DULCE MARIA LOYNAZ
(1903-1997)
(Dulce Maria Loyna y Muñoz)
A crítica considera Loynaz a última integrante do grupo de poetisas latino - americanas que tiveram prestígio durante este século, tais como:
Delmira Agustini, Alfonsina Stomi, Juana de lbarbourou, Gabriela Mistral .... É uma das maiores vozes femininas da lírica cubana. Filha de um general da Independência, cria com seus irmãos (Ror, Carlos e Enrique) um curioso grupo de poetas que trata com sutileza temas intimistas. Dulce María é uma das poetisas que dificilmente aparecem em antologias, porque alguns de seus poemas são muito extensos, como é o caso de "Últimos días de una casa" (1958) com o qual encerrou, supõe-se, sua criação em versos. Seus principais livros são: Versos (1938), Juegos de agua (1947), Poemas sin nombre (1953), Jardín (1955), romance lírico. A revalorização de sua obra partiu da edição de uma seleção de sua Poesías escogidas (1984). Em 1987, foi concedido a ela o Prêmio Nacional de Literatura. VIRGILIO LÓPEZ LEMUS
N. do T.: Dulce María Loynaz recebeu, em 1993, na Espanha, o prêmio Cervantes de literatura.
TEXTOS EN ESPAÑOL / TEXTOS EM PORTUGUÊS
YO TE FUI DESNUDANDO...
Yo te fui desnudando de ti mismo,
de los "tús" superpuestos que la vida
te había ceñido...
Te arranqué la corteza-entera y dura-
que se creía fruta, que tenía
la forma de la fruta.
Y ante el asombro vago de tus ojos
surgiste con tus ojos aun velados
de tinieblas y asombros...
Surgiste de ti mismo; de tu misma
sombra fecunda-intacto y desgarrado
en alma viva...
XXXVI
He de amoldarme a ti como el río a su cauce,
como el mar a su playa, como la espada a su vaina.
He de correr en ti, he de cantar en ti, he de guardarme en ti
ya para siempre.
Fuera de ti ha de sobrarme el mundo, como le sobra al río el aire,
al mar la tierra, a la espada la mesa del convite.
Dentro de ti no ha de faltarme blandura de limo para mi
corriente, perfil de viento para mis olas, ceñidura y reposo
para mi acero.
Dentro de ti está todo; fuera de ti no hay nada.
Todo lo que eres tú está en su puesto; todo lo que no seas tú
me ha de ser vano.
En ti quepo, estoy hecha a tu medida; pero si fuera en mí donde
algo falta, me crezco ... si fuera en mí donde algo sobra, lo corto.
(De: Poemas sin nombre, 1953)
NOÉ
Desde ésta, mi arca, a tientas
suelto una palabra al mundo:
La palabra va volando ...
Y no vuelve.
(De: Juegos de agua, 1947)
AL ALMENDARES
Este río de nombre musical
llega a mi corazón por un camino
de arterias tibias y temblor de diástoles...
Él no tiene horizontes de Amazonas
ni misterio de Nilos, pero acaso
ninguno le mejore el cielo limpio
ni la finura de su pie y su talle.
Suelto en la tierra azul ... Con las estrellas
pastando en los potreros de la Noche ...
¡Qué verde luz de los cocuyos hiende
y qué ondular de los cañaverales!
O bajo el sol pulposo de las siestas,
amodorrado entre los juncos gráciles,
se lame los jacintos de la orilla
y se cuaja en almíbares de oro ...
¡Un vuelo de sinsontes encendidos
le traza el dulce nombre de Almendares!
Su color, entre pálido y moreno.
- Color de las mujeres tropicales...
Su rumbo entre ligero, y entre lánguido ...
Rumbo de libre pájaro en el aire.
Le bebe al campo el sol de madrugada,
le ciñe a la ciudad brazo de amante ...
¡Cómo se yergue en la espiral de vientos
del cubano ciclón! ... ¡Cómo se dobla
bajo la curva de los Puentes Grandes!...
Yo no diré qué mano me lo arranca,
ni de qué piedra de mi pecho nace:
Yo no diré que él sea el más hermoso ...
¡Pero es mi río, mi país, mi sangre!
TEXTOS EM PORTUGUÊS
Traduções de
Alai Garcia Diniz e Luizete Guimarães Barros
FUI TE DESPINDO
Fui despindo você de você mesmo,
de seus "vocês" superpostos que a vida
te cingiu ...
Te arranquei a casca - inteira e dura –
que parecia fruta, que tinha
a forma da fruta.
E diante do vago assombro de seus olhos
surgiu você com olhos ainda velados
de sombras e assombros ...
Surgiu você de você mesmo, da mesma
sombra fecunda - intacto e desgarrado
em alma viva ...
(De: Versos, 1920-1938)
XXXVI
Hei de amoldar-me a ti como o rio a seu leito,
como o mar a sua praia, como a espada a sua bainha.
Hei de correr em ti, hei de cantar em ti, hei de guardar-me em ti
de agora em diante.
Fora de ti há de me sobrar o mundo, como ao rio sobra
o ar, ao mar a terra, à espada a mesa do convite.
Dentro de ti não há de me faltar brancura do limo
para minha corrente, perfil de vento para minhas ondas, ajuste e
repouso para meu aço.
Dentro de ti está tudo; fora de ti não há nada.
Tudo o que tu és está em seu lugar, tudo o que não sejas tu me
há de ser vão.
Caibo em ti, estou feita a tua medida; mas se for em mim onde
algo falte, cresço ... Se for em mim onde algo sobre,
corto.
(De: Poemas sin nombre, 1953)
NOÉ
Daqui, de minha arca, tateando
solto uma palavra ao mundo:
A palavra vai voando ...
E não volta.
(De: Juegos de agua, 1947)
AO ALMENDARES*
Este rio de nome musical
chega a meu coração por um caminho
de artérias mornas e tremor de diástoles ...
Ele não tem horizontes de Amazonas
nem mistério de Nilos, mas talvez
nenhum o vença na limpeza do céu
na fineza de seu pé e em seu talhe.
Salta na terra azul ... Com as estrelas
pastando nas campas da Noite ...
Que verde luz de cocuyos* * rasga!
Que ondular de canaviais!
Ou sob a sol fofo das sestas,
sonolento entre os delicados juncos,
lambe nos jacintos das margens
e coalha em caldo de aura ...
Um vôo de melros acesos
traça esse doce nome de Almendares!
Sua cor, entre pálida e morena.
—Cor das mulheres tropicais ...
Seu rumo entre leve e lânguido ...
Rumo de pássaro livre no ar.
Bebe-o ao campo o sol da madrugada,
cinge-o à cidade o braço de amante.
Como se ergue espiral de ventos
do ciclone cubano!. .. Como se dobra
sob a curva das Pontes Grandes! ...
Eu não direi qual é a mão que o arranca de mim,
nem em que pedra de meu peito nasce:
Eu não direi que seja ele o mais formoso ...
Mas é meu rio, meu país, meu sangue!
N. do T.:Almendares: rio que cruza a cidade de Havana.
N. do T.:cocuyos: espécie de pirilampo.
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