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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

JOSÉ SANTOS CHOCANO

(1875-1934)

 

Nació en Lima. Periodista, dotado de una personalidad muy compleja, batallador y revolucionario, es según Tones Rioseco: “de todos los modernistas, el mas completamente americano”. Desempeñó varios cargos políticos. En España conoció a Rubén Darío, quien le hace el prólogo de su hermoso poemario Alma América. En Guatemala es consejero y asesor del presidente Estrada Cabrera. Por acontecimientos políticos, ambos fueron encarcelados, y Chocano sentenciado a la pena de fusilamiento, salvándose gradas a la intervención de poetas, políticos y reyes. Entre sus principales producciones líricas, están las siguientes: Iras Santas, En la Aldea, Azahares, Alma América, La Epopeya del Morro, Selva Virgen, El Canto del Siglo, Primicias de Oro de Indias, Los Cantos del Pacífico.

 

Nasceu em Lima. Jornalista, dotado de uma personalidade muito complexa, batalhador e revolucionário, é, segundo Torres Rioseco, "de todos os modernistas, o mais completamente americano". Desempenhou vários cargos políticos. Na Espanha conheceu Rubén Darío, que fez o prólogo de seu belo livro Alma América. Na Guatemala foi conselheiro e assessor do presidente Estrada Cabrera. Por acontecimentos políticos, ambos foram presos, e Chocano sentenciado à pena de fuzilamento, salvando-se graças à intervenção de poetas, políticos e reis. Entre suas principais produções líricas, destacam-se: Iras Santas, En la Aldea, Azahares, Alma América, La Epopeya del Morro, Selva Virgen, El Canto del Siglo, Primicias de Oro de Indias, Los Cantos del Pacífico.

 

Nota: não publicamos todos os originais dos poemas do autor em castelhano por serem de fácil localização em outros sítios na web... Optamos pelos textos em português, por serem traduções únicas. NR

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL  /   TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

 BLASÓN

 

Soy el cantor de América autóctono y salvaje:

mi lira tiene un alma, mi canto un ideal.

Mi verso no se mete colgado de un ramaje

con un vaivén pausado de hamaca tropical...

 

Cuando me siento Inca, le rindo vasallaje

al Sol, que me da el cetro de su poder real:

cuando me siento hispano y evoco el Coloniaje,

parecen mis estrofas trompetas de cristal

 

Mi fantasía viene de un abolengo moro:

los Andes son de plata, pero el León de oro;

y las dos castas fundo con épico fragor.

 

La sangre es española e incaico es el latido;

¡y de no ser Poeta, quizás yo hubiese sido

un blanco Aventurero o un indio Emperador!

 

 

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TEXTOS EM PÓRTUGUÊS

Tradução de FERNANDO MENDES VIANNA e

SOLON BORGES DOS REIS

 

BRASÃO

        

Tradução de Fernando Mendes Vianna

 

 

Sou o cantor da América autóctone e selvagem;

minha lira tem alma, meu canto um ideal.

Meu verso não balança pendido da ramagem,

com um vaivém pausado de rede tropical...

 

Quando me sinto um Inca, eu rendo vassalagem

ao Sol, que me dá o cetro de seu poder real;

quando hispano, evocando a colonial imagem,

são as minhas estrofes trombetas de cristal.

 

A fantasia vem-me de antepassado mouro:

os Andes são de prata, mas o Leão é de ouro;

e as duas castas fundo com épico fragor.

 

O sangue é espanhol e incaica sua batida;

e se não fora Poeta, talvez fosse na vida

um branco Aventureiro ou um índio Imperador!

 

 

OS CAVALOS DOS CONQUISTADORES

 

         Tradução de Solon Borges dos Reis

 

 

Seus pescoços eram finos e suas ancas

Reluzentes e seus cascos musicais...

Os cavalos eram fortes!

Os cavalos eram ágeis!

Não! Não foram somente os guerreiros,

De couraças e penachos e espadas e estandartes,

os que fizeram a conquista

das selvas e dos Andes:

Os cavalos andaluzes, cujos nervos

têm chispas da raça voadora dos árabes

estamparam suas gloriosas ferraduras

nos secos pedregais,

nos úmidos pântanos,

nos rios ressoantes,

nas neves silenciosas,

nos pampas, nas serras, nos bosques e nos vales.

Os cavalos eram fortes!

Os cavalos eram ágeis!

 

Um cavalo foi o primeiro,

nos tórridos pantanais,

quando um grupo de Balboa caminhava

despertando as solidões adormecidas,

que imediatamente deu o aviso

do Pacífico Oceano, porque rajadas de ar

ao olfato lhe trouxeram

as  salinas umidades;

e o cavalo de Quesada, que no alto

se deteve vendo, no fundo dos vales,

de uma torrente a lambada

como o gesto de uma cólera selvagem,

saudou com um relincho

a planície interminável...

e desceu com fácil trote,

os degraus dos Andes,

como por escadas milenares

que rangiam sob o golpe dos cascos musicais...

Os cavalos eram fortes!

Os cavalos eram ágeis!

 

 

OS ANDES

 

         Tradução de Solon Borges dos Reis

 

 

Qual de Laocoonte a escultural serpente

trançando grandes mármores desnudos,

atam os Andes os seus nós nervudos

pelo corpo de todo um continente.

 

Horror dantesco estremecer se sente

por sobre esse tropel de heróis membrudos

que se alçam com graníticos escudos

e com elmos de prata refulgente.

 

Faz-se de cada herói a ânsia infinita

porquanto quer gritar, treme e dá salto,

e parte-se de dor...  porém não grita.

 

Apenas deixa, estático e sombrio,

lá resvalar do pico bem mais alto

a silenciosa lágrima de um rio...

 

 

QUEM SABE!

 

         Tradução de Solon Borges dos Reis

 

 

Ó! índio que assomas à porta

da tua rústica mansão,

para minha sede tens água>>>

para meu frio, cobertor>>

Para minha fome, tens milho>>

Para meu sonho, meu rincão>>

Breve quietude para minha andança>>

 

-  Quem sabe, senhor>>

 

Índio de fronte taciturna

e de pupilas sem fulgor,

que pensamento é o que escondes

em tua enigmática expressão<<

Que é o que buscas em tua vida>>

Que é o que imploras a teu Deus>>

Que é o que sonha teu silêncio>>

-  Quem sabe, senhor!

Ó raça antiga e misteriosa

de coração impenetrável

que vês, sem gozar, a alegria

e sem sofrer vês a dor;

és augusto como os Andes,

o Grande Oceano e o Sol!

Esse teu gesto de resignação

É de uma sábia indiferença

e de um orgulho sem rancor.

Corre em minhas veias teu sangue;

E, por tal sangue, se meu Deus

me interrogasse o que eu prefiro

- cruz ou laurel, espinho ou flor

beijo que apague meus suspiros

ou fel que me acalme a canção-

responderia, duvidando

- Quem sabe, senhor!

 

 

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NOITES ANTIGAS*

 

Tradução de Anderson Braga Horta

 

I

(Espanhola)

 

Era um baile solene de pretéritas damas

e nobres cavalheiros de tesos colarinhos.

Fora, um jardim: havia muitos pares sozinhos,

um romorar de fontes e um tremular de ramas.

 

A orquetra adormecida por sobre os pentagramas;

e, com um um ritmo suave de ondas enlasguescentes,

graves damas luziam caudas desfalecentes,

bocas feitas de flores e olhos feitos de chamas.

 

Ao largo quadro impunham seus enérgicos toques

os galãs, passeando, com gestos orgulhosos,

os seus ilustres fraques e os seus finos estoques.

 

Lacrimejavam velas, palpitavam espelhos;

e, em mesas nacaradas, teciam, preguiçosos,

monótonos carteios, dsencantados velhos...

 

 

II

(Veneziana)

 

O marmóreo Palácio, que, nos turvos canais,

grava sua brancura como visão de encanto,

dorme: já a noite o envolve em seu manto sedoso

e uma Lua coquete ri-se nos seus cristais.

 

Uma gôndola sulca as águas sepulcrais;

risonho bandolim tange um galante engenho;

abrem-se gelosias; e o amoroso empenho

corre escadas rangentes e prepara punhais.

 

Beijo, suspiro, arrulho. (Diálogo de pombas...)

Rasga a dama ao amor a estreita vestidura,

e saltam livremente suas virgíneas pomas...

 

Distante remo turba a quietude... Uma terna

fuga entre abraços; e eis que, em meio à note escura,

por sobre a água estremece a luza de uma lanterna.

 

 

III

(Romana)

 

É a noite cesárea de uma fúnebre orgia:

Fervem festas pagãs nos jardins negrejantes.

A voz que traz o vento vem das feras distantes;

e há um acre perfume de embriaguez e agonia.

 

Bacanal de soldados se abre ao César, que guia

carro ebúrneo, em vertigem, entre frondes e lianas;

e, enquanto arde o clarão de cem tochas humanas,

cem fanfarras detonam em horrenda harmonia.

 

César manda que, em meio a essas vivas fogueiras,

para apreciar o espanto que os semblantes demuda,

cem escravos lhes soltem as feras carniceiras...

 

E vê-se que, de súbito, atravessa a paisagem

uma virgem cristã, castamente desnuda,

cem escravos lhes soltem as feras carniceiras...

 

E vê-se que, de súbito, atravessa a paisagem

uma virgem cristã, castamente desnuda,

amarrada na cauda de um cavalo selvagem...

 

 

 

Poemas publicados originalmente na Revista Americana, 1911, vol. V, segundo pesquisa de Fontes de Alencar, publicada como ensaio no JORNAL da ANE (Associação Nacional de Escritores), Ano II, n. 11, Maio de 2008, p. 12.

 

Página ampliada e republicada em maio de 2008.

 

 

 


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