BEATRIZ AMARAL
Beatriz Helena Ramos Amaral nasceu em São Paulo, em 27.11.1960. Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1983 e em Música pela FASM em 1985, estreou em literatura em 1981, com o romance “Desencontro” (Ed. do Escritor), obra adotada em vários colégios para análise literária. Publicou, depois, os seguintes livros de poesia: “Cosmoversos” (1983, Ed. do Escritor), “Encadeamentos” (1988, Massao Ohno Ed.), “Primeira Lua” (1990, Massao Ohno Ed., haicais, em colaboração com Elza Ramos Amaral), “Poema sine praevia lege” (1983, Massao Ohno Ed.) e “Planagem” (1998, Massao Ohno Ed.), “Alquimia dos Círculos” (Escrituras, São Paulo, 2003) e “Luas de Júpiter” (Anome, Belo Horizonte, 2007). Em 2002, publicou o ensaio biográfico “Canção na Voz do Fogo” (Ed. Escrituras), focalizando a trajetória artística da cantora Cássia Eller.
“Encadeamentos” foi objeto de tese defendida na PUC-SP pela Profª Ana Luiza Camargo Arruda Bauer, em 1993. “Poema sine praevia lege” foi finalista do Prêmio Jabuti de 1993. Beatriz Amaral coordenou, na Secretaria Municipal de Cultura, em 1994, o Ciclo “Clarice Lispector – 50 anos de estréia”, em 1996, o Ciclo “POESIA 96” e, em 1997, “Visualidades, Sonoridades, Movimentos da Poética Contemporânea”. É Promotora de Justiça do Estado de São Paulo. Exerceu a Secretaria-Geral da UBE-SP no biênio 1996/1998. Em 2005, obteve o grau de Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP com a Dissertação “A transmutação metalingüística na poética de Edgard Baga”.
Tem resenhas, ensaios, artigos e poemas publicados em várias revistas e jornais (Folha de São Paulo, Dimensão, Zunái, A Cigarra, O Escritor, Revista da Biblioteca Mário de Andrade, entre outros) e participa de exposições de poesia, realizando leituras com o citarista Alberto Marsicano.
Site: http://beatrizhramaral.sites.uol.com.br/home.html
De
LUAS DE JÚPITER
Belo Horizonte: Anome Livros, 2007
DESENHO
cabras dançam rotas verticais
a crosta da montanha
contorna metonímias
a lápis crayon, a
sombra sobre o
pêlo, sobre a pele
na espessura de um
ensaio
que a luz tece a hipótese da
sílaba, — e o prisma ondulado
se consume
algum teor de amido
se estenda
nas bordas do bunker:
a tentativa de vôo
para a inexistência da asa
ARPEJO
raso, o
poço:
não se atreve nele
a palavra remo
e
não se
expressa
o rio-vontade
nem se
medra
a sintaxe d´água
procurar-te, névoa?
e te procuro, palavra,
quando oscilas
e o sol calibra
o eixo (e teu relevo)
a voz te funda e te
fecunda —
a existir: a ilha, em
noite-léguas
se abrires
a resposta
numa harpa
em desígnio celta,
se existires
INTERVALO
há não-espaço
quando tenso
o arco da sílaba,
acento de lótus
e sem haver
(com) portas há:
lendas de Mercúrio
vogal e fósforo,
óleo e gomo
o não-tempo
intervale a
outro senso
teor de amêndoas,
figo-figura
de não-língua, ócio
beijo em pronúncia
mel, ferrão de abelha
fio-rasura
FIGURAS
princípio do sono:
lassidão de formas
me embriaga
fontes, monte, montanha
labaredas da semana
projeto de lua
sobre a retina
(imagens sem rima)
rios, amoras, ananás
camelos e serpentes
a fome de Netuno
pra um rito d´água
pérola exposta no vácuo
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De
AMARAL, Beatriz Helena Ramos
ENCADEAMENTOS
São Paulo: Massao Ohno, 1988. 68 p. Composição Criarte Letras. Impressão Palas Athena. Formato 15x15 cm. N. 03 312 autografado Tiragem 500 exs. Col. A.M. (EA)
verbos que me emprestem
seu modo de ser sempre
encontre seu lugar no texto
no contexto sonoro do vento
ver o tempo
de ser vento
em dias leves
de sentir o mundo
nas cadências geográficas
de um mapa
o escolhido porto
de retornar sabendo
Página publicada em dezembro de 2008. Indicação de Wilmar Silva. Página publicada em novembro de 2011
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