REGINA POUCHAIN
Regina Pouchain é carioca, poeta, analista de imagens, designer gráfica, artista intermídia, pós-graduada em Filosofia da Ciência na UFRJ. Atualmente organiza arquivo de Poemas Visuais Nacionais e Internacionais, trabalhando na criação de Poemas Matemáticos, Cromatização de Poemas Virtuais e Fotopoemas. Em co-autoria com o poeta gráfico Wlademir Dias-Pino vem desenvolvendo há alguns anos o projeto Contrapoemas – fusão cibernética entre palavra e imagem. Editora do fanzine Sulfato Ferroso, mantém na internete, na área da visualidade, os blogs Sophotos e o zineblog Lambuja –
www.lambuja.blogspot.com www.sophotoscom.blogspot.com
VEJA TAMBÉM POETAS VISUAIS DA ARTISTA EM NOSSA PÁGINA
FLOR-TITÂNIO
Manhãs letais que crescem.
Amor estrangulado em âmbar.
Delírio de fogo que se encarna.
A voz minúscula e asmática,
Que brota dos interstícios da terra.
Corpo alterado, sofrimento retroativo.
Azul alarme, um piano irrompe.
Cidades agudas sangram alumínio.
Memórias agarradas ao que cavam.
Sob o silêncio desse ínfimo sábado.
Um derrame de mar vertical.
Musa de areia pilhada.
A boca engole o mergulho.
No alvo das imagens coagidas.
Coração pedra-pomes.
Um ego-ânsia magma invertido.
Feridas visuais, legendas átonas.
Esguio como o tempo.
Dor de guardar, alta, intacta.
Um cavalo de fogo desce a colina.
Mundo estrábico, excesso vocal.
O amor é cítrico.
Desligar é construir mundos.
Minúscula paisagem, ostentação simétrica.
Saara silêncio, sementes que desistem.
O mercúrio que sara o bote.
Eu, carne de papel, sangue de imagens
Cérebro capitular.
Entre sondas, vazios intangíveis.
O infinito escorre.
Pálpebras soberanas.
Sonora mulher nanquim.
Histórias no granito da pele.
O sal imantado das dúvidas.
Beijo alçapão, alegria acústica.
Ontologia para teus desenhos.
Os frutos que nos comem.
Vontade férrea, o mel e os tiros.
Envelhecer é cansar-se de trajetórias.
A juventude é geométrica.
Na artéria das palavras iradas.
Farpas invadem o poema.
Musa errática em clorofila.
Fraturas do vento abissal.
A beleza-limite que se desloca.
No cinza céu-da-boca da ausência.
Convulsões da febre caligráfica.
Na enlaçada volumetria do teu corpo.
O homem, um hiato entre duas dores:
Nascimento e morte.
Gravitar-te com escamas e seios góticos.
A loucura que em nós exubera.
As dimensões da insônia.
Vértebras do degelo.
No absoluto da singularidade:
Arte-apropriação.
Um relógio transtornado.
Ilhas ilegíveis fogem da luz.
Una como a morte.
Meia noite incomensurável.
Beijo as estepes de meus sonhos geológicos.
Humos: desejos que jazem.
Águas barrocas, ruptura concêntrica.
Espera sem raízes.
Anatomia da luz, silêncio celular.
A força íntima da minha substância.
Os homens e seus confins.
As gargantas da falta.
Um defunto que cresce com os anos.
Peixes que desistem dos cardumes.
Enigmas que só ele me propõe.
O vôo e a nervura-derme das linhas.
Ser intransferível.
Pisar uvas nos escombros.
Beijo perpendicular, aluvião.
Heroína imóvel arfando quedas.
Mulher rarefeita, asas pintadas turquesas.
Brochuras no vácuo entre
Dez mil metros de pvc.
No microcosmo da dor.
A terra invisível te esculpe.
Riso-calcário, boca- enxofre.
Soerguida pelas ervas.
O outono no rastro subterrâneo do teu corpo.
Se o que te cobre as entranhas é o mel das estrelas.
A areia espia tua passagem líquida.
Nua entre o nada e nada.
O nascimento funda a lágrima.
No sal-açúcar molecular de mim.
As pedras só esperam pelo sol.
TERNOESTATICOPOEMA
austenita cementita perlita
aços martensíticos ferríticos
corpos nossos liga inconel zirconio zircalloy
temperáveis seios meus
esferas torres em minha boca língua ternoestável
retificação fracionamento alternadores
vasos de absorção abraços teus compressores
nosso calor permutadores dedos dessalgadores
refinados dedos reatores tanques de acumulação
caldeiras fornos refervedores
beijos corrosivos beijos válvulas descontroladas
craqueamentos hidrodesulfurização
linhas de transferências tubulações
drenagens cremes óleos graxos íntimas destilações
liga níquel molibdênio cromo manganês
orgasmos bombas titânio
bombas de engrenagens bombas de fuso
helicoidais bombas de vácuo bombas centrífugas
diafragmas bombas
OXYPETALUM EX
oxype coria se salamacina
talum pachy bem como
conspec llatum fitosterina
cierum tênias tônus induzem
thaises tendras tentaculatas
tereba terebella terebrátula terebridae
tergo tergonya tetraymena tedroxina
tetrastigmata oxype coria se salamacina
NEW LINE
piritionato d pantenol
metilparabeno benzofenona
trietalomalina poliquaternário
hidrosilato protéico queratinina
cetílico trimetil amônio
izotiazolona polialquileno
ciclometicone carboxivinílico
ginko biloba hidantoína parabeno
lauril éter entretanto fenoxietanol
palmitato de octila por vezes hidroxipropil
dircaboxilato não obstante metilcelulose
dietalomalina seiva por vezes de mutamba
HORTO GRAPHIA
ibiris amara
vanda onomea
dracaena magarita
bromeliácea supervivum
passiflora alata
victoria rex
strelitzia reginae
pétrea volubilis
rosácea floribunda
Página publicada em maio de 2008
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