POESIA PERNAMBUCANA
Coordenação de Lourdes Sarmento
LUCIENE FREITAS
É pernambucana e tem publicados os seguintes livros: Explosão (poesias); A Dança da Vida (parábolas e contos); Mil Flores (poesias). Encenado no Teatro do SESC em 2004; O Sorriso e o Olhar (parábolas, contos e crônicas); Meu Caminho, textos para reflexão; Uma Guerreira no Tempo, (pesquisa). O resgate de uma época – 1903-1950; a vida e a obra da escritora Martha de Hollanda, primeira eleitora pernambucana. Premiado pela Academia Pernambucana de Letras, em janeiro de 2005; Viagem dos Saltimbancos Escritores pelos Recantos do Nordeste, (cordel); Mergulho Profundo, 264 pensamentos filosóficos, de momentos vários. Brincando Só e Brincando de Faz de Conta, Vol. I e II da série No Ritmo da Rima. Uma viagem por um mundo colorido por crianças, onde a poesia faz a história; O Espelho do Tempo, romance de pura emoção. O consciente e o inconsciente são revirados nas fraquezas humanas. A personagem, Salomé, faz uma caminhada pelo tempo com o desejo de replantar a semente da criação e mudar o mundo; Sob a Ótica das Meninas, 42 contos de um tempo determinado. A inocência e a astúcia leva os leitores a se envolver, rir ou emocionar-se.
Tem trabalhos publicados em jornais e revistas do Brasil, Portugal e Argentina. Participações em várias antologias. Conta com alguns prêmios literários.
Pertence ao quadro de sócios da União Brasileira de Escritores (UBE– PE); União Brasileira de Trovadores (UBT– PE); Instituto Histórico e Geográfico da Vitória, Vitória – PE; Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciências da Vitória de Santo Antão; Grupo Literário Celina de Holanda. Membro correspondente da Academia Irajaense de Letras e Artes (AILA) Irajá / RJ e Academia de Letras de Itapoá / SC.
A CHUVA E O POETA
Nuvens choram, manhosamente, na tarde fria,
Singular cortina, de sombras, forma a neblina.
Insistentes gotas, ritmadas, escorrem em nostalgia
Formando espelhos d’água em poças cristalinas.
E na magia da queda de cada gota, que reluz,
O ventre da terra intumesce. A natureza arde.
O poeta é mariposa desvairada, volteando a luz.
Recita versos, enternecidos, colorindo a tarde.
Um piano em leves acordes compassados
Ressoa longe, o mavioso som de uma valsa.
Em melodia festiva os pingos cadenciados
Arrastam a tristeza. Só a chuva é que não passa!
O poeta diz – Não há trevas! Há luz na poesia.
Em versos de louvor canta a Natureza em festa,
Sob a cinzenta luz de artifício. Sem melancolia
Louva as estrelas, escondidas, atrás das arestas.
Serpenteando a terra corre a água em fino fio,
Em ondas reluzentes, enquanto interage o vento.
Os sapos, em estribilho, festejam a chegada do frio,
Enquanto o poeta faz versos de encantamento.
As folhas orvalhadas têm o brilho de estrelas
Realçam o verde, limpo, lavado pelos pingos.
Numa oração, em coro, os poetas bendizem vê-las
E desfiam, embevecidos, em rimas o cantar divino.
CÂNTICO AO SOL
Quando o sol desponta, nascendo para o dia, canto.
Dissipam-se desditas, enfileiradas sombras vão sumindo.
Apresento-me ao mundo de braços abertos. Rindo
ao ver desabrochar a inocência, sem rumor de pranto.
Quando o sol brilha sobre o céu azul, tal qual um manto
de luz dourada, desdobrando em claridade o firmamento.
Corro em alamedas de flores multicores, ó encantamento
e o pensamento acompanha a aurora no manifesto santo.
Quando o sol esclarece as trevas me alegro tanto,
passo à limpo o caminhar, bendigo os dons que recebi,
de joelhos agradeço, enternecida, os dias que vivi
e novas estradas percorro em busca de encanto.
Quando o sol no horizonte desce, eu já não me espanto.
Sem o anoitecer não há o novo dia. Tudo é tão breve.
O amanhecer é abraço de esperança, beijo de brisa leve,
translação de almas caminhantes da luz, em canto.
(2.º lugar no Concurso Literário Josepha Máximo Ferreira. UBE – PE. Recife, 07-06- 2006.)
QUERIA
Ser como a água:
na visão, a transparência do mundo;
sem muralhas que a impeça
de expandir-se.
Pra quê os limites?
Formalidades,
banalidades!
Descer por estreitos rios
buscando respostas
nas encostas.
De prata ser o fio
que escorrega na pedra;
saciar a sede que medra
do teu corpo e
suavemente,
amavelmente,
desaguar em ti.
5.º Lugar no Concurso Poesias de Amor. Varginha / MG. 25-03- 2002. |