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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Desenho de Calisto
  Alphonsus de Guimaraens

em Português   y Español

 
Ouro Preto, 24.7.1870 – Mariana, 15.7.1921. Principais obras: Setenário das Dores de Nossa Senhora, Dona Mística , Kiriale, Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte.

 

 

      A CABEÇA DE CORVO  

Na mesa, quando em meio à noite lenta

Escrevo antes que o sono me adormeça,

Tenho o negro tinteiro que a cabeça

  De um corvo representa.

 

A contemplá-lo mudamente fico

E numa dor atroz mais me concentro:

E entreabrindo-lhe o grande e fino bico,

Meto-lhe a pena pela goela a dentro.

 

E solitariamente, pouco a pouco,

Do bojo tiro a pena, rasa em tinta...

E a minha mão, que treme toda, pinta

   Versos próprios de um louco.

 

E o aberto olhar vidrado da funesta

Ave que representa o meu tinteiro,

Vai-me seguindo a mão, que corre lesta.

Toda a tremer pelo papel inteiro.

 

Dizem-me todos que atirar eu devo

Trevas em fora este agoirento corvo,

Pois dele sangra o desespero torvo

   Destes versos que escrevo.

 

 

LA CABEZA DE CUERVO

 

Traducido por Anderson Braga Horta

 

Calmo, a lo largo de la noche lenta,

Escribo, insomne. A un lado de la mesa

Un negro tintero hay que la cabeza

   De un cuervo representa.

 

Mudo lo miro y así me mortifico

Y en mi dolor atroz más me concentro:

Y entreabriendo su grande y fino pico

Meto la pluma en su garganta adentro.

 

Y solo, de su panza, poco a poco,

Voy sacando la pluma inmersa en tinta...

Y mi mano, que tiembla toda, pinta

   Versos propios de un loco.

 

Con su abierto ojo vítreo, la funesta

Ave que representa mi tintero

Sigue mi mano, que camina, presta,

Temblando toda en el papel entero.

 

Me dicen cuantos me desean vivo

Que lance fuera ese agorero cuervo,

Pues sangra de él este descreer protervo

   De los versos que escribo.

 


 

ENCONTREI-TE. ERA O MÊS...

 

Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? agosto,

Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,

Brilhasse o luar, que importa? ou fosse o sol já posto,

No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

 

Que saudades de amor na aurora do teu rosto,

Que horizonte de fé no olhar tranqüilo e garço!

Nunca mais me lembrei se era no mês de agosto,

Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março.

 

Encontrei-te. Depois... depois tudo se some:

Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira...

Era o dia... Que importa o dia, um simples nome?

 

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,

Segunda, terça ou quarta ou quinta ou sexta-feira,

 

 

TE ENCONTRÉ. ERA EL MES...

 

Traducido por Anderson Braga Horta

 

Te encontré. Era el mes... ¿Qué importa el mes, enero,

Septiembre, octubre, mayo, abril, agosto o marzo?

Brillase tu mirar, o fuese el sol postrero,

Mi sueño era un reflejo en tus ojos de cuarzo.

 

¡Qué nostalgias de amor de tu haz en el lucero!

¡Qué horizonte de fe tu mirar calmo y garzo!

Nunca más recordé si era en el mes de enero,

Septiembre, octubre, mayo, agosto, abril o marzo.

 

Te encontré. Mas después... todo en fin se anonada:

Se evola tu mirar en nubes de oro y nieves...

Era el día... ¿Qué importa el día, un nombre, nada?

 

¡O sábado sin luz o domingo sin puerto,

Lunes, martes, tal vez miércoles, viernes, jueves,

Brillase el sol —¿qué importa?— o fuese el sol ya muerto!

 


   

O CINAMOMO FLORESCE...

 

O cinamomo floresce

Em frente do teu postigo:

Cada flor murcha que desce

Morre de sonhar contigo.

 

E as folhas verdes que vejo

Caídas por sobre o solo,

Chamadas pelo teu beijo

Vão procurar o teu colo.

 

Ai! Senhora, se eu pudesse

Ser o cinamomo antigo

Que em flores roxas floresce

Em frente do teu postigo:

 

Verias talvez, ai! como

São tristes em noite calma

As flores do cinamomo

De que está cheia a minh’alma!

 

 

EL CINAMOMO FLORECE...

 

Traducido por Anderson Braga Horta

 

El cinamomo florece

Delante de tu postigo:

Cada flor que desfallece

Muere de soñar contigo.

 

Las hojas verdes que veo

Caídas junto a tu paso,

Llamadas por tu deseo

Van a buscar tu regazo.

 

¡Señora!, si yo pudiese

Ser el cinamomo amigo,

De flor violeta, que crece

Delante de tu postigo:

 

Verías, tal vez, ¡ay, cómo

Suspiran en noche calma

Las flores del cinamomo

De que está llena mi alma!

  


        ROSAS

          Rosas que já vos fostes, desfolhadas               Por mãos também que já se foram, rosas              Suaves e tristes! rosas que as amadas,              Mortas também, beijaram suspirosas...

 Umas rubras e vãs, outras fanadas,

Mas cheias do calor das amorosas...

Sois aroma de alfombras silenciosas,

Onde dormiram tranças destrançadas.

 

Umas brancas, da cor das pobres freiras,

Outras cheias de viço e de frescura,

Rosas primeiras, rosas derradeiras!

 

Ai! quem melhor que vós, se a dor perdura,

Para coroar-me, rosas passageiras,

O sonho que se esvai na desventura?

 

 

ROSAS

Traducido por Anderson Braga Horta

 

Rosas que ya vos fuisteis, deshojadas

Por manos que también se fueron, rosas

Suaves y tristes y que las amadas,

Muertas también, besaron ansïosas.

 

Rosas rubras y ufanas, o agostadas,

Todas llenas de llamas amorosas...

Sois aromas de alfombras silenciosas,

Donde durmieron trenzas destrenzadas.

 

¡Blancas como las monjas, o hechiceras

Rosas llenas de savia y de frescura,

Rosas primeras, rosas postrimeras!

 

¿Quién sino vos, si este dolor perdura,

Por coronarme, rosas pasajeras,

El sueño que se acaba en desventura?

 


         HÃO DE CHORAR POR ELA OS CINAMOMOS...  

Hão de chorar por ela os cinamomos,

Murchando as flores ao tombar do dia.

Dos laranjais hão de cair os pomos,

Lembrando-se daquela que os colhia.

 

As estrelas dirão: — “Ai! nada somos,

Pois ela se morreu, silente e fria...”

E pondo os olhos nela como pomos,

Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

 

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,

Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la

Entre lírios e pétalas de rosa.

 

Os meus sonhos de amor serão defuntos...

E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: — “Por que não vieram juntos?”

 

 

POR ELLA HAN DE LLORAR LOS CINAMOMOS...

 

Traducido por Anderson Braga Horta

 

Por ella han de llorar los cinamomos,

Mustias las flores, cuando muera el día.

Caerán de los árboles los pomos,

Soñando aquélla que se los cogía.

 

Las estrellas dirán: — “¡Ay! nada somos,

Desde que ella se fue, silente y fría...

Y viendo sus mejillas como cromos,

La hermana han de llorar que les sonreía.

 

La luna, que le fue madre amorosa,

La vio nacer y amar, ha de envolverla

Entre lirios y pétalos de rosa.

 

Mis ensueños de amor serán difuntos...

Y los arcángeles dirán al verla,

Pensando en mí: — “¿Por qué no vienen juntos?”  


      DEUS É A LUZ CELESTIAL...

Deus é a luz celestial que os astros unge e veste,

E dessa eterna luz nós todos fomos feitos.

Um fulgor de orações brilha nos nossos peitos:

É o reflexo estelar dessa origem celeste.

 

O homem mais louco e vil, cuja alma ímpia se creste

Aos fogos infernais dos mais torpes defeitos,

De vez em quando sente esplendores eleitos,

Que tombam nele como o luar sobre um cipreste.

 

Quem não sentiu no peito a carícia divina,

A enchê-lo de clarões na transparência hialina

De um astro que cintila em pleno azul sem véus?

 

Tudo é luz na nossa alma, e o mais vil, o mais louco,

Bem sabe que esta vida é um sol que dura pouco

E que Deus vive em nós como dentro dos céus...

 

 

DIOS ES LA LUZ DEL CIELO...

 

Traducido por Anderson Braga Horta

 

Dios es la luz del cielo, es de los astros veste,

Eterno resplandor. De esa luz somos hechos.

Un fulgor de oración relumbra en nuestros pechos:

Es el reflejo astral de ese origen celeste.

 

Tú, hombre loco y vil, alma impía que padeces

En el fuego infernal de tus torpes defectos,

Sientes de cuando en cuando esplendores electos

Como un claro de luna argentando cipreses.

 

¿Quién no sintió jamás la caricia divina

En su pecho verter la esencia cristalina

De un astro que centella en pleno azul sin velo?

 

Todo es luz en nuestra alma; el más vil, el más loco

Bien sabe que esta vida es sol que dura poco

Y está en nosotros Dios como dentro del cielo...

 


 

NINGUÉM ANDA COM DEUS...

 

Ninguém anda com Deus mais do que eu ando,

Ninguém segue os seus passos como sigo.

Não bendigo a ninguém, e nem maldigo:

Tudo é morto num peito miserando.

 

Vejo o sol, vejo a lua e todo o bando

Das estrelas no olímpico jazigo.

A misteriosa mão de Deus o trigo

Que ela plantou aos poucos vai ceifando.

 

E vão-se as horas em completa calma.

Um dia (já vem longe ou já vem perto?)

Tudo que sofro e que sofri se acalma.

 

Ah se chegasse em breve o dia incerto!

Far-se-á luz dentro em mim, pois a minh’alma

Será trigo de Deus no céu aberto...

 

 

NADIE ANDA CON DIOS...

Traducido por Anderson Braga Horta y José Jeronymo Rivera

 

Nadie anda con Dios más que yo ando,

Nadie sigue sus pasos como sigo.

A ninguno bendigo ni maldigo:

Todo es muerto en un pecho miserando.

 

Veo el sol y la luna y todo el bando

De los astros olímpicos persigo.

Dios con su mano misteriosa el trigo

Que plantó, poco a poco, va segando.

 

Fluyen las horas en completa calma.

Un día ha de llegar en que en el puerto

Todo lo que sufrí y sufro se acalma.

 

¡Ah, si llegara en breve el día incierto!

Se hará luz en mi ser, ya que mi alma

Será trigo de Dios en cielo abierto...

 


 

ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

 

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

 

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

 

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...

 

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...

 

 

ISMALIA
Traducido por Anderson Braga Horta

Cuando Ismalia enloqueció,

Subió a la torre a soñar...

La luna en el cielo vio,

Vio otra luna en el mar.

 

En ensueños se perdió,

Bañada en la luz lunar...

Subir al cielo deseó,

Deseó descender al mar...

 

Y en desvarío se quedó,

Se echó en la torre a cantar...

Cercana al cielo se vio,

Se vio lejana del mar...

 

Y como un ángel, pendió

Las alas para volar...

La luna del cielo ansió,

Ansió la luna del mar...

 

Las alas que Dios le dio

Temblaron de par en par...

Su alma al cielo subió,

Su cuerpo bajó al mar...   

 

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