CLÁUDIO FELDMAN
Poeta, escritor e roteirista, professor aposentado de língua e literatura. Polígrafo!!!
Cruzei com o notável Cláudio Feldman uma única vez, nos idos de 1978, em Santo André, São Paulo, ocasião em que ele me dedicou um exemplar de seu livro “O rapto da mulher barbada”. Agora o reencontro na revista Ângulo que publica nossa amiga Olga de Sá, lá em Lorena, SP, estampado em forma de poema, que transcrevo para os nossos leitores. Cláudio é um talento ímpar, prolífico, versátil, divertido, criativo. Merece os adjetivos. Também trouxemos dois hai-kais dele do Jornal de Poesia. ANTONIO MIRANDA
ÁGUA CLARA
Que buscas, água clara dos caminhos.
Se os pesadelos do céu, multiplicados,
Ensangüentam seus dentes, e é teu canto
Nosso único jardim contra a loucura?
Que buscas, água clara dos caminhos,
Com teu fundo sabor de origem fria,
Se, forma sem forma, teu passado negas,
Quando sólidas pedras te geraram?
Que buscas, água clara dos caminhos.
Presa aos ritos da pressa, nos abismos
Onde os mortos turvam teus lençóis de linho?
Que buscas, água clara dos caminhos,
Quando as panteras da noite se conjuram
E dança em ti o luar desatinado?
Haicai
Seca
Corvos
Nos galhos curvos:
Únicas folhas.
Dia Lento
Dia lento:
Um velho cavalo
Subindo a encosta.
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