Francisco de Assis Chaves Bastos nasceu em Tiros, MG, 3m 1949. Artista plástico, poeta, letrista, participou da chamada Geração Mimeógrafo, no Rio de Janeiro. Obras poéticas editadas: Pássaro Verde (1967, mimeógrafada), Consumo 44 (1970, em computador), Pipa (1976), Purpurina (1977), Urucumfumaça (1979, mimeografada, Trincheira de Espelhos (1982) e Poeta Clandestino (1986).
a fenda
a fenda part indo
a terra em duas partes
distintas divididas
frações soltas no espaço
e rasgadas por um traço
de um lado mutilado
o submundo feio: e torto:
nas favelas as tortuosas ruelas
no cais do porto a fossa de sal
nas alas das fábricas as mãos de graxa
nos vales de plantações a fome em vulcões
os ralos dos esgotos os ratos roendo cheque
e ainda campos de concentração concentrados
concêntricos entre arames farpados
do outro lado do outro lado
o supermundo o supramundo
imundo entre máquinas extrativas
o minério é um mistério
radioativo trocado ao vivo
por um punhado de matéria
plástica
A arte verbal de vanguarda acima foi publicada inicialmente no Suplemento Cultural do Correio Católico, Ano II, n. 30, 6 set. 1969 e mais recentemente reeditada na da obra: A POESIA EM UBERABA: DO MODERNISMO À VANGUARDA.
Antologia organizada e apresentada pelo poeta GUIDO BILHARINHO.
Uberaba: Insituto Triangulino de Cultura, 2003. 336 p. (Coleção Artecultura)
Aí está a Pipa (100 poemas em uma pg formando um rosto- auto-retrato). O lançamento deste livro iniciou os movimentos de espetáculos multimídia no Parque Lage a partir de 1976 (Verão a 1000). Envio também alguns poemas-objeto, performances e foto-poemas de diversas épocas.
Demorou, mais foi. Abração.
Xico Chaves
Rio de Janeiro, Março de 2008
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Dissolução de Abapuru
Poema de Xico Chaves em exposição no
Museu Nacional da Brasília: