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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JULIO CORTÁZAR
 (1914-1984).

Um dos mais importantes escritores argentinos de seu século,  publicou inicialmente o livro de sonetos Presencia.  Em 1949 aparece sua obra dramática Los Reyes, e em seguida  Bestiario. Escreveu ainda, entre outros, Los Premios,  Rayuela, 62/Modelo para Armar, Último Round e Libro de Manuel.

TEXTO EN ESPAÑOL y/e TEXTO EM PORTUGUÊS

OS AMANTES
 
        Tradução de José Jeronymo Rivera
 
 Quem os vê andar pela cidade
 se todos estão cegos?
 Eles se tomam as mãos: algo fala
 entre seus dedos, línguas doces
 lambem a úmida palma, correm pelas falanges,
 e acima a noite está cheia de olhos.
 
 São os amantes, sua ilha flutua à deriva
 rumo a mortes na relva, rumo a portos
 que se abrem nos lençóis.
 Tudo se desordena por entre eles,
 tudo encontra seu signo escamoteado;
 porém eles nem mesmo sabem
 que enquanto rodam em sua amarga arena
 há uma pausa na criação do nada
 o tigre é um jardim que brinca.
 
 Amanhece nos caminhões de lixo,
 começam a sair os cegos,
 o ministério abre suas portas.
 Os amantes cansados se fitam e se tocam
 uma vez mais antes de haurir o dia.
 
 Já estão vestidos, já se vão pela rua.
 E só então,
 quando estão mortos, quando estão vestidos,
 é que a cidade os recupera hipócrita
 e lhes impõe os seus deveres quotidianos.

 
 LOS AMANTES
 
 ¿Quién los ve andar por la ciudad
 si están todos ciegos?
 Ellos se toman de la mano: algo habla
 entre sus dedos, lenguas dulces
 lamen la  húmeda palma, corren por las falanges,
 y arriba está la noche llena de ojos.
 
 Son los amantes, su isla flota a la deriva
 hacia muertes de césped, hacia  puertos
 que se abren entre sábanas.
 Todo se desordena a través de ellos,
 toda encuentra su cifra escamoteada;
 pero ellos ni siquiera saben
 que mientras ruedan en su amarga arena
 hay una pausa en la obra de la nada,
 el tigre es un jardín que juega.
 
 Amanece en los carros de basura,
 empiezan a salir los ciegos,
 el ministerio abre sus puertas.
 Los amantes rendidos se miran y se tocan
 una vez más antes de oler el día.
 
 Ya están vestidos, ya se van por la calle.
 Y es sólo entonces
 cuando están muertos, cuando están vestidos,
 que la ciudad los recupera hipócrita
 y les impone los deberes cotidianos.

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Z I P   S O N N E T

         Soneto de JULIO CORTAZAR

 

de arriba abajo o bien de abajo arriba
de cima abaixo ou já de baixo acima
este camino lleva hacia sí mismo
este caminho é o mesmo em seu tropismo
simulacro de cima ante el abismo
simulacro de cimo frente o abismo
árbol que se levanta o se derriba
árvore que ora alteia ora declina

quien en la alterna imagen lo conciba
quem na dupla figura assim o imprima
será el poeta de este paroxismo
será o poeta deste paroxismo
en un amanecer de cataclismo
num desanoitecer de cataclismo
náufrago que a la arena al fin arriba
náufrago que na areia ao fim reclina

vanamente eludiendo su reflejo
iludido a eludir o seu reflexo
antagonista de la simetría
contraventor da própria simetria
para llegar hasta el dorado gajo
ao ramo de ouro erguendo o alterno braço

visionario amarrándose a un espejo
visionário a que o espelho empresta um nexo
obstinado hacedor de la poesía
refator contumaz desta poesia
de abajo arriba o bien de arriba abajo
de baixo acima ou já de cima abaixo

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(Contraversão com várias licenças
por Haroldo de Campos)

Publicado originalmente na revista ATRAVÉS. 2,
Livraria Duas Cidades, São Paulo, 1978, p.104
onde o autor descreve e justifica a tradução.

De
Julio Cortázar
ÚLTIMO ROUND – tomo I

Trad. Ari Roitman e Paulina Wacht
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009

ISBN 978-85-200-0639-9

 

Os deuses

 

Os deuses caminham entre coisas pisoteadas, segurando

as pontas dos seus mantos com gesto de asco.

Entre gatos podres, entre larvas abertas e acordeões,

sentindo nas sandálias a umidade dos farrapos corrompidos,

os vômitos do tempo.

 

 

Em seu céu despido já não moram, lançados

fora de si por uma dor, um sonho turvo,

estão feridos de pesadelo e lama, parando

para recontar seus mortos, as nuvens ao contrário,

os cães de língua quebrada,

 

a espreitar invejosos o abismo

onde ratos eretos disputam chiando

pedaços de bandeiras.

 

 

VIAGEM INFINITA

para quem com seu incêndio te ilumina,
cósmico caracol de azul sonoro,
branco que vibra um címbalo de ouro,
último trecho da lâmina fina.


a mão que te busca na penumbra
se detém na tépida encruzilhada
onde musgo e coral guardam a entrada
e um rio de pirilampos te alumbra,


sim, portulano, da esmeralda o fulgor,
sirte e fanal nua mesma bandeja
quando a boca navegante beija
a poça mais profunda do teu dorso,


suave canaibalismo que devora
sua presa que o dança no abismo ermo,
oh, labirinto exato de si mesmo
onde o pavor das delícias mora


água para a sede de quem te viaja
enquanto a luz que junto ao leito vela
desce às tuas coxas sua úmida gazela
e por fim a trêmula flor escacha

 

Página ampliada e republicaa em novembro de 2009

 

 

 

 

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