ESCADA DA VIDA
Julguei da vida haver galgado a escada,
essa escada de mármore polido,
que nos conduz à estância desejada
de um grande bem, raríssimo atingido.
Hoje vejo, porém, que quase nada
consegui, afinal, haver subido:
—ficou-me longe o termo da jornada
em que eu exausto me quedei vencido.
Pelos desvãos da escada mal me erguendo,
já sem noção e sem fé que anima,
nem sei se vou subindo ou vou descendo...
Por isso os seus extremos jamais acho:
—vejo degraus, olhando para cima,
vejo degraus — olhando para baixo!
(Escada da Vida, 1938)
CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM
Prisioneira feliz mas condenada
por leis irredutíveis e absolutas
a viveres assim encarcerada
nesta cadeia de montanhas brutas.
Mas que importa se é esplêndida a morada!
Pois daqui tudo vês e tudo escutas;
E o Itabira te guarda e te vigia,
como se fosse eterna sentinela
—carcereiro que vela noite e dia.
Tudo, afinal, te rende um justo preito,
Enquanto um claro rio tagarela
Rola, cantando, dentro de teu peito.
(Escada da Vida, 1938)