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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CESAR ARíSTIDES

 

Nació en la Ciudad de México en 1967. Poeta mexicano y reseñista literario, ha publicado, entre otros: Duelos y alabanzas (2002), Evocación del desterrado (2003), Murciélagos y redención (Premio Latinoamericano de Poesía “Benemérito de América”, 2004).

 

TEXTO EM ESPAÑOL  -  TEXTO EM PORTUGUÊS

 

EL TORO DE SAN LUCAS EVANGELISTA

 

                                                 a Octavio Paz

 

Yo veía a Satanás caer del cielo

como un rayo, mirad, os he dado el

poder de pisar sobre serpientes y

escorpiones, y sobre todo poder del

enemigo, y nada os podrá hacer daño:

pero no os alegréis de que los

espíritus se os sometan; alegraos

de que vuestos nombres estén

escritos en los cielos.

            Palabras de Jesucristo

            en el Evangelio según San Lucas
            (X-18, 19, 20)


Inmaculado en la hiel del Altísimo

hace del pecado cabriola alumbrada

violenta y extática luna de regios huesos

la cornamenta del toro es mujer perniabierta

mordida amargamente por la expiación

bufa se enreda en un rosario

desangra frentes y añoranzas

matiza con su baba prodigiosa los desvelos

por la desbordante nervadura

como en devota procesión

que recorre su cuero blanquinegro

avanza voluptuoso carnaval

puedo mirar cómo sus recias patas

erigen un templo

su lomo sobado por la gracia solar

otorga un municipio clemente

donde la bruma y la brama

sus manchas de res almibarada

por el ayuntamiento de calabozos y nubes

son relicarios que hipnotizan a dios padre

sus ojos estupefactos

ventanas conventuales

pezones diamantinos

de virgen que fecunda mi paladar

puedes encontrar en la expresión tristísima

del toro otoñal de San Lucas Evangelista

el gesto mártir o el consuelo del idiota        I

 

la parábola asesina la perversión confesada

pero no te burles y cuida tus delirios

porque sabe ser rey insolente

cautivo en la fortuna de castigos indecibles

te perseguirá implacable  

aunque destroce milpas    

desatienda el remanso 

incendie con su sangre el pastizal     

carcomerá tus muslos triturará tu adobe 

ni caso hará del Médico Amado 

su bondadoso tutor

pues no encuentra en su sino justiciero

la absolución terrenal la ostia conciliatoria 

yo sé por experiencia que escupir la tumba

maldecir su cornamenta  

o mofarse de su semblante de agua bendita

es más terrible

que fornicar con la madre sonámbula

o acuchillar a los hijos

azótame toro misericordioso

si sostengo una mentira

ahora sola converso

con mis piernas sepulcrales

sobre un carromato desvencijado

pues loca por engullir el dardo amoroso

ajena sensualidad a mis nervios

cedí al brebaje concupiscente

olvidándome de mis criaturas

adúltera quise burlarme de la bestia

no menos sagrada

en el magnífico terruño paternal

que las deidades fundamentales del Oriente.

 

27 de diciembre de 1994

Día de la Creación

 

Texto extraído de:

 

 

BESTIARIO INMEDIATO – muestra de poesia mexicana contemporânea. Prólogo y compilación César Arístides.  Ciudad de México: Ediciones Coyoacán, 2000.  129 p. +7 hojas. 13x21 cm.  Ilustraciones: Juan Manuel Ramos López.  ISBN 970-633-171-9  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

TEXTO EM PORTUGUÊS
Tradução de Antonio Miranda

 

 

O TOURO DE SÃO LUCAS EVANGELISTA

                                                   A Octavio Paz

        Eu via Satanás cair do céu
          como um raio, dei-lhes o
          poder de pisar as serpentes e
          escorpiões, e sobretudo o poder do
          inimigo, e nada poderá causar-vos dano;
          não vos alegreis de que os
          espíritos os submetam; alegrai-vos
          de que vossos nomes estejam
          escritos nos céus.

 

                              Palavras de Jesus Cristo segundo São Lucas (X – 18,19,20)


Imaculado na bílis do Altíssimo
faz o pecado cambalhota iluminada
violenta e estática lua de rijos ossos
a galhada do touro é mulher perna aberta
mordida amargamente pela expiação
bufa se enreda em um rosário
dessangra frentes e lembranças
matiza  cores sua baba prodigiosa os zelos
pela desbordante nervura
como numa devota procissão
que recorre seu coro alvinegro
avança voluptuoso carnaval
poder ver como as rijas patas
erguem um templo
seu lombo sovado pela ventura solar
suas manchas de rês caramelada
pela mescla de calabouço e nuvens
são relicários que hipnotizam a deus padre
seus olhos estupefatos
janelas conventuais
mamilos diamantinos
de virgem que fecunda meu paladar
podes encontrar na tristíssima expressão
do touro outonal de São Lucas Evangelista
o gesto mártir ou o consolo do idiota
a parábola assassina a perversão assumida
mas não burles e cuida os teus delírios
porque sabe ser rei insolente
cativo na fortuna de castigos indizíveis
te perseguiria implacável
mesmo que destrua os milharais
desatenda o remanso
incendeie com sangue o pasto
um carcomer teus músculos triturará teu adobe
em dar atenção do Médico Amado
seu generoso tutor
pois não encontra em sua sina justiceira
a absolvição terrena a hóstia conciliatória
e seu por experiência que cuspir o túmulo
maldizer sua galhada
ou mofar-se de seu semblante de água benta
é mais terrível
que fornicar com a mãe sonâmbula
ou esfaquear os filhos
acoita-me touro misericordioso
se sustento uma mentira
agora apenas converso
com minhas pernas sepulcrais
sobre uma carroça desconjuntada
já louca por engolir o dardo amoroso
alheia sensualidade em meus nervos
cedi à beberagem concupiscente
esquecendo-me de minhas criaturas
adúltera quis burlar-me da besta
não menos sagrada
no magnífico chão paternal
que as deidades fundamentais do Oriente.

                    27 de dezembro de 1994
                    Dia da Criação



Página publicada em novembro de 2013


 

 

 
 
 
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