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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

NOEL ROSA

 

 

Tentando concentrar as observações (...) num único texto de Noel, vejamos de que maneira o “antiliterário”, as expressões corriqueiras, o humor, as soluções imprevistas e outros efeitos, estão presentes neste poeta tanto quanto nos modernistas.”   AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA

 

 

CONVERSA DE BOTEQUIM

 

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa

uma boa média que não seja requentada

um pão bem quente com manteiga à beça

um guardanapo e um copo d´água bem gelada.

Feche a porta da direita com muito cuidado

que não estou disposto a ficar exposto ao sol.

Vá perguntar ao seu freguês do lado

qual o resultado do futebol.

 

Se você ficar limpando a mesa

não levanto nem pago a despesa

vá pedir ao seu patrão

uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão.

 

Não se esqueça de me dar palito

e um cigarro pra espantar mosquito.

Vá dizer ao charuteiro

que me empreste uma revista, um cinzeiro e um isqueiro.

 

Telefone ao menos uma vez

para 34-4333

e ordene ao seu Osório

que me mande um guarda-chuva aqui pro nosso escritório.

 

Seu garçom me empreste algum dinheiro

que eu deixei o meu com o bicheiro

vá dizer ao seu gerente

que pendure esta despesa no cabide ali em frente...

 

 

 

 

“Os versos correm livremente numa interação com a música dando uma sensação de improviso e naturalidade. (...) A linguagem é  mais prosaica possível. (...)

Igualmente, no Modernismo, os poetas redescobriram a língua que se falava no país, abrasileiram a sintaxe, a semântica e o vocabulário na tentativa de se alcançar aquilo que se chamou “língua brasileira” — conforme as muitas tentativas de Mário de Andrade, principalmente. Descobriu-se a ineficácia do conceito de  “palavra poética”. O poético nascia do contexto, da maneira de se empregar esse ou aquele termo, no estranhamento que o poema trazia ao seu leitor.” (...) “utiliza-se de um efeito ainda mais raro rimando números com palavras (...)”

 

“O Modernismo, por sua vez, fez pouco caso da rima e desprezou a métrica, revelando outro tipo de musicalidade. / O sentido da liberação e espontaneidade da construção musical e textual em Noel Rosa levou-o a assumir certos riscos e experiências muito de acordo como o exercício lúdico de qualquer criador. Cite-se o samba do “Gago”.

 

 

GAGO APAIXONADO

 

Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago

Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago

Não po-posso com a cru-crueldade da saudade

Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago

 

Tem tem pe-pena deste mo-moribundo

Que que já virou va-va-va-va-ga-gabundo

Só só só só por ter so-so-sofri-frido

Tu tu tu tu tu tu tu tu

Tu tens um co-coração fi-fi-fingido

 

Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago

Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago

Não po-posso com a cru-crueldade da saudade

Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago

 

Teu teu co-coração me entregaste

De-de-pois-pois de mim tu to-toma-maste

Tu-tua falsi-si-sidade é pro-profunda

Tu tu tu tu tu tu tu tu

Tu vais fi-fi-ficar corcunda!

 

 

 

 

 

AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA, in Música popular e moderna poesia brasileira. Petrópolis: Vozes, 1978. 

 

 

A.b. Surdo - Marcha Maluca

 

Nasci na Praia do Vizinho, 86

Vai fazer um mês

(Vai fazer um mês)

Que minha tia me emprestou cinco mil réis

Pra comprar pastéis

(Pra comprar pastéis)

 

É futurismo, menina,

É futurismo, menina,

Pois não é marcha

Nem aqui nem lá na China

 

Depois mudei-me para a Praia do Cajú

Para descansar

(Para descansar)

No cemitério toda gente pra viver

Tem que falecer

(Tem que falecer)

 

Seu Dromedário é um poeta de juízo

É uma coisa louca

(É uma coisa louca)

Pois só faz versos quando a lua vem saindo

Lá do céu da boca

(Lá do céu da boca)

 

 

 

 

MÁXIMO, João; DIDIER, Carlos.  Noel Rosa: uma biografia.  Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1990.;  533 p.  ilus. 20,5x27 cm.   ISBN 85-230-0254-5   “Edição Comemorativa do 80º aniversário de nascimento de Noel Rosa (1901-1937)”.  Ex. bibl. Antonio Miranda
         

Esta é a mais ampla e completa biografia do gênio musical da Vila Isabel — Noel Rosa. A Parte I cobre o período 1834-1910, a Parte II de 1910-1928, Parte III: 1929-  1934, Parte IV: janeiro – abril 1935, Parte V: abril 1935-1937 e Parte VI, maio 1937 e a Posteridade. Cobre toda a musicografia/Discografia do autor, sua participação no Cinema e Televisão, além de incluir uma vasta Bibliografia.

Um dos comentários do livro (fragmento):

“(...) Malandro Medroso ficará mesmo como um dos bons trabalhos do começo da carreira de Noel Rosa, exemplo de sua preocupação com a originalidade, ponto de contato com um mundo que o fascina:”

 

MALANDRO MEDROSO

Eu devo, não quero negar
Mas te pagarei quando puder,
Se o jogo permitir,
Se a polícia consentir
E se Deus quiser...
Não pensa que eu fui ingrato,
Nem que fiz triste papel,
Hoje vi que o medo é um fato
E eu não quero um pugilato
Com teu velho coronel.

A consciência agora que me doeu
Eu evito a concorrência
Quem gosta de mim sou eu!
Neste momento, eu saudoso me retiro,
Pois teu velho é ciumento
E pode me dar um tiro.

Se um dia ficares no mundo,
Sem ter nesta vida mais ninguém,
Hei de te dar meu carinho,
Onde um tem seu cantinho
Dois vivem também...
Tu podes guardar o que eu te digo
Contando com a gratidão
E com o braço habilidoso
De um malandro que é medroso
Mas que tem um bom coração.

 

 

DINIZ, André.  Noel Rosa: o Poeta do samba e da cidade.  Rio de Janeiro: Casa da  Palavra, 2010.  160 p. ilus. foto c; CD  “ André Diniz “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

NÃO TEM TRADUÇÃO

 Noel Rosa e Vadico

 

O cinema falado
É o grande culpado
Da transformação
Dessa gente que sente
Que um barracão
Prende mais que um xadrez
Lá no morro, se eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do inglês

A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar
Dando pinote
E só querendo dançar o fox-trote

Essa gente hoje em dia
Quem tem a mania da exibição
Não se lembra que o samba não tem tradução
No idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia, é brasileiro, já passou de português

Amor, lá no morro, é amor pra chuchu
As rimas do samba não são “I love you”
E esse negócio de “alô, alô, boy”
“Alo, Jone”
Só pode ser conversa de telefone.
 

 

 

ROSA, Noel.  A noiva do condutor.  Ilustrações de Laura Gorski,  apresentação de Mônica  Soutelo.  São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2010.  s.p.  capa dura   23,5x22 cm. ISBN  978-85-7816-060-9  “ Noel Rosa “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 “O rádio estava no auge de sua popularidade e Noel Rosa trabalhava em diversas emissoras quando, em 1935, seu parceiro Almirante propôs à Radio Club do Brasil um programa com o mote “Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui, no Rio...”. Desse projeto surgem as três revistas radiofônicas compostas por Noel. O ladrão de galinhas, O barbeiro de Niterói e A noiva do condutor, esta última com música composta em parceria com Arnold Glückmann e, sem dúvida alguma, a mais elaborada delas. “  (Texto na contracapa do livro)

Uma das canções:

 

Boas tenções

Saiba primeiro que o senhor não tem direito
De duvidar do meu amor
Eu sou um rapaz bem-educado
Tenho dinheiro e sou advogado
Meu coração pulsando diz
Que sua filha vai comigo ser feliz
Eu sou um rapaz cuja família
Além de dote, vai me dar mobília.

Agora, espero que o senhor
Faça o favor de não negar
A bela mão e o coração
De sua linda morena, Helena!
Já declarei minha tenções
Foi o senhor que assim quis
Mas não terá desilusões:
Helena há se ser bem feliz.

 

 

 

Página publicada em junho de 2008; página ampliada e republicada em março de 2015.




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