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PAULO NUNES BATISTA (1924- )
poeta e escritor paraibano radicado em Anápolis, Goiás, editou 11 livros, sendo nove de poesia, um de ensaio e um de contos, além de mais de 150 folhetos como cordelista. Membro da Academia Goiana de Letras e de outras instituições culturais.
“Nessa esteira de grande sonetistas, insere-se Paulo Nunes Batista, no domínio da forma poética, como poucos: — o soneto de Paulo Nunes nasce espontâneo, livre, natural, com beleza imagética e conteúdo.”
“E é esse lirismo, expressão maior do seu amor ao próximo, às coisas, à vida, o ponto mais alto da poesia de Paulo Nunes Batista, onde ele se despoja de compromissos ideológicos, para permitir que o poema surja pleno, límpido, cristalino”. ALTIMAR DE ALENCAR PIMENTEL
SÊ COMO O LÓTUS Ao amigo Paulo Jaime
Sê como o lótus, que, a raiz, afunda, lá, na abjeta escuridão do lodo e, ao contato da luz, abre-se todo, só fragrância e pureza, em flor jucunda.
A flor do lótus, na matéria imunda, no milagre da flor, põe luz a rodo. Transmuta, pois, a escuridão do engodo, na Verdade — que é Deus e a tudo inunda.
Às trevas, como o lótus, não maldigas. Acende a tua humílima velinha e aguarda a ajuda de outras mãos amigas.
Em vez de blasfemares, vai, caminha. Ama e serve, que lótus, na alma abrigas e o Amor de Deus não deixa a alma sozinha...
VELHAS PRAIAS A Francisco Miguel de Moura
Ó minhas alvas praias nordestinas, enfeitadas com velas de jangadas, que, sobre o mar, vão leves, enfunadas ao vento bom das ilusões meninas.
Praias perdidas na longínqua infância, mas que retornam na sutil fragrância, no adeus dos coqueirais, que o ser me invade...
Praias de brisas mansas soluçando... Os olhos do Menino marejando... E o coração chorando de saudade...
A ASA DA NOITE
A asa da noite vem, devagarinho, adormecendo os seres, no abandono desse torpor onírico do sono, que deixa o ser humano mais sozinho;
e traz, no manto, a embriaguez do vinho; da música do sonho, traz o abono. O seu poder, de nós, se faz o dono e abre caminhos para o descaminho.
A asa da noite, ungida de segredo, se, às vezes, traz a sensação de medo, é dádiva dos céus, óbolo santo:
— Ao vir da sombra, o corpo se enlanguece, mas a alma sai de nós tal como prece, agradecendo a Deus por todo canto.
MEU DIA
Meu dia, às vezes, passa tão de manso, que nem lhe noto os fatos e acidentes. Comparo esses meus dias a repentes, que vou compondo e de que não me canso.
É como água de rio sem remanso, que desliza no leito suavemente. Borboletas pousando docemente ou valsa lenta que sonhando danço.
De repente, lá surge a tempestade. E o dia, que era calmo, então se agita em cachoeiras de intranqüilidade.
Mas, depois disso, volta a santa calma. E vou rolando assim, face bendita, a refletir a paz que sinto na alma.
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