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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

PAULO NUNES BATISTA

(1924-     ) 

 

poeta e escritor paraibano radicado em Anápolis, Goiás, editou 11 livros, sendo nove de poesia, um de ensaio e um de contos, além de mais de 150 folhetos como cordelista.  Membro da Academia Goiana de Letras e de outras instituições culturais.

 

“Nessa esteira de grande sonetistas, insere-se Paulo Nunes Batista, no domínio da forma poética, como poucos: — o soneto de Paulo Nunes nasce espontâneo, livre, natural, com beleza imagética e conteúdo.”

 

“E é esse lirismo, expressão maior do seu amor ao próximo, às coisas, à vida, o ponto mais alto da poesia de Paulo Nunes Batista, onde ele se despoja de compromissos ideológicos, para permitir que o poema surja pleno, límpido, cristalino”.

                                                                            ALTIMAR DE ALENCAR PIMENTEL

 

 

SÊ COMO O LÓTUS

      Ao amigo Paulo Jaime

 

Sê como o lótus, que, a raiz, afunda,

lá, na abjeta escuridão do lodo

e, ao contato da luz, abre-se todo,

só fragrância e pureza, em flor jucunda.

 

A flor do lótus, na matéria imunda,

no milagre da flor, põe luz a rodo.

Transmuta, pois, a escuridão do engodo,

na Verdade — que é Deus e a tudo inunda.

 

Às trevas, como o lótus, não maldigas.

Acende a tua humílima velinha

e aguarda a ajuda de outras mãos amigas.

 

Em vez de blasfemares, vai, caminha.

Ama e serve, que lótus, na alma abrigas

e o Amor de Deus não deixa a alma sozinha...

 

 

VELHAS PRAIAS

      A Francisco Miguel de Moura

 

Ó minhas alvas praias nordestinas,

enfeitadas com velas de jangadas,

que, sobre o mar, vão leves, enfunadas

ao vento bom das ilusões meninas.

 

Praias perdidas na longínqua infância,

mas que retornam na sutil fragrância,

no adeus dos coqueirais, que o ser me invade...

 

Praias de brisas mansas soluçando...

Os olhos do Menino marejando...

E o coração chorando de saudade...

 

 

A ASA DA NOITE

 

A asa da noite vem, devagarinho,

adormecendo os seres, no abandono

desse torpor onírico do sono,

que deixa o ser humano mais sozinho;

 

e traz, no manto, a embriaguez do vinho;

da música do sonho, traz o abono.

O seu poder, de nós, se faz o dono

e abre caminhos para o descaminho.

 

A asa da noite, ungida de segredo,

se, às vezes, traz a sensação de medo,

é dádiva dos céus, óbolo santo:

 

— Ao vir da sombra, o corpo se enlanguece,

mas a alma sai de nós tal como prece,

agradecendo a Deus por todo canto.

 

  

MEU DIA

 

Meu dia, às vezes, passa tão de manso,

que nem lhe noto os fatos e acidentes.

Comparo esses meus dias a repentes,

que vou compondo e de que não me canso.

 

É como água de rio sem remanso,

que desliza no leito suavemente.

Borboletas pousando docemente

ou valsa lenta que sonhando danço.

 

De repente, lá surge a tempestade.

E o dia, que era calmo, então se agita

em cachoeiras de intranqüilidade.

 

Mas, depois disso, volta a santa calma.

E vou rolando assim, face bendita,

a refletir a paz que sinto na alma.

 


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