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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ITALO MORICONI JR.

Poeta, ensaísta, antologista. Nasceu no Rio de Janeiro em 1953 e cresceu em Brasília, onde morou de 1960  até 1975. Formou-se em Sociologia  pela Universidade de Brasília e, de volta ao Rio, fez mestrado e doutorado. Diretor da Eduerj.

 

IN ITALIANO



DA PASTA ROSA DO ITALO

I
Seriam meus. Todos eles.
Mesmo que não
o saibam. Olímpicos,
em sua indiferença,
seu divino desconhecimento.

Aquele, porém, divisa. À contraluz,
se reconhece numa vitrine. É corpo
e vidro. Saca

do sarcasmo furtivo, lince,
o pôquer de esquinas, esquivas.

4
E lá fomos mar adentro, superemforma,
como no sonho americano.
Mas éramos dois índios, bichos de água
na onda curiboca de fantasias, Atlântida
de peixes de carne tenra, terra sem santa cruz, se pegando
a muque, debaixo do último sol, longe
dos apartamentos cegos, inocentes, silenciados
à força.


O EFEBO, O EFEBO...

depois disso o garotão de pica enorme chupou-me por 50
pratas atrás do mam. Inverti o papel. farei fortuna?

situação: corpo vigor fantasmas helênicos juntinhos o
bigode pertinho as taças de cristal som de jazz a festa
lá embaixo

interview apresenta o mais belo macho in town, eleito
na disco

 

Extraídos de BUARQUE DE HOLLANDA, Heloisa. Esses poetas: uma antologia dos anos 90.  Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 1998.  ISBN 85-86579-02-5



De

LÉU

Rio de Janeiro:  Livraria Taurus Editora, 1988

                                              

para algum futuro

ao lento Lethe,
rio da sombria noite
ou algum Nilo além
flui do silêncio imenso
lhe ofereço à obscura
fonte — um gás, um aquém

 

alma do objeto

amiga:
morta, te
num quadro —

quieto, cheio de arestas,
audácia do espírito —

olhando-me sem olhos


da pedra: teorema

sobre ele abateu-se
o rosto
impávido, sem
colosso — falésia
aresta, memória

(a) mar:horizontal


ana cristina césar

ela quis a fascinação do vôo.
mas não há vôo, não ovo, nem galinha.
era possível uma carta agora, assim,
levantarem-se os mortos? O salto

não há fascinação, nem mar
da tranqüilidade não era despedaçar
um anjo, para torná-lo antigo.
à revelia é que se vive
pra melhor morte.


duas ou três coisas que eu sei sobre o prazer de ler

(lianas universitárias)

baudelaire jaz adormecido
debaixo de tanta erudição.
mas espero a hora arguta
e sua liberta perversão.
então, leitor fraterno,
nossos corpos se unirão.

         Gradual
                   move-se o tempo.

         Trocou-a pelas letras: perfaz
                            agora, no detalhe,
                   a sublimidade.

uma adaga? um bisturi? perfura o ovo da madrugada
         sem uivos
                   sem vento
     deita uma pasta amarela sobre o assento

                            súbito somem
                                      ele e Texto

                            somam-se
                                       figuram-se

                                               num fausto de fogo

 

 

Extraído de CÂNDIDO. Jornal da Biblioteca Pública de Paraná. N. 65 – dezembro 2016. p. 36-37

 

 

VIAGEM À ITÁLIA

Ao ar puro de maio (á moda de Sandro Penna)

Ragazzo calabrese no batente da manhã. Meio-dia, sol é pino, tatuagem sob a manga, a primavera, um desvestir-se. Vai com pressa à outra loja consertar o celular. Quem sabe o espreitam, tamanha sua confiança no mero pisar, no olhar para lados, para lá e para cá, para a frente e por detrás.

Rapazzo sim, mas.. calabrese?

Roma, dois mil e dezesseis

A bunda-falo do fauno de Bernini. Homem Cavalo Pedra mausoléu de obelisco, pedra sobre pedra, polida, rotunda lançada para o alto

sursum, corda, mais e mais, para o alto, perfura, perscruta, incrusta no azul memória de dentes rasgando carnes.

Meia noite

Procuro um coliseu entre muros de Fellini e uma lua de festim.

Ruína fresca de uma vida, a liça, o riste, o risco, a cena incompleta do filme,

as faces efêmeras, aparições ruidosas, que confraternizam. Ezra Pound, Pier Paolo, vago entre livros.

Pelas ruas adjacentes, pelos cantos marginais, junto ao parque já fechado, o regazzo calabrês

ostenta o ser que nunca foi, nem será. Suspende o tempo com seu braço de academia,

seu orgulho, pequeno e vultoso, numa língua sabor de sul, para inglês ver, fotografar, postar.

Sem retorno

A sombra da terra de origem esvaneceu-se, é como fiapos de nuvem entre montanhas amenas, oliveiras, percursos de trem e um oceano inteiro, um salto interplanetário, entre estrelas apenas entrevistas. O sortilégio do Amazonas, a foz, as fontes inexauríveis do fluxo vital, os cipós entrelaçados desde um tempo

de mais esfumada lembrança: enredos transgressivos possivelmente ancestrais, é como um de-ene-ah! Tudo se tornou longínquo, lendário, material para um romance, para um devaneio solitário. 

MORICONI, Ítalo.  A Cidade e as ruas.  Rio de Janeiro, RJ: Universidade do Estado do Rio de Janeiro –UERJ, 1992.  17 folhas soltas.  15x17 cm.  (Poesia na UERJ)  Programação visual: Sidney Rocha.   Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

         O MITO

Meu olhar insolúvel
enlaça essas nuvens,
manipula suas curvas
fundas, sondáveis
e de imiscuir-se, vê:
 

São hetairas lúbricas,
sob o sol que de tão tropical está grego.

Estou pompeiano...
Serpente levita.

 

Não consigo me passar sem a lei carnívora da existência

O Cordeiro de Deus reflui, balindo,
querendo apagar o incêndio a devastar.
Tudo é conflito de figura no jardim de forças da rua sarcástica.
 

Pombinhas rodopiam, inexoráveis.
Meu olhar solúvel desliza,
lei metálica, entre pernas braços cunhas
fundas, vesúvias. São abismos
de velocidade, superfícies: serpente
levita. 

 

Noturno 

Colhi esse rapaz do oco da noite
entre uma esquina e antigas angústias.
O vento levava copos vazios
e voltava nas asas de velhos jornais.
Era mais um bote da cobra grande,
lição de séculos aprendida nas ruas.
Nós dois e a rua. Nós dois, oco da noite.
 Poeira. Os carros retardatários...
Ninguém nos vê - cor dos prédios apagados.
Entramos no hotel os dedos ligados.
O homem maduro e o rapaz das ruas.
O nome e o inominável unidos
escada estreita acima.

Ainda belisquei o camareiro antes de fechar a porta. Flor
do oco, broto
espesso, lisura sem pêlos,
urgência de futuro
nesta última hora.

 

 

IN ITALIANO

 

INCONTRI CON LA POESIA DEL MONDO. ENCONTROS COM A POESIA DO MUNDO. Antologia poética bilíngue. Italiano – Português.  Antologia poética bilíngue. A cura di Vera Lúcia de Oliveira; Paula de Paiva Limão.  Perugia, Italia: Edizioni dell´Urogallo / CILBRA – Centro di Studi Comparati Italo-Luso-Brasiliani, 2016.  242 p. Em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Literatura, Universidade de Brasília.   ISBN 978-88-97365-41-9   No. 09 908

 

ITALO MORICONI è poeta, critico, professore di letteratura brasiliana presso l'Universidade do Estado de Rio de Janeiro (UERJ). Possiede un titolo di dottore in Lettere conseguito presso la PUC-Rio con post dottorato in Comunicazione presso la UFRJ. E autore di antologie di prosa e poesia di grande diffusione in Brasile. Quest'anno uscirà la seconda edizione della biografia da lui scritta sulla poetessa carioca Ana Cristina Cesar: Ana Cristina Cesar - O Sangue de urna poeta. Ha curato un volume di Lettere di Carlo Fernando Abreu. Quando ha ricoperto l'incarico di editore esecutivo della casa editrice dell'UERJ (2008-201 5) ha creato la collana Ciranda da Poesia, che tuttora coordina, composta da piccoli studi critici e miniantologie su poeti contemporanei.

 

Le poesie di Italo Moriconi sono state tradotte in italiano

da Emma De Luca

 

        Quatro elegias

 

Santuza Naves

(em memória)

 

Porque o fardo lhe parecia tão leve
um sangue adocicado nos percorreu,
cérebro célere -

como este terço de vida: ávida mesma.

Um riso aberto, os dramas íntimos, cabelo

espesso que voa, e foi,

cambraia navegadora,

nossas felizes bebedeiras cantantes.

Este teu silêncio esculpido

é parapeito sobre uma nova era.

 

 

Quattro elegie

 

Santuza Naves

(in memoria)

 

Perché il fardello le sembrava così lieve
un sangue addolcito ci percorse, cerebro celere -

come questo terzo di vita: la vita stessa.

Un sorriso aperto, i drammi intimi, capelli

folti che volano, e fu,

cambrì navigante,

le nostre felici sbornie cantate.

Questo tuo silenzio scolpito

è un parapetto sopra una nuova era.

 

 

Assis

(em memória de Donizete Galvão)

 

                   para Vera Lúcia de Oliveira

 

Haverá uma beleza no desconsolo, no abandono.
O seco esfarelar-se do pão dormido
na boca ácida, à beira da sarjeta, no
plano invisível do meio-fio.

 

"Trata-se apenas de um bêbado numa esquina."

Oh andrajos do homem santo

         que cuspia formigas e blasfemava com as unhas.

Suas unhas eram flautas sujas,

um Hamelin de cabelo bom bril

esgueirando-se pelas pistas da Marginal,

seguido pelos ratos gordos.

E as fileiras indiferentes

de faróis no anoitecer, bruma de luz,

rumor-amor indistinto.

 

 

Assisi

(in memoria di Donizete Galvão)

 

           per Vera Lucia de Oliveira

 

Ci sarà una bellezza nello sconforto, nell'abbandono.

Il secco sbriciolarsi del pane raffermo

nella bocca acida, sull'orlo del baratro, sul

piano invisibile

del ciglio della strada.

 

"Si tratta solo di un ubriaco ad un angolo."
Oh stracci dell'uomo santo

che sputava formiche e bestemmiava con le unghie.

Le sue unghie erano flauti sporchi,

pifferaio Hamelin con capelli di pagliette d'acciaio

svignandosela per le corsie della Marginai,

seguito da topi grassi.

E le schiere indifferenti

di fanali all'imbrunire, foschia di luce,

rumor-amor indistinto.

 

 


Pier Paolo (revisitado)

 

Ah, curva de um músculo.

Talhar o ragazzo transcendental

Em cada face imperfeita

Bloco branco e rude

Como os conjuntos residenciais

De um rosa desbotado, de um ocre imemorial,

Sob a luz de magnésio, no céu baldio.

Há milhares de estrelas lá no alto, olham?

Não, já não olham.

Deixar o gesto planar, num arabesco,

Pecorrer mais este ciclo lunar

Agora teus punhos, teus pneus, tua faca fria

Meu assassino terá que ser você

Para que possa outro exemplado

Fazer justiça a tanta vitória

Tanto sangue misturado.

Ah, carne, fome de forma,

Neste sítio preciso

Entre cacos, latas, detritos

Terá que ser aqui e agora

Tanto som misturado

Tanto sangue que rola

Todo esse descuido

E a maresia

 

         (1a. Versão: in Quase sertão, 1996)

 

 

 

Pier Paolo (revisitato)

 

Ah, curva di un muscolo.

Scolpire il ragazzo trascendentale

Su ciascun lato imperfetto

Blocco bianco e ruvido

Come i complessi residenziali

Di un rosa slavato, di un ocre indefinito,

Sotto la luce di magnesio, nel cielo abbandonato.

Ci sono migliaia di stelle lassù in alto, le guardano?

No, non le guardano più.

Lasciare il gesto librarsi, in un arabesco,

Percorrere ancora questo ciclo lunare

Adesso i tuoi pugni, i tuoi pneumatici, la tua lama f

Il mio assassino dovrai essere tu

Perché possa un altro esempio di condanna

Fare giustizia a tanta vittoria

Tanto sangue misturato.

Ah, carne, fame di forma,

In questo luogo preciso

Tra cocci, lattine, detriti

Dovrà essere qui e adesso

Tanto suon misturato

Tanto sangue riverso

Tutta questa incuria

E la mareggiata.

 

(1°. versione Quase sertão, 1996)

 

 

À sombra da árvore

 

         O vento apaga e empurra para o abismo
Mário Faustino

 

Guardaria, guardará, guardara
este segredo como um túmulo.

 

Foi sob um imaginário plátano que o corpo do pai -
terra oca, o ilimitado do pó.

 

Á beira do fim, cicio.

Luz e treva, vento e vulcão.

 

(Filho, te apossa do que não pode ser transferido a mais ninguém.) Teu nome não é teu, teu nome é todo teu.

 

Boca se fecha a sete chaves,

cheia de flores, cheia de insetos, larvas.

 

         (1a. versão: Quase sertão, id. ih.)

 

 

 

 

All'ombra dell'albero

 

Il vento spegne e spinge verso l'abisso
Mario Faustino

 

Conserverebbe, conserverà, aveva conservato
questo segreto come un tumulo.

 

Fu sotto un immaginario platano che il corpo del padre -
terra vuota, l'illimitato della polvere.

 

Sull'orlo della fine, sussurro.
Luce e tenebra, vento e vulcano.

 

(Figlio, impossessati di ciò che non può essere trasmesso
a nessun [altro.)

Il tuo nome non è tuo, il tuo nome è tutto tuo.

 

La bocca si chiude a sette chiavi,
piena di fiori, piena di insetti, larve.

 

          (1a. versione Quase sertão, 1996, id. ib.) 

 

 

 

 

Página ampliada em janeiro de 2017. ampliada em junho de 2018. Ampliada em setembro de 2019


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