FRANCISCO FERREIRA BARRETO
(1790-1851)
Poeta pernambucano nascido a 5 de abril de 1790 e falecido a 25 de fevereiro de 1831. Deputado à Constituinte de 1823. Presbítero secular. Orador.
SONETO
Andas, frio, suor, a vista errante,
Convulso o coração em sede ardendo,
Gotas, de sangue tépido correndo
Pelo divino, pálido semblante;
Espinhos na cabeça agonizante,
Cravo nas mãos, nos pés... suplício horrendo
Terno pai, que espetáculo tremendo!
Quem pode resistir, meu doce encanto?
Tudo quer contra o mundo me revolte;
Vossos olhos estão a procurar-me,
A lança, a cruz me diz que os vícios solte.
As mãos erguidas buscam abraçar-me,
A cabeça inclinada diz que eu volte,
A boca meio aberta quer chamar-me.
Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913
Página publicada em junho de 2009
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