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MACHADO DE ASSIS

MACHADO DE ASSIS
(1839-1908)

 

Joaquim Maria Machado de Assis nasce a 21 de junho de 1839 na cidade do Rio de Janeiro. Autor dos mais notáveis romances escritos em língua portuguesa no Brasil, entre as quais se destacam os clássicos A  mão e a luva, Dom Casmurro, Memorial de Aires, Memória Póstuma de Brás CubasQuincas Borba. Suas Poesias Completas saem em 1901.

 

Leia também:  SONETO DE NATAL, de Machado de Assis, poema visual.

 

 

                                    Veja também:  POEMS IN PORTUGUESE & ENGLISH


MACHADO DE ASSIS

De
Machado de Assis
AMERICANAS
Rio de Janeiro: B. L.  Garnier, 1875.  210 p.

                     OS SEMEADORES
     
                            (SÉCULO XVI)

         Eis ahi sahiu o que semea a semear.

                                      MATH. XIII, 3

Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,
         O doce fructo e a flor,
Acaso esquecereis os asperos e amargos
         Tempos do semeador?

Rude era  o chão; agreste e longo aquelle dia:
         Contudo, esse heroes
Souberam resistir na afanosa porfia
         Aos temporaes e aos soes.

Poucos; mas a vontade os pouco multiplica,
         E a fé, e as orações
Fizeram transforma a terra pobre em rica
         E os centos em milhões

Nem somente o labor,  mas o perigo, a fome,
         O frio, a descalcez,
O morrer cada dia uma morte sem nome,
         O morrel-a, talvez.

Entre barbaras mãos, como se fôra crime,
         Como se fôra reu
Quem lhe ensinára aquella acção pura e sublime
         De as levanta ao ceu!

O´ Paulus do sertão !   Que dia e que batalha !
         Vencestel-a; e podeis
Entre as dobras dormir da secular mortalha;
         Vivereis, vivereis!



        

 

MUSA CONSOLATRIX

Que a mão do tempo e o hálito dos homens

Murchem a flor das ilusões da vida,

         Musa consoladora,

É no teu seio amigo e sossegado

Que o poeta respira o suave sono.

 

         Não há, não há contigo,

Nem dor aguda, nem sombrios ermos;

Da tua voz os namorados cantos

         Enchem, povoam tudo

De íntima paz, de vida e de conforto.

 

Ante esta voz que as dores adormece,

E muda o agudo espinho em flor cheirosa,

Que vales tu, desilusão dos homens?

         Tu que podes, ó tempo?

A alma triste do poeta sobrenada

         À enchente das angústias,

E. afrontando o rugido da tormenta,

Passa cantando, alcíone divina.

         Musa consoladora,

Quando da minha fronte de mancebo

A última ilusão cair, bem como

         Folha amarela e seca

Que ao chão atira a viração do outono,

         Ah! No teu seio amigo

Acolhe-me, — e haverá minha alma aflita,

Em vez de algumas ilusões que teve,

A paz,o último bem, último e puro!

  

 

O DESFECHO  

Prometeu sacudiu os braços manietados

E súplice pediu a eterna compaixão,

Ao ver o desfilar dos séculos que vão

Pausadamente, como um dobre de finados.

 

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião,

Uns cingidos de luz, outros ensangüentados ...

Súbito, sacudindo as asas de tufão,

Fita-lhe a águia em cima os olhos espantados.

 

Pela primeira vez a víscera do herói,

Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,

Deixou de renascer às raivas que a consomem.

 

Uma invisível mão as cadeias dilui;

Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;

Acabar o suplício e acabara o homem.

 

 

UMA CRIATURA  

Sei de uma criatura antiga e formidável,

Que a si mesma devora os membros e as entranhas

Com a sofreguidão da fome insaciável.

 

Habita juntamente os vales e as montanhas;

E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,

Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.

 

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;

Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,

Parece uma expansão de amor e de egoísmo.

 

Friamente contempla o desespero e o gozo,

Gosta do colibri, como gosta do verme,

E cinge ao coração o belo e o monstruoso.

 

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;

E caminha na terra imperturbável, como

Pelo vasto areal um vasto paquiderme.

 

Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo

Vem a folha, que lento e lento se desdobra,

Depois a flor, depois o suspirado pomo.  

 

Pois essa criatura está em toda a obra:

Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;

E é nesse destruir que as suas forças dobra.

 

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;

Começa e recomeça uma perpétua lida,

E sorrindo obedece ao divino estatuto.

Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a Vida.

 

                   SABINA

Sabina era mucama da fazenda;

Vinte anos tinha; e na província toda

Não havia mestiça mais à moda

Com suas roupas de cambraia e renda.

 

Cativa, não entrava na senzala,

Nem tinha mãos para o trabalho rude;

Desabrochava-lhe a sua juventude

Entre carinhos e afeições de sala.

 

Era cria da casa. A sinhá moça,

Que com ela brincou sendo menina,

Sobre todas amava esta Sabina,

Com esse ingênuo e puro amor da roça.

 

Dizem que à noite, a suspirar na cama,

Pensa nela o feitor; dizem que, um dia

Um hóspede que ali passado havia

Pôs um cordão no colo da mucama.

 

Mas que vale uma jóia no pescoço?

Não pôde haver o coração da bela.

Se alguém lhe acende os olhos de gazela,

É pessoa maior: é o senhor moço.

 

(...)

 

Página republicada em março de 2008

Metadados: Poesia negra; Negro na Poesia. Escravatura.

 

Recomendamos a leitura da obra:  ASSIS, MACHADO DE,  1839-1908.  MELHORES POEMAS/ MACHADO DE ASSIS; seleção de Alexei Bueno. São Paulo: Global, 2000.  153 p. (Os melhores poemas; 39) com uma excelente introdução do selecionador Alexei Bueno.

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O MÁXIMO E AS MÁXIMAS DE


De
Andrey do Amaral
O MÁXIMO E AS MÁXIMAS DE
MACHADO DE ASSIS
Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008
ISBN 978-85-7393-719-0

A PALMEIRA

 Ó palmeira, eu te saúdo,
Ó tronco valente e mudo,
Da natureza expressão!
Aqui te venho ofertar
Triste canto, que soltar
Vai meu triste coração.
Sim, bem triste, que pendida
Tenho a fonte amortecida,
Do pesar acabrunhada!
Sofro os rigores da sorte,
Das desgraças a mais forte
Nessa vida amargurada!

Extraído de: AMARAL, Andrey do. O máximo e as máximas de Machado de Assis (Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008)

Nota, oficialmente, esta é primeira poesia conhecida de Machado de Assis, de 15 de janeiro de 1855, mas descobriu-se poema anterior do poeta e romancista Machado de Assis, publicado em 1854 em jornal. É o soneto seguinte, sem título:

 

À Ilma. Sra. D. P. J. A

 Quem pode em um momento descrever
Tantas virtudes de que sois dotada
Que fazem dos viventes ser amada
Que mesmo em vida faz de amor morrer! 

O gênio que vos faz enobrecer,
Virtude e graças de que sois c’roada;
Vos fazem do esposo ser amada –
(Quanto é doce no mundo tal viver!)
A natureza nessa obra primorosa
Obra que dentre todas mais, brilha
Ostenta-se brilhante e majestosa!

 
Extraído de: AMARAL, Andrey do. O máximo e as máximas de Machado de Assis (Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008)

 

O VERME

Existe uma flor que encerra
Celeste orvalho e perfume.
Plantou-a em fecunda terra
Mão benéfica de um nume.

 Um verme asqueroso e feio,
Gerado em lodo mortal,
Busca esta flor virginal
E vai dormir-lhe no seio. 

Morde, sangra, rasga e mina,
Suga-lhe a vida e o alento;
A flor o cálix inclina;
As folhas, leva-as o vento, 

Depois, me resta o perfume
Nos ares da solidão...
Esta flor é o coração,
Aquele verme o ciúme.

  UMA CRIATURA

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.

Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas. 

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo. 

Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso. 

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.

 Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que as forças dobra. 

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a vida.

 

SONETO DE NATAL

 Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço Nazareno, –
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga, 

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço Nazareno. 

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu. 

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?” 

                                      J. M. M. Assis

 

Página ampliada e republicada em setembro de 2008

 

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