eles dão testemunho não apenas de uma rica cultura literária mas também de um natural pendor para a cristalização de vivências reais ou imaginárias em artefatos de palavras que se concentram com finura e humor a fim de dar voz aos descorcertos da vida”.  José Paulo Paes 

De

PURALIRA

2ª. Ed. Brasília: Thesaurus, 1997.

 

DIAS CRÍTICOS

 

entre os parênteses de existir

(mas só em tais circunstâncias)

cometer algum verso

                                     em legítima defesa

 

entre intervalos do viver

— mas somente em tal interstício —

ousar com a lira e ponto

                                      em crime passional

 

sobreviver entre aspas

afinal “o inferno são os outros”

queima de arquivo: o eu-lírico

                                      em homicídio culposo

 

subsistir, uma vírgula!

entre o céu e aqui não há limites...

exaltado o-melhor-de-dois-mundos

                                      em atentado fatal

 

 

ESPIRAL

 

no mesmo bloco em que aponto

lembretes vários pra casa

me ocorre agora o poema

 

as mesmas linhas que encho

com pão xampu papel-higiênico

preencho agora com versos

 

na mesma folha em que traço

as necessidades mais básicas

refaço agora outro mapa

 

o mesmo espaço que abarca

valores cifras montantes

limita agora este canto

 

a mesma espiral suspendendo

doces desejos gulas

seca agora tinta fresca

 

 

BÚSSOLA

 

mar navegável, a página

                                      vai acolhendo tal molhe

naus já predestinadas

náufragos sem mais braçadas

 

deslizante oceano, qual folha

                                      dando boas-vindas: farol

a sensatos lobos-do-mar

e marujos de prima jornada

 

inexperto almirante, o poeta

                                      comanda fiéis galés

conhecendo a rota de cor

lhe arrastam desviantes sereias

 

 

ENFIM-ME

 

evitar-me a palavra estro

pra que não me conservem

na confraria dos vates

 

expurgar-me da frágil mimese

para que não me emplumem

no bando de aves raras

 

abster-me da fácil rima

pra que não me metam

no anal da arte: honorífício

 

 

MARCIAL

 

junto de ti

                            punhal recuado

sangue vertendo

 

dentro de ti

                            faca escondida

ferida viva

 

longe de ti

                            arma invisível

mortal saudade

 

(...)

 

 

Página publicada em fevereiro de 2008



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