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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

PAULO NUNES BATISTA

(1924- 2019   ) 

 

poeta e escritor paraibano radicado em Anápolis, Goiás, editou 11 livros, sendo nove de poesia, um de ensaio e um de contos, além de mais de 150 folhetos como cordelista.  Membro da Academia Goiana de Letras e de outras instituições culturais.

 

“Nessa esteira de grande sonetistas, insere-se Paulo Nunes Batista, no domínio da forma poética, como poucos: — o soneto de Paulo Nunes nasce espontâneo, livre, natural, com beleza imagética e conteúdo.”

 

“E é esse lirismo, expressão maior do seu amor ao próximo, às coisas, à vida, o ponto mais alto da poesia de Paulo Nunes Batista, onde ele se despoja de compromissos ideológicos, para permitir que o poema surja pleno, límpido, cristalino”.

                   ALTIMAR DE ALENCAR PIMENTEL

 

 

BATISTA, Paulo Nunes.  Sonetos seletos.  Petrolina, PE: Editora e Gráfica Franciscana, 2005.   100 p.  14x21 cm. Col. A.M. 

(publicado por indicação de Nilto Maciel)

REFORMA

A casa velha, reformada, fica
limpa, cheirosa, sólida, habitável.
Viver em casa assim torna agradável
a vida, faz nossa existência rica.

A velhice, à matéria, danifica;
o mal torna o homem mais que miserável.
Torna-te bom, de tudo quanto amável
existe, tua vida, plenifica.

Faze a reforma do teu pensamento,
do teu desejo, do teu sentimento:
— Atira fora aquilo que não presta.

E deixa o Bem cobrir-te com sua Asa.
Quem se reforma, a si, reforma a Casa
de Deus — e faz, da vida, eterna morada.
 

 

SÊ COMO O LÓTUS

      Ao amigo Paulo Jaime

 

Sê como o lótus, que, a raiz, afunda,

lá, na abjeta escuridão do lodo

e, ao contato da luz, abre-se todo,

só fragrância e pureza, em flor jucunda.

 

A flor do lótus, na matéria imunda,

no milagre da flor, põe luz a rodo.

Transmuta, pois, a escuridão do engodo,

na Verdade — que é Deus e a tudo inunda.

 

Às trevas, como o lótus, não maldigas.

Acende a tua humílima velinha

e aguarda a ajuda de outras mãos amigas.

 

Em vez de blasfemares, vai, caminha.

Ama e serve, que lótus, na alma abrigas

e o Amor de Deus não deixa a alma sozinha...

 

 

VELHAS PRAIAS

      A Francisco Miguel de Moura

 

Ó minhas alvas praias nordestinas,

enfeitadas com velas de jangadas,

que, sobre o mar, vão leves, enfunadas

ao vento bom das ilusões meninas.

 

Praias perdidas na longínqua infância,

mas que retornam na sutil fragrância,

no adeus dos coqueirais, que o ser me invade...

 

Praias de brisas mansas soluçando...

Os olhos do Menino marejando...

E o coração chorando de saudade...

 

 

A ASA DA NOITE

 

A asa da noite vem, devagarinho,

adormecendo os seres, no abandono

desse torpor onírico do sono,

que deixa o ser humano mais sozinho;

 

e traz, no manto, a embriaguez do vinho;

da música do sonho, traz o abono.

O seu poder, de nós, se faz o dono

e abre caminhos para o descaminho.

 

A asa da noite, ungida de segredo,

se, às vezes, traz a sensação de medo,

é dádiva dos céus, óbolo santo:

 

— Ao vir da sombra, o corpo se enlanguece,

mas a alma sai de nós tal como prece,

agradecendo a Deus por todo canto.

 

  

MEU DIA

 

Meu dia, às vezes, passa tão de manso,

que nem lhe noto os fatos e acidentes.

Comparo esses meus dias a repentes,

que vou compondo e de que não me canso.

 

É como água de rio sem remanso,

que desliza no leito suavemente.

Borboletas pousando docemente

ou valsa lenta que sonhando danço.

 

De repente, lá surge a tempestade.

E o dia, que era calmo, então se agita

em cachoeiras de intranqüilidade.

 

Mas, depois disso, volta a santa calma.

E vou rolando assim, face bendita,

a refletir a paz que sinto na alma.

 

 

 

Extraído de

JORNAL DA ANE – Associação Nacional de Escritores.  Ano XII – no. 86, junho/julho 2018 -   p. 9

 

         DA PARAÍBA, EU SOU

         Não sou daqui, sou lá de João Pessoa,
         da Paraíba, do Nordeste quente,
         terra que para sempre põe na gente
         esse jeito de amar, que a vida é boa...

         Regresso para o Mar, sonhando à toa
         com Tambaú, onde vivi contente...
         a infância de Menino, diferente
         de tudo o que não vale a menor loa.

         Volto pro Mar, onde brinquei, criança,
         praias que trago sempre na lembrança,
         levado pelas asas da Utopia.

         Morro por tudo o que vivi lutando,
         o mundo justo para todos, quando
         reinar na Terra o Amor junto à Poesia.

 

 

SONETOS. v.2. Jaboatão dos Guararapes, PE: Editora Guararapes EGM, s.d.  151 - 310 p.  16,5 x 11  cm.  ilus. col.  Editor: Edson Guedes de Moraes. Inclui 171 sonetos de uma centena de poetas brasileiros e portugueses.  Ex. bibl. Antonio Miranda 

        

        

       MEMÓRIA  

       As Graciemas, Ritas, Margaridas
que amei nos devaneios da Loucura
E que a Asa do Amor ainda procura
Nos alongados vai-e-vens das vidas...
 

        Carícias perfumadas e atrevidas
Até cansar, no Olho da noite escura
E a sensação depois de uma Lonjura
Que guarda as nossas ânsias escondidas.

        Esses muitos que fomos, na verdade,
Perderam-se nos mares da Distância
Atrás da Ilha da Felicidade...
 

        Menino Marinheiro lá na infância
Chegas a mim vestido de Saudade
Desse tempo de sonho e de fragância.

 

 

 

 

Veja também o E-Book:

BATISTA, Paulo Nunes.  Reforma. Jaboatão, PE: Editora Guararapes, 2015.  24 p.  20X13 cm  Editor: Edson Guedes de Moraes. Inclui a resenha crítica de Maria do Socorro Xavier sobre o autor.  Edição artesanal.



 


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